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Da reforma política ao descontrole fiscal: os principais assuntos da política na semana

Para entender um pouco melhor mais uma semana importante em Brasília, o InfoMoney recebeu os analistas políticos Carlos Melo e Paulo Gama

SÃO PAULO - Mais uma semana movimentada para a política brasileira se encerra, com importantes discussões acerca de mudanças nas regras eleitorais roubando as atenções de alguns passos em falso dados pelo governo em direção a aumento de impostos e o adiado anúncio da nova meta fiscal para este ano. Para discutir alguns dos principais assuntos tratados nos últimos cinco dias e avaliar os possíveis desdobramentos para a política no futuro próximo, o InfoMoney recebeu o analista político Paulo Gama, da XP Investimentos, e o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

No primeiro bloco, os dois convidados analisaram os significados e as consequências dos avanços do sistema "distritão" para as próximas eleições e como isso dialoga com a ampliação dos recursos públicos a serem utilizados nas campanhas. "[Com as mudanças], O partido não é mais importante e nós ficamos à mercê de personalidades. Isso é a negação da institucionalidade de um país, de uma sociedade. Não são mais instituições, agora são figuras", critica Melo. No mesmo sentido, Gama ressalta o consequente aumento da fragmentação da estrutura parlamentar e o efeito colateral de um custo ainda maior de negociações para os governantes. "Você vai ter 513 figuras, que foram eleitas com voto próprio, devem alguma coisa ao partido por conta do financiamento, mas serão 513 instituições na Câmara", complementou. Na avaliação do professor do Insper, o que está sendo feito não pode ser chamado de reforma política.

Assista à íntegra do primeiro bloco:

 

No segundo bloco, os convidados debateram sobre as dificuldades do governo em equilibrar as contas públicas em meio a um ambiente de intensa cobiça de grupos de interesse dentro e fora do governo. "Existem dois governos: o da economia, que tem uma visão sintonizada com o mercado, e o governo da política, que faz concessões para garantir o mandato do presidente [Michel] Temer e para continuar tendo o controle do processo no Congresso Nacional", analisa Melo. Para ele, os lobbies também estão dentro do próprio governo. "O boicote que se dá à equipe econômica na questão fiscal está na área política do próprio governo. O inferno mora dentro de casa, dentro da base, é amigo íntimo". A despeito do cenário caótico que se desenha para a política e a economia, o mercado dá sinais de otimismo. Na avaliação de Gama, a aparente contradição se dá exatamente por um ambiente externo de excesso de liquidez, que acaba influenciando positivamente a percepção dos agentes econômicos no Brasil.

Assista à íntegra do segundo bloco:

 

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