Depois de calote da Venezuela, Petrobras decide incorporar refinaria problemática

Refinaria, prometida em 2005 pelo então presidente Lula, deveria ter sido construída em conjunto com a PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo

Por Felipe Moreno
 25 out, 2013 20h52
pôster Hugo Chávez
(Reuters)

Felipe Moreno

SÃO PAULO - Um projeto bastante criticado pela oposição, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, será incorporada completamente à Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou a estatal nesta sexta-feira (25). Essa refinaria, prometida em 2005 pelo então presidente Lula, deveria ter sido construída em conjunto com a PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo. 

A Abreu e Lima, porém, foi tida como mais uma tentativa de geopolítica do governo petista do que propriamente uma decisão econômica tomada pela Petrobras - o interesse seria se aproximar do governo de Hugo Chávez. As críticas cresceram ainda mais quando os venezuelanos não pagaram sua parte na refinaria - e os custos, inicialmente estimados em US$ 2,5 bilhões, cresceram sete vezes para US$ 17,1 bilhões.

Agora, a Petrobras se vê com um ativo que refina principalmente o petróleo pesado, natural da Venezuela - ao passo que a grande maioria do petróleo brasileiro é leve. A refinaria está "praticamente pronta", mas a Petrobras quer agilizar a execução de obras e facilitar a coordenação de refino. A refinaria era uma entidade separada da Petro para "facilitar possíveis parcerias com investidores interessados", o que não logrou êxito. 

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