Em mercados

DIs afundam após Temer sinalizar meta de inflação para 2019 em 4%; Ibovespa sobe

Meta de inflação para 2019 deve ir para 4%, afirma Temer; estimativa de queda da inflação também influencia para a queda dos juros

SÃO PAULO - Embalado pela queda dos DIs e pela alta do minério de ferro, que impulsionam as ações da Vale, o Ibovespa opera em alta de 0,56%, aos 61.970 pontos, às 16h02 (horário de Brasília) nesta segunda-feira (19). No mesmo horário, os juros futuros com vencimento em 2018 recuavam 8 pontos, para 9,02%, enquanto com vencimento em 2019 registravam queda de 8 pontos, aos 8,99%, ambos fechando o gap aberto no pregão de 18 de maio, quando os juros dispararam após a divulgação do áudio envolvendo Joesley Batista e Michel Temer.

No início dos negócios, os contratos chegaram até a subir, mas logo reverteram para queda após o presidente Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que a Selic está em processo de queda "em face das expectativas de inflação ancoradas em torno da meta, da inflação em queda, e do alto grau de ociosidade na economia". Para o economista Antônio Madeira, da MCM Consultores, "os recentes discursos do presidente do Banco Central reafirmam a sinalização da última nota do Copom de que ajuste mais moderado da Selic se mostra adequado para a próxima reunião".

Para ajudar na queda do juro, segundo informações da Bloomberg, Temer quer que a meta de inflação para 2019 seja ajustada para 4% em vista do bom comportamento da inflação. Vale destacar que o CMN (Conselho Monetário Nacional) irá se reunir dia 29 de junho e as especulações na sexta-feira (16) apontavam que a meta será reduzida dos atuais 4,50% para 4,25%.

Expectativa para inflação em queda
O agravamento da crise política política e as dúvidas com relação ao andamento da agenda de reformas mais uma vez afetaram as expectativas dos economistas semanalmente consultados pelo Banco Central. Na mais recente edição do relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira, a mediana das projeções para o PIB (Produto Interno Bruno) recuaram de 0,41% para 0,40% neste ano e de 2,30% para 2,20% no ano seguinte.

Em decorrência do nível de atividade mais baixo, as projeções para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), recuaram de 3,71% para 3,64% em 2017 e de 4,37% para 4,33% em 2018. A expectativa de queda dos preços também contribui para a queda dos juros futuros nesta segunda-feira, destaca o economista da MCM Consultores.

Ainda sobre o futuro da inflação, para Antônio Madeira, o Banco Central irá avaliar os impactos da crise política sobre a atividade econômica, câmbio e, por consequência, na inflação - "ainda no que diz respeito à inflação, pode ocorrer uma alta das expectativas se os investidores voltarem a ficar preocupados com a trajetória futura do déficit público".

Novo capítulo da crise política
Apesar do movimento de alta do mercado, os investidores seguem atentos ao caos político, com mais um escândalo envolvendo Michel Temer. Em entrevista à revista Época desta semana, o empresário Joesley Batista (cuja delação levou à maior crise política do governo Michel Temer) afirmou que o presidente é chefe de organização criminosa e reafirmou a acusação de que o presidente comprou o silêncio de Eduardo Cunha. Temer respondeu dizendo que processará Joesley nas esferas civil e criminal. Segundo o Planalto, “ódio” que Joesley teria do governo Temer deve-se ao fato de o empresário ter encontrado “as portas fechadas na administração federal para seus intentos”.

Além disso, segue a expectativa pelo desenrolar da denúncia a ser apresentada contra o presidente de Temer por Janot ainda essa semana. Contudo, o jornal O Estado de S. Paulo destaca que, antes da denúncia de Janot ir ao Congresso, ela terá de passar pelo STF, onde ficará ao menos 20 dias. Atento a tudo isso, a base aliada prepara uma estratégia para encontrar um relator favorável ao governo na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça ), como também estão muito próximos dos deputados para evitar que a oposição consiga os 342 votos para endossar as acusações do procurador-geral e permitir que o Supremo Tribunal Federal leve o caso adiante.

Ainda no radar político, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello negou a solicitação feita o na sexta pela defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes da Corte, em plenário, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto. Na decisão, Marco Aurélio considera que o "desfecho desfavorável a uma das defesas é insuficiente ao deslocamento". Com o pedido indeferido, o caso segue com a Primeira Turma. Está agendado para terça-feira (20) o julgamento de dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que quer a prisão preventiva de Aécio, e outro do próprio senador pedindo que seja assegurada sua liberdade.

