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Grandes bancos ganham mais do que seus clientes em 10 fundos

Fundos DI do Bradesco, Santander e Itaú cobram taxas de administração altas e investidor ganha menos do que os gestores

SÃO PAULO – Gestoras de recursos de grandes bancos, que contam com a força das agências para oferecer seus produtos, estão ganhando mais do que seus clientes em fundos de investimentos que cobram taxas altas.

De acordo com um levantamento efetuado pela Vérios, responsável pelo site Comparação de Fundos, dez fundos DI e de renda fixa com patrimônio superior a R$ 100 milhões renderam mais dinheiro aos gestores do que aos investidores em 2013.

O levantamento, feito com as bases de dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e da Anbima, levou em consideração quanto o fundo e o cliente receberam para uma aplicação de R$ 10 mil. No caso do fundo Santander Classic FIC FI Referenciado DI, que cobra uma taxa de administração de 5% ao ano, a receita foi de R$ 516. No mesmo período, o fundo distribuiu R$ 264 em rendimentos líquidos (livre de impostos) para o investidor.

Outro fundo que recebeu mais do que pagou aos cotistas foi o Itaú Prêmio Referenciado DI, que distribuiu R$ 340,73 (líquido) para quem aplicou R$ 10 mil no ano passado, enquanto sua receita foi de R$ 406,11. A taxa de administração deste fundo é de 3,9% ao ano. Na mesma linha, o Bradesco Hiperfundo DI recebeu R$ 406,93 enquanto o rendimento ficou em R$ 358,05. A taxa anual do fundo também é de 3,9%.

Nos três casos, o investidor perdeu poder de compra, já que a inflação do ano passado ficou acima do retorno líquido dos três fundos: o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) marcou 5,91%, enquanto os fundo do Bradesco rendeu 4,34%, o do Itaú 4,13% e do Santander 3,20%.

“Muitas vezes, investir em um fundo DI de um grande banco é pior do que deixar o dinheiro na caderneta de poupança”, disse o assessor de investimentos do Opportunity, Felipe Cotrim, em entrevista ao InfoMoney.

Um levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostra justamente isso. Segundo a entidade, com o juro em 10,75% ao ano, todos os fundos DI com taxa de administração maior do que 2,5% ao ano perdem para a caderneta.

No entanto, como o rendimento da poupança também é baixo, o ideal é buscar fundos com taxa de administração mais baixas – de preferência abaixo de 1% ao ano. "Há diversas opções de investimento com taxas justas e rentabilidade adequada ao perfil de cada aplicação. Basta saber onde procurar", afirmaram Felipe Sotto-Maior e Carlos Balthazar, do Comparação de Fundos.

Confira os fundos DI que ganharam mais do que os cotistas em 2013: (considerando uma aplicação de R$ 10 mil)


FundoGestorTaxa de administração (a.a)
Receita do Gestor
Rendimento líquido
*Vérios
BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPERFUNDO BRADESCO 3,9% R$ 406,93 R$ 358,05
ITAU PREMIO REFERENCIADO DI FICFI  ITAÚ UNIBANCO  3,9% R$ 406,11 R$ 340,73
SANTANDER FIC FI CLASSIC REFERENCIADO DI SANTANDER 5% R$ 516 R$ 264

 

Confira os fundos de renda fixa que ganharam mais do que os cotistas em 2013: (considerando uma aplicação de R$ 10 mil)


FundoGestorTaxa de administração (a.a)
Receita do Gestor
Rendimento líquido
*Vérios
BRADESCO PRIVATE TNA FIC FI RF CRÉD PRIV  BRADESCO 1% R$ 100,72 R$ 59,40
SAFRA EXEC PLUS FC FI RF BANCO J SAFRA 4,8% R$ 495,98 R$ 274,73
BANRISUL SUPER FI RF BANRISUL 4,5% R$ 465,57 R$ 285,45

SANTANDER FIC FI TOP RF SANTANDER 4% R$ 415,28 R$ 315,15
BB RENDA FIXA LP 100 FICFI  BB DTVM 3,8% R$ 395,24 R$ 330,83
FI BANESTES INVEST PUBLIC RF BANESTES 4% R$ 416,20 R$ 334,13
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI ITAÚ UNIBANCO 3,9% R$ 406,58 R$ 350,63

Os bancos respondem
A Santander Asset, responsável pelos fundos Classic e Top RF, disse que os dois fundos têm o propósito de remunerar os recursos parados em conta corrente no curtíssimo prazo. Além disso, o cliente pode optar por aplicar a partir de R$ 1 e se beneficiar do resgate automático. “Para recursos de investimentos de longo prazo, o Santander oferece portfólio completo de fundos de renda fixa, multimercados e ações", afirmou a asset, em nota.

Já o Bradesco, também por nota, ressaltou que o Hiperfundo “ tem características de um produto diferenciado cujo apelo comercial não é apenas a rentabilidade mas, também, os sorteios de prêmios”.

O presidente da BB DTVM, Carlos Massaru Takahashi, disse, em entrevista ao InfoMoney, que o fundo BB Renda Fixa LP distribui uma parcela “expressiva” em prêmios, além de ter baixa volatilidade. “O brasileiro gosta muito de sorteios, então o fundo procura aliar a ideia de poupança com a possibilidade de ganhar prêmios. É uma forma de induzir o investidor a poupar”, disse o executivo. Além disso, ele afirmou que a grande quantidade de cotistas (o fundo tem cerca de 300 mil investidores) também acarreta custos altos para a gestora.

Takahashi também lembrou que a asset conta com outros fundos, com taxas mais baixas, indicados para investidores que buscam ganho de patrimônio no longo prazo.

O Itaú Unibanco, por meio de nota, informou que todos os fundos mencionados não fazem mais parte da oferta de produtos para os clientes pessoa física e estão fechados para a aplicação desde novembro de 2011. “Nossa política de preços sempre foi pautada no relacionamento com o cliente e continua sendo bastante competitiva em relação ao mercado”, afirmou o banco.

agência do Bradesco
(Divulgação)

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