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Doria impõe derrota a Alckmin em São Paulo e embaralha planos para eleições

Decisão tomada em reunião da executiva nacional tucana atrapalha possível aliança nacional com PSB, de Márcio França

Geraldo Alckmin e João Doria
(Alexandre Carvalho/A2img)

SÃO PAULO - A contragosto, o governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, cedeu à vontade do prefeito paulistano João Doria e ficou decidido que o partido fará prévias para o governo paulista em 4 de março. A data é a mesma que definirá quem será o representante da sigla na corrida presidencial.

Embora, como presidente nacional tucano, não tenha permitido o êxito integral da proposta de fixar uma data específica para a realização de todas as prévias estaduais tucanas, Alckmin sofreu uma derrota para o prefeito, e principalmente para o PSDB paulista, que resiste à ideia de apoiar um nome de outro partido em vez de lançar candidato próprio para sua sucessão.

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Apesar do desempenho ruim nas pesquisas de intenção de voto, a tendência atual é de consolidação da candidatura de Alckmin ao Palácio do Planalto. Contudo, a decisão tomada na última quarta-feira prejudica os planos de firmar uma aliança nacional com o PSB a partir da figura do vice-governador Márcio França.

Não é certo que França tenha capacidade de entregar parte expressiva da força dos socialistas no Nordeste. De todo modo, essa possibilidade existia e poderia configurar estratégia para Alckmin atacar uma de suas fraquezas na disputa presidencial, sobretudo caso o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa decida não participar da disputa e o PSB não lance candidato próprio.

Com o agendamento de prévias no PSDB para as eleições aos governos estaduais, diminui o controle de Alckmin sobre os rumos do partido nessa situação. Levando-se em consideração a indisposição do tucanato paulista em ceder o comando do Palácio dos Bandeirantes a uma sigla aliada, aumentam as dificuldades para o atual governador, que se movimentava bem no tabuleiro político para formar uma ampla aliança em torno de sua candidatura presidencial, a despeito das limitações proporcionadas pelo baixo nível de intenções de voto para um nome do PSDB neste momento.

Há quem diga que Doria ainda sonha com o Palácio do Planalto. Conforme pontua reportagem do portal Poder360, há fatores que tornam a decisão da última quarta-feira muito relevante para o futuro das eleições. As prévias ocorrerão antes do prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral, mas com tempo suficiente para Doria se preparar. Caso o prefeito queira ser candidato a algum cargo na disputa de outubro, precisará deixar o posto em São Paulo até 7 de abril.

Além disso, a reportagem revela uma estratégia de Doria para voltar a ser considerado um nome para o Planalto. Segundo a matéria, o prefeito acredita apenas que precisa deixar o posto que comanda hoje e entrar no jogo eleitoral, mesmo que em um primeiro momento para a disputa estadual. Caso Alckmin não decole, Doria ocuparia o espaço de uma espécie de "nome de reserva" do PSDB para pegar o bastão na corrida presidencial.

Motivos para comemorar
Por outro lado, Alckmin também tem alguns motivos para comemorar. Ainda na última quarta-feira, a executiva nacional tucana marcou a realização de um debate entre o governador paulista e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, com quem disputará prévia pelo direito de representar o partido na corrida presidencial. Embora trate-se mais de um incômodo a Alckmin do que uma real ameaça à sua candidatura, a forma como a prévia caminha para ser realizada o favorece. Em algum momento especulou-se sobre a possibilidade de realização de até 5 debates entre os pré-candidatos, o que atrapalharia o governador.

Alckmin também pode se animar com as recentes movimentações de Luciano Huck. Ventilado como um possível candidato à presidência -- com sinalizações feitas pelo próprio presidente de honra tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso --, o apresentador afirmou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que não entrará na disputa deste ano. Isso dissiparia a sombra que crescia em torno da candidatura do tucano devido ao desempenho considerado fraco nas pesquisas, até mesmo no estado de São Paulo.

Além disso, o fato de Rodrigo Garcia (DEM-SP) ter deixado a secretaria estadual de Habitação de São Paulo e sido eleito o novo líder do DEM na Câmara dos Deputados pode ser uma sinalização favorável ao tucano. Aliado de Alckmin, Garcia pode ajudar a consolidar a aliança entre PSDB e DEM para a corrida presidencial.

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