Por Lara Rizério Em mercados / politica  19 jan, 2017 12h45 - Atualizada em 26 jan, 2017 | 07h00

De Lula a Bolsonaro: o que os 7 candidatos mais prováveis ao Planalto podem esperar para 2018

Confira a análise da Barral M. Jorge sobre os prováveis candidatos a 2018 - e as suas perspectivas para o pleito

Por Lara Rizério Em mercados / politica  26 jan, 2017 07h00

Correção: a matéria afirmava anteriormente que Ciro Gomes teria se oferecido para disputar com Lula como vice, o que não ocorreu. Em junho de 2016, Ciro chegou a afirmar que seria candidato se Lula não fosse, mas descartou que seria vice na chapa. 

SÃO PAULO - Desde que a crise política brasileira ganhou contornos dramáticos, no começo de 2015, o noticiário sobre a intenção dos políticos para as próximas eleições presidenciais vem ganhando destaque. Mesmo o pleito ocorrendo apenas para o final de 2018, é possível observar diversas movimentações entre os "caciques" de partidos, que vem se intensificando à medida que a eleição se aproxime. 

Com isso, em relatório chamado Brazil Outlook 2017, a consultoria política Barral M. Jorge destacou sete nomes que estão no radar e a força que cada um deles possui para a eleição do ano que vem. A consultoria ressalta que grandes nomes foram enfraquecidos, disputas intrapartidárias começaram a ser travadas e outsiders tomaram fôlego para o que pode se tornar uma das eleições mais disputadas desde 1989.

Além disso, cabe ressaltar que é bem provável que apareçam novos nomes (como já vem surgindo nos últimos meses, caso de Roberto Justus e Ronaldo Caiado), o que deve tornar o pleito ainda mais acirrado. E novos nomes vêm surgindo para ser o novo "Donald Trump", conforme apontou a Bloomberg em matéria dessa semana, sinalizando que a disputa deve ser bastante pulverizada. 

A Barral M. Jorge destacou quais são os nomes mais prováveis para a disputa - e a perspectiva para eles até agora. Confira abaixo:

Lula

Lula

A Barral M. Jorge destaca que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi uma das figuras mais alvejadas pela operação Lava Jato em 2016. Isso porque, além de ser indiciado em incontáveis processos, o petista perdeu o status de grande articulista uma vez que fracassou em manter Dilma Rousseff no comando do País.

Lula, apesar de negar que queira disputar a Presidência da República nas próximas eleições, é uma das grandes apostas do PT, que também pode apostar em Jacques Wagner (ex-governador da Bahia). Em levantamento feito pelo Datafolha, Lula lidera em todos os cenáriosde primeiro turno. Porém, é derrotado no segundo turno pelo alto índice de rejeição que o impede de garantir a maioria do eleitorado.

Aécio Neves

Aécio Neves

A consultoria política aponta que o saldo das eleições municipais deste ano não foi positivo para Aécio Neves (PSDB-MG). Isso porque, apesar do bom desempenho do seu partido, muitos candidatos apoiados por Aécio não conseguiram se eleger. O senador também teve sua imagem desgastada com os desdobramentos da Operação Lava Jato e com a rejeição dos políticos tradicionais.

A Barral M. Jorge aponta que Aécio possui como maior trunfo o bom desempenho que teve em 2014, a relação próxima que desfruta com o presidente Michel Temer e a recondução para o cargo de presidente nacional do partido em 2016. Contudo, para que a sua candidatura se concretize, Aécio deverá primeiro vencer a disputa interna no seu partido, avalia a consultoria. Ela aponta que, com receio de ser derrotado por Geraldo Alckmin, Aécio não descarta a possibilidade de solicitar a realização de prévias para tirar a decisão das mãos dos dirigentes do partido que tem como maior base eleitoral o estado de São Paulo.

Geraldo Alckmin

Geraldo Alckmin Governador PSDB

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi, na avaliação da consultoria, o político que saiu mais fortalecido das eleições municipais. Ele conseguiu emplacar a vitória de boa parte dos seus aliados, tendo como destaque a eleição de João Doria à prefeitura de São Paulo já no primeiro turno.

