Em mercados

Afinal, reduzir a meta de inflação ajuda ou atrapalha a queda dos juros?

Na sua reunião de junho, o Conselho Monetário Nacional se reúne para decidir sobre a meta para o IPCA de 2019 

SÃO PAULO - Com a queda do nível de inflação de 10,67% em dezembro de 2015 para 4,76% em fevereiro de 2017, ganhou força entre os economistas o debate sobre a possibilidade de o Brasil reduzir o centro da meta de inflação. A taxa atual de 4,5% é considerada elevada, inclusive quando comparada às de outros países da América Latina, onde variam na casa dos 3%.  

Em junho, o CMN (Conselho Monetário Nacional) se reúne para decidir sobre a meta para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2019 e cada vez mais economistas consideram reais as chances de haver uma redução entre 25 e 50 pontos-base. 

A preocupação fica com os efeitos que tal diminuição teria sobre a economia: se contribuiria com o processo desinflacionário e ajudaria a ancorar as expectativas de inflação em níveis mais baixos ou se levaria o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo para fazer o IPCA convergir para um patamar ainda mais reduzido, limitando, desta forma, a força da recuperação da economia. 

Segundo a equipe de análise macroeconômica da XP Gestão, projeções indicam que a segunda alternativa não é verdadeira. "A análise econométrica sugere que uma possível redução da meta do BC teria impacto baixista nos juros, assumindo que a mesma seja crível", afirmam.

Além disso, analisando também exemplos de outros países, os gestores afirmam que se a nova meta for crível, razoável de ser alcançada, os efeitos gerados sobre a economia seriam positivos. Em carta mensal enviada à clientes, eles citam estudos do Banco Central da Nova Zelândia e do Fed que indicam que, em um cenário de expectativas racionais, a inflação tende cair se a meta inflacionária for reduzida. 

A equipe da XP acrescenta que seus modelos econométricos sinalizam que se a meta do IPCA de 2019 for reduzida em 50 pontos-base para 4,0%, as projeções coletadas no relatório Focus caminhariam para 4,2%, ante a expectativa anterior de 4,6%, quando o cenário é da meta atual de 4,5%.

De acordo com os especialistas, as expectativas inflacionárias mais baixas e a credibilidade do BC retomada pela atual gestão contribuiriam para o arrefecer o índice de preços. Dessa forma, a equipe da XP Gestão considera que existe uma "probabilidade razoável" de o CMN reduzir a meta inflacionária de para 4,25% ou 4,00% ao ano.

Ilan Goldfajn
(Bloomberg)

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