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Governo "revira suas gavetas" para encontrar uma boa moeda de troca pela Previdência

Até mesmo as centrais sindicais devem garantir alguns milhões nesta ofensiva de Temer

SÃO PAULO - Em vista da dificuldade para aprovar a reforma da Previdência, o governo está "revirando suas gavetas" para encontrar uma boa moeda de troca para conquistar os 308 congressistas necessários para legitimar o texto no plenário da Câmara. Na noite da última quarta-feira (6), foi aprovado um pacote de projetos com impacto de R$ 30,2 bilhões nas contas públicas ao longo dos próximos 15 anos, mas Temer promete ainda liberar R$ 500 milhões para centrais sindicais e negociar mais R$ 3 bilhões para emendas parlamentares.

Depois de muita discussão nos últimos dias, a Câmara aprovou ontem o Refis (parcelamento das dívidas) de produtores rurais com Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural) e de micro e pequenas empresas que fazem parte do Simples Nacional, que, segundo as estimativas, resulta em uma renúncia fiscal de R$ 22,8 bilhões em 15 anos. Além disso, a Câmara ainda aprovou projeto que prevê a concessão de R$ 1,9 bilhão a Estados e municípios para compensá-los pelas perdas com a Lei Kandir, que isentou de ICMS as exportações.

Para completar o "pacote de bondades" do governo, foi aprovado no Senado a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que eleva os recursos que serão destinados ao Fundo de Participação dos Municípios, com injeção adicional de R$ 5,5 bilhões aos seus cofres. Só com esses projetos, o governo sacrificou R$ 30 bilhões pela votação da Previdência - e ainda tem mais.

Opositores da reforma da Previdência, até mesmo as centrais sindicais devem garantir uma alguns milhões nesta ofensiva do governo. Segundo informações da Folha, os sindicatos poderão faturar R$ 500 milhões em verbas do imposto sindical que estavam retidas na União. Vale lembrar que o partido do líder sindical, Paulinho da Força (SDD), tem 14 votos na Câmara.

Fonte ainda não secou
No jantar de ontem como a base aliada, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, afirmou que o governo está elaborando estudos para remanejar o Orçamento do ano que vem para atender às demandas dos parlamentares em troca dos votos, conforme aponta matéria do Estadão. Segundo os relatos, o líder do governo no Senado sinalizou que todos os recursos disponíveis em 2017 serão empenhados.

Michel Temer
(Beto Barata/PR)

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