Agora, Alckmin precisa vencer desafios, como uma acirrada disputa interna em seu partido para concorrer às eleições de 2018. "Com o fim do quarto mandato como governador de São Paulo, Alckmin pode não se contentar com umaproposta que possui certa aceitação dentro do partido: lançá-lo ao Senado", afirma a consultoria. Caso não consiga o apoio do PSDB, Alckmin estuda a possibilidade de se filiar ao PSB.

José Serra

José Serra

A disputa no PSDB é grande, mas a Barral M. Jorge destaca que o ministro das Relações Exteriores José Serra tem chances extremamente baixas de ser a escolha dos tucanos para a disputa presidencial. Dentre os motivos, o senador licenciado sai desmoralizado das eleições municipais ao não conseguir emplacar a candidatura de Andrea Matarazzo à prefeitura paulistana e dificilmente passará a ser visto como um candidato mais viável do que Aécio e Alckmin.

Dentre as opções que restam a Serra, está a busca de um espaço na disputa pelo PMDB. Caso o partido reúna coragem paraentrar nas eleições de 2018 em chapa própria, Serra pode ser um nome comreconhecimento nacional suficiente e capacidade de gerar consenso em umpartido tão fragmentado. "Esse cenário dependerá fortemente do desempenhodo governo Temer", diz a consultoria. 

Marina Silva

Marina Silva - Bom dia Brasil

A líder do Rede Sustentabilidade sai de 2016 sem ter seu nome envolvido nos escândalos de corrupção, mas também sem agregar valor à sua imagem, diz a consultoria.

Isso porque Marina não conseguiu usar o caos político e econômico para alavancar suas chances de vitória nas próximas eleições. Aos poucos, aponta a Barral, Marina perdeu espaço na mídia. Por outro lado, o seu pouco protagonismo no momento pode ser positivo para ela. Entretanto, justamente por estar à margem dos acontecimentos, ela leva vantagem. Levantamento do Datafolha indica sua vitória em todos os cenários de segundo turno. Contudo, a falta de um partido forte para sua candidatura e a falta de um posicionamento claro, bem como o desempenho obtido nas eleições anteriores, dificultam sua apresentação como uma candidata viável no meio de todos os possíveis presidenciáveis, algo que a impediria de chegar a um eventual segundo turno, diz a Barral.

Ciro Gomes

Ciro Gomes

A candidatura de Ciro Gomes está condicionada às ações que serão tomadas pelo PT, afirma a Barral. Em meados do ano passado, o pedetista havia afirmado que não concorreria contra Lula e havia rumores de que ele seria sondado para ser o vice na chapa de Lula. (Correção: a matéria afirmava anteriormente que ele teria se oferecido para disputar com Lula como vice, o que não ocorreu).  

"Mesmo que Lula não entre na disputa presidencial, a campanha de Ciro irá disputar os votos da esquerda contra os candidatos apoiados pelo PT e pelo PSOL, algo que praticamente excluiria suas possibilidades de chegar até o segundo turno", diz a consultoria. Já a candidatura de Ciro ganhará maior viabilidade caso seja lançada em parceria com o PT em uma união da esquerda. Mesmo assim, seu discurso polêmico ainda poderia impedir um maior apoio popular, diz a Barral. Confira a entrevista de Ciro Gomes para o InfoMoney clicando aqui

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro teve um motivo para comemorar em 2016: a eleição de Donald Trump nos EUA foi comemorada pelo deputado federal e deu novo fôlego às suas pretensões eleitorais. A Barral M. Jorge destaca que os dois guardam muita semelhança entre si, como a adoção de um discurso polêmico e a venda de um personagem que para todos os efeitos não faz parte da política tradicional.

Contudo, a consultoria aponta: se por um lado, a vitória do Trump pode ser usada como plataforma para a eleição de Bolsonaro, por outro lado as diferenças das regras eleitorais demonstram que um resultado semelhante não deve acontecer no Brasil. Por aqui, a abundância de candidaturas viáveis, a existência de segundo turno e a obrigatoriedade do voto podem garantir que Bolsonaro não atinja um desempenho suficiente para chegar ao Palácio do Planalto, diz a consultoria. 

Lula e Jair Bolsonaro
(Reprodução)

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