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Temer convoca reunião para discutir aumento de combustíveis; Ultrapar desaba 6% e Petrobras cai 2%

A Petrobras adotou nova metodologia de reajuste de preços dos combustíveis em 3 de julho de 2017 e, desde então, a gasolina acumula alta de 22% e o diesel de 21,5%

Michel Temer
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO - O presidente Michel Temer convocou para esta segunda-feira (21) uma reunião de emergência para discutir a escalada nos preços dos combustíveis. A decisão foi tomada após representantes do alto escalão do governo demonstrarem sua preocupação com os seguidos reajustes nos preços dos combustíveis nas refinarias.

As ações da Petrobras, que chegaram a subir mais de 2% acompanhando a alta do petróleo, passaram a operar em queda e alcançaram a mínima do dia após o anúncio do encontro, e os papéis da Ultrapar, dona do Posto Ipiranga, desabaram.

A reunião acontecerá no Palácio do Planalto e está marcada para 18h, segundo informações da Agência Brasil. Foram chamados para participar da conversa com o presidente os ministros Moreira Franco (Minas e Energia), Eduardo Guardia (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil), Esteves Colnado (Planejamento) e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciou que realizará uma comissão geral no dia 30 de maio para debater os sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis. Serão convidados para participar do debate representantes da Petrobras, de distribuidoras, de postos, do governo e especialistas do setor. O objetivo, segundo Maia, é buscar ações imediatas para enfrentar a crise geopolítica global que encarece os combustíveis.

"São ideias de políticas compensatórias para enfrentar o momento atual. E estão distantes do congelamento de preços que vimos no passado", apaziguou Maia, em sua conta o Twitter. "No curto prazo, o governo federal deve avaliar a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins. Os estados podem avaliar o mesmo para o ICMS", acrescentou sobre as possíveis medidas.

Ainda nesta manhã, o ministro da Fazenda disse que o governo estuda a redução de tributos incidentes sobre os combustíveis, mas não tem ainda nenhuma decisão sobre o assunto.

Na sexta-feira (18), o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, já havia adiantado a possibilidade de o governo adotar medidas compensatórias ao avaliar que o preço da gasolina "está subindo demais". "Já tinha conversado anteriormente com o presidente [da Petrobras] Pedro Parente. Cheguei até, em determinado momento, a conversar com o presidente do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], porque havia alguma distorção que ninguém entendia e é fundamental que as pessoas entendam", disse Moreira Franco, segundo informações da Agência Brasil.

Segundo o ministro, a Petrobras pratica uma política de preços correta, mas é preciso entender que a composição do preço envolve outros fatores. "Então, temos que, juntos, entrar na discussão desses outros fatores, porque a gasolina, e o combustível de modo geral, sobretudo o gás de cozinha, não é um bem conspícuo".

Nesta segunda-feira (21), caminhoneiros protestam em várias localidades contra o aumento do preço dos combustíveis e interditaram rodovias em pelo menos 13 estados.

E a Petrobras?
Desde o começo do ano as ações da Petrobras sobem 60%, refletindo não só as melhorias propostas pela nova gestão do presidente Pedro Parente, mas também a forte alta do petróleo no mercado internacional. Com a recente política de reajuste de preços, a valorização do petróleo traz um impacto positivo imediato nos resultados da estatal.

No pregão desta segunda-feira (21), as ações da Petrobras (PETR4) operavam em alta refletindo a alta do petróleo no mercado externo e a informação de que a estatal deve fazer nova emissão de bônus. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a ideia é colocar a operação no mercado até junho, para aproveitar o período com maior chance de custo menor. De acordo com a publicação, os detalhes sobre prazos e montante não estão completamente definidos. A medida também dependerá das condições do mercado externo daqui até junho.

No entanto, a decisão de Temer pressiona os papéis e, mesmo com a continuidade na alta do petróleo, o ativo alcançou sua mínima do dia com acionistas temerosos com o que vem por aí e fechou em queda de 2,34%. As ações da Ultrapar (UGPA3) sofreram ainda mais e amargaram queda de 5,94%. No acumulado do ano, as perdas da dona do Posto Ipiranga são de 30,75%.

Aumento de 22% em menos de 1 ano
A Petrobras adotou nova metodologia de reajuste de preços dos combustíveis em 3 de julho de 2017 e, desde então, a gasolina acumula alta de 22% e o diesel de 21,5%, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). A forte alta não tem incomodado apenas os consumidores, o alto escalão do governo deu sinais contundentes de que a nova política de preços está se tornando inconveniente - e medidas serão tomadas.

Se, de um lado, as medidas para conter a valorização dos combustíveis tendem a impactar positivamente no bolso dos consumidores e na inflação, do outro lado, a menor arrecadação de impostos acertará em cheio o coração de um dos maiores problemas do país hoje: a política fiscal.

A arrecadação do país com impostos, contribuições e demais receitas teve alta real (acima da inflação) de 3,95% em março e chegou a R$ 105,659 bilhões - no maior valor para meses de março desde 2015 e o quinto mês positivo na sequência.

A elevação teve uma ajuda dos combustíveis. A arrecadação desses produtos rendeu R$ 1 bilhão a mais para o governo em março. A maior arrecadação também foi decorrente do reaquecimento da economia e da arrecadação extra de R$ 1,074 bilhão vindo do Refis, refinanciamento de dívidas fiscais. 

 

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