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Não é Luciano Huck: o "outsider" que promete abalar o cenário eleitoral em 2018

Em meio à raiva com políticos, expectativas com candidatura de nomes de fora da política aumentam - mas há ceticismo sobre até onde eles podem ir

Faixa presidencial
(Ricardo Stuckert / Instituto Lula)

SÃO PAULO - Em um ambiente de raiva com os políticos, ou com o chamado "establishment", a expectativa de que nomes fora do meio possam surgir para o pleito eleitoral desse ano é bastante grande. Apresentadores, juristas, empresários. Muitos nomes já foram cogitados para serem o "nome de fora" e movimentarem o ambiente político para 2018. Na semana passada, após a aparição de Luciano Huck no "Domingão do Faustão", as apostas para o nome dele aumentaram - e o apresentador negou novamente a candidatura

Enquanto Huck esteve recentemente nos holofotes, um outro nome (mais discreto) vem ganhando especial menção dos analistas políticos como o nome de fora da política, conforme foi destacado durante o Guia Onde Investir 2018, que trouxe perspectivas para o ano que se inicia. 

Trata-se do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, que ganhou especial destaque por sua atuação no mensalão. Ele foi convidado a se candidatar pelo PSB e a expectativa é de que ele diga se vai aceitar ou não ainda em janeiro. 

Entre os analistas políticos consultados pelo InfoMoney, o diretor para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman, deu especial destaque ao nome, ao apontar para um ambiente em que a raiva da população com os políticos deve imperar, o que beneficiaria Barbosa e outros outsiders. 

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"É um candidato que estamos muito de olho. Ele está costurando uma candidatura pelo PSB e, se de fato for candidato, pode navegar por esse espectro antiestablishment e tem credenciais muito fortes anti-corrupção e um espaço na centro-esquerda para ser competitivo. Barbosa é realmente um nome para ficar de olho e que pode ser competitivo em 2018". 

Para o diretor para as Américas da Eurasia, em um ambiente de raiva com os políticos, mesmo que o cenário-base não seja a eleição de um outsider, um nome de fora da política pode exercer um papel importante na eleição.

De acordo com Garman, a questão é que teremos em 2018 uma competição pelo voto anti-establishment, ou de fora da política, em meio à raiva com a classe. Assim, ser um político tradicional nesta disputa é um passivo. Nomes do centro e defensores de reformas, como o do governo Geraldo Alckmin, entram com esse estigma, associado ao fato de que o tucano tem patinado nas pesquisas. 

"Então não é por acaso que partidos de centro-direita como o DEM estão atrás de nomes que possam representar o anti-establishment e defender as reformas. Esses são sinais importantes. Para nós, quando Huck disse que não seria candidato - pode mudar de ideia -, isso de fato aumenta o risco da eleição porque não temos um representante de reformas que pode se vender como antiestablishment. Então a pergunta é: um nome reformista como Huck pode ressurgir? É difícil apostar. Entre os que estão no radar, Joaquim Barbosa é o único com maior potencial que está ativo", afirma Garman, que coloca o ex-presidente do STF como um nome com características reformistas, mas com incertezas sobre a capacidade de executar as reformas. 

Contudo, há quem veja com mais ressalvas o nome de Barbosa. Para o analista político da MCM Consultores, Ricardo Ribeiro, Barbosa é o único nome realmente outsider que ainda tem chances de entrar, mas pondera, ao ressaltar que barreiras de outsiders (como tempo de TV e fundo eleitoral) à eleição presidencial vão acabar prevalecendo.

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, a força dos outsiders é sempre possível, mas não é o mais provável. "Há um estoque informacional de aprendizado em relação a 1989 muito significativo. A elite política aprendeu os determinantes e dilemas de uma candidatura presidencial, coisa que não se sabia na época, o que torna a entrada mais complicada. Mas, diante dessa crise partidária e se eventualmente algum partido estiver disposto a fazer uma aposta não tão pragmática, o resultado vai ser uma campanha bastante pulverizada e possivelmente mais incerta. Acredito que um nome de centro-direita deva ser um quadro mais complicado. Organizar este campo é uma tarefa mais difícil do que a centro-esquerda".

No último Datafolha, de dezembro, o ex-ministro do STF apareceu em três cenários de simulação de votos em 2018, mas alcança no máximo 8% das intenções, o que poderia gerar questões sobre a sua viabilidade ainda mais se ele se candidatar por um partido pequeno, o que levaria a barreiras como as já destacadas acima. Contudo, a raiva aos políticos pode ser um contraponto - e guiar um bom desempenho de Barbosa nas eleições. Nada é descartado. 

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