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Dólar na mão do mercado: atuação do BC cria clima de especulação, dizem analistas

Avaliação é que o BC exagerou na atuação e em projetar volume, o que deixa o mercado no controle da taxa de câmbio

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Desde o fim da semana passada, logo após o dólar atingir R$ 3,94, o Banco Central decidiu mostrar sua força no câmbio e elevou a quantidade de swaps ofertados diariamente para acalmar os investidores. Mais do que isso, o presidente da autoridade, Ilan Goldfajn, anunciou que só entre os dias 11 e 15 de junho, seriam pelo menos US$ 20 bilhões injetados. Mas toda esta estratégia, apesar de devolver o dólar para R$ 3,70, começa a gerar críticas e dúvidas sobre o futuro do câmbio.

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o BC errou ao colocar um volume muito alto de swaps em um período tão curto. "O mercado está no controle" afirma ele lembrando ainda que a próxima semana tem Copom (Comitê de Política Monetária), o que deve elevar muito a volatilidade no mercado.

Recentemente os juros futuros dispararam diante da elevação da tensão do mercado e já começam a precificar uma alta de 25 pontos-base na reunião da próxima quarta-feira (20), e uma elevação na casa de 200 pontos-base até o fim do ano. "A grande pergunta é: o que vai fazer a partir de segunda-feira?", questiona Faria reforçando que o BC começa a perder poder após a forte atuação desta semana.

Já Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO, reforça que existe um movimento especulativo por parte dos tomadores de dólar, que são "quem tem o domínio da formação de taxa do câmbio". Segundo ele, o mercado absorverá todas das ofertas que o BC fizer de swaps cambiais sem alterar o viés de alta do preço da moeda.

Diante desta avaliação de que o mercado é que está no comando, além dos riscos que podem aumentar tanto no exterior quanto por aqui, Nehme diz que o preço real e efetivo do dólar no país tem potencial para ficar acima de R$ 4,00 ou mais. Para ele, o ganho é certo quando o BC diminuir sua intervenção, diante da expectativa de que os tomadores provocarão a depreciação do real para realizarem suas lucros com a alta do dólar.

"Enfim, acreditamos que é absolutamente ineficaz a oferta contundente de swaps cambiais pelo BC na atualidade para interferir no preço do dólar, que entendemos estar sob o comando dos tomadores, e assim fica presente movimento especulativo e não mais de busca de proteção", conclui o diretor da NGO.

Já Faria, acrescenta que "a intervenção mais forte do BC poderia ser necessária, mas projetar o volume ofertado em 6 dias [de US$ 20 bi] deu a oportunidade para comprar e reduziu a margem de manobra". Ele lembra que se o BC continuar com esta "ração diária", irá atingir em junho dois terços do total do período comandado por Alexandre Tombini, o que deve deixar a autoridade sem muito espaço para atuar quando as eleições chegarem, e isso pode ser um grande perigo.

Sinais claros

E toda esta análise já começa a ficar cada vez mais clara no mercado. Após a forte queda de 5,5% na sexta-feira passada, o dólar tem registrado alta em algum momento do dia em todos os pregões desta semana, virando para queda apenas quando o BC realiza algum leilão extra de swaps. Um claro sinal de que o mercado só "se acalma" depois que a autoridade intervém.

Além disso, na última quarta, a forte atuação do BC no mercado foi bastante criticada por especialistas. Além do leilão tradicional, a autoridade fez uma atuação extra pouco antes da decisão do Fomc, já prevendo que o dólar iria subir. Porém, ainda depois que o Federal Reserve elevou os juros, o BC entrou de novo com swaps, o que fez a moeda fechar praticamente estável.

Já nesta quinta-feira (14), o sinal de que não há mais força acende ainda mais. No início da tarde, o BC anunciou um leilão de 40 mil contratos de swap, um dos maiores volumes para um único leilão nesta semana. Porém, não houve um grande efeito no mercado: às 13h35 (horário de Brasília), a moeda tinha ganhos de 0,15%, cotada a R$ 3,7191 na venda.

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