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PIB fraco em 2016 aumenta chances de corte de 100 pontos na Selic em abril, diz XP Investimentos

Números divulgados pelo IBGE apontam para o pior biênio da economia brasileira desde o início da década de 1930

SÃO PAULO - O anúncio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de que a economia brasileira encolheu 3,6% no ano passado, acumulando a pior sequência para o PIB (Produto Interno Bruto) desde o biênio 1930-1931, confirma a perspectiva de que a retomada da atividade deverá ser lenta. Essa é a avaliação da equipe de análise da XP Investimentos, que também aposta que os números apresentados nesta manhã podem influenciar na decisão da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que em abril definirá o novo patamar da taxa básica de juros.

"Dois componentes [do PIB] merecem destaque: 1) o 'consumo das famílias' continuou combalido (terminou 2016 com -4,3% ante -3,9% em 2015), piorando no quarto trimestre de 2016 em relação ao trimestre anterior (-0,6% ante -0,3%, ambos com ajuste sazonal) e; 2) o componente de 'investimentos' também continua frágil (encerrou o ano de 2016 em -10,2%, ante -13,9% em 2015), retraindo do terceiro para o quarto trimestre de 2016 (-1,6% ante -2,6%, ambos com ajuste sazonal)", escreveram os analistas da XP a clientes.

Para eles, com o a baixa atividade econômica, o Banco Central pode se ver em condições de intensificar o ritmo de corte de juros nas próximas reuniões. No breve texto enviado, os especialistas falam em uma redução mais intensa na Selic, de 75 pontos-base para 100 pontos-base já no encontro de abril entre os diretores da autoridade monetária.

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

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