Destaques da bolsa
Além das ações da Vale, destaque de alta para a Embraer, após o presidente da companhia, Paulo Cesar Silva, afirmar que está confiante que a empresa consiga novos pedidos no Internacional Paris Air Show, maior evento de aviação mundial, que será realizado nesta semana. Além disso, segundo jornais, a Força Aérea dos EUA pretende fazer testes em julho com o Super-Tucano, aviação de caça da empresa brasileira.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE3 VALE ON 26,74 +4,62 +14,99 89,22M
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 16,08 +4,28 +1,63 30,66M
 VALE5 VALE PNA 25,15 +3,41 +18,99 241,74M
 BRKM5 BRASKEM PNA 33,62 +3,19 -1,84 33,12M
 BRAP4 BRADESPAR PN 18,43 +3,02 +27,17 16,54M

Do lado negativo, as ações da JBS recuam com notícias sobre possível retaliações do governo de Michel Temer à empresa depois de todo o caos político gerado por Joesley Batista.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 6,42 -3,02 -43,50 68,21M
 SBSP3 SABESP ON 31,44 -1,75 +13,37 14,97M
 RAIL3 RUMO S.A. ON 8,18 -1,45 +33,22 13,74M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 15,11 -1,37 +9,26 10,75M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 16,72 -1,36 +7,66 6,49M
* - Lote de mil a??es
1 - Em reais (K - Mil | M - Milh?o | B - Bilh?o)

Inflação em foco nessa semana
Em destaque na agenda econômica da semana, está a divulgação do RTI (Relatório Trimestral de Inflação) na quinta-feira (22) às 08h30 (horário de Brasília). "O ponto alto desta semana deve ser o RTI, em que o Banco Central terá oportunidade de revisar suas projeções de inflação, incorporando o IPCA mais baixo de maio, bem como a evolução das expectativas no Focus. É possível que os dados de inflação melhores que o esperado o leve a aproveitar a oportunidade de comunicação com o mercado para amenizar adicionalmente o tom com relação à intenção de desacelerar o ritmo de queda na próxima reunião", destaca a Rosenberg.

Dividindo as atenções, o IPCA-15 de junho, que será conhecido na sexta-feira (23), às 09h00, "deverá confirmar a tendência de desinflação verificada em outros índices de inflação, ao desacelerar de uma alta de 0,24% em maio para outra de 0,09% em junho. Com isso, a inflação em doze meses deve recuar de 3,77% para 3,45%", projetam os economistas do Bradesco. Para o time da Rosenberg, o índice de inflação deve encerrar o mês com variação de 0,15%. Vale destacar que, na sexta-feira, o presidente do BC Ilan Goldfajn afirmou ao Estadão que, apesar do aumento da incerteza nas últimas semanas, o que interessa para a autoridade é o avanço das reformas e ajuste.

Já na agenda internacional, há poucos dados no radar, mas os investidores estarão atentos as falas de membros votantes do Federal Reserve, como Willian Dudley (segunda-feira), Robert Kaplan (terça-feira) e Jerome Powell (sexta-feira), com objetivo de capturar novas sinalizações sobre o futuro da política monetária nos EUA após a reunião do Fomc da última quarta-feira. 

Expert 2017
A agenda econômica da semana pouco movimentada será compensada com a Expert 2017, evento promovido pela XP Investimentos que trará nomes ilustres do mercado financeiro e da política para palestrarem, dentre eles Armínio Fraga, Luis Stuhlberger, Luiz Barsi, João Doria e Deltan Dallagnol. A Expert acontecerá entre os dias 22 e 24 de junho em São Paulo e os ingressos para acompanhar presencialmente podem ser adquiridos neste link: www.expertxp.com.br/expertclientday

Bolsas mundiais
A semana começa com ganhos para os principais índices mundiais. As bolsas europeias avançam no dia em que começam as negociações formais da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit. Na França, o presidente Emmanuel Macron fortaleceu sua posição política durante o fim de semana, depois de conseguir uma maioria nas eleições parlamentares do país ontem, o que também anima os mercados por lá, uma vez que essa vitória deve permitir um maior avanço nas reformas. 

O ministro britânico para o Brexit, David Davis, designado para as tratativas, está em Bruxelas hoje para dar andamento ao divórcio. "Buscaremos relação futura especial e profunda com a União Europeia", disse. A população decidiu pela retirada há quase um ano e há, agora, uma avaliação de que as discussões possam ser um pouco mais suaves do que o alardeado inicialmente. Isso porque o Partido Conservador perdeu a maioria absoluta do governo no Parlamento e a primeira-ministra britânica, Theresa May, está em negociação com o Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês), da Irlanda do Norte, para formar um governo de coalizão. Os investidores descontarão qualquer incerteza maior sobre a libra. Às 13h30, Davis e o negociador da UE, Michel Barnier, darão entrevista coletiva em Bruxelas. 

Já na Ásia, os mercados acionários chineses avançaram nesta segunda-feira, com o índice de blue chips CSI300 interrompendo três dias de perdas, diante de sinais de que a liquidez apertada está melhorando e com a expectativa de menos listagens novas no mercado.

Entre as commodities, o petróleo WTI tem ligeira alta, mantendo-se perto de US$ 45, com empresas nos EUA continuando a instalar torres de perfuração; metais sobem em Londres, enquanto o minério de ferro sobe em Dalian e em Qingdao, na China.

Às 16h03, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,54%

*S&P 500 (EUA) +0,66%

*Nasdaq (EUA) +1,17%

*CAC-40 (França) +0,90% (fechado)

*FTSE (Reino Unido) +0,81% (fechado)

*DAX (Alemanha) +1,07%  (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) +1,16% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,70% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,62% (fechado)

*Petróleo WTI +0,22%, a US$ 44,84 o barril

*Petróleo brent +0,36%, a US$ 47,54 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian +0,70%, a 433 iuanes

*Minério spot negociado em Qingdao, na China +1,94%, a US$ 56,30 a tonelada

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