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SÃO PAULO – O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, desapontou os investidores nesta segunda-feira (21) em sua primeira conversa com o mercado, ainda antes de sua posse oficial, fazendo com que o dólar comercial disparasse 2%, voltando a superar a marca de R$ 4,00. A moeda norte-americana fechou com fortes ganhos de 1,93%, para R$ 4,0222 na compra e R$ 4,0228 na venda.
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No mercado de DI, os contratos também registraram fortes altas. O contrato para janeiro/2017 terminou com taxa de 16,01%, ante 15,83% no ajuste de sexta-feira. Já o DI janeiro/2018 encerrou o pregão a 16,72%, ante 16,46%. E o DI janeiro/2021 subiu de 16,33% para 16,54%.
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Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, um dos pontos negativos da fala do ministro está quando ele afirma que haverá corte nas despesas do governo, mas sem mexer em gastos com programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. No caso do câmbio, Barbosa negou as informações de que o governo estaria pensando em usar as reservas internacionais do Banco Central para realizar investimentos.
Durante a manhã, a sensação do mercado era que Barbosa teria sua chance de provar ao mercado que havia mudado. Segundo José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o ministro tinha sua chance nesta segunda. “Não acho que é o mesmo Barbosa do passado. Ele idealizou a nova matriz econômica, mas criticou a atuação do governo, saindo do mesmo em 2013 e ingressando no IBRE-FGV. Agora precisa provar que mudou”, afirmou em relatório.
A preocupação com um ajuste fiscal mais frouxo alimentava a alta do dólar desde cedo e dos contratos de juros futuros, com agentes apontando possível relutância do novo ministro em cortar gastos e aumentar impostos. Durante a teleconferência, Barbosa repetiu o compromisso com a meta de superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e defendeu a reforma da Previdência, considerada “crítica”.
Para ele, há um “consenso crescente” sobre a necessidade de inclusão do critério de idade na concessão de aposentadorias. Barbosa disse ainda que o governo quer não apenas mandar uma proposta ao Congresso Nacional, mas efetivamente aprová-la para tornar o sistema previdenciário mais sustentável.
A respeito do câmbio, o novo titular da Fazenda afirmou que a ação do governo visa reduzir a volatilidade, apontando que o câmbio flutuante é melhor para absorver choques.
Ele também defendeu as reservas internacionais do país, hoje na casa de 370 bilhões de dólares, como um seguro contra choques internacionais, avaliando que elas não devem ser usadas para financiar investimentos.
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A escolha de Barbosa, anunciada na sexta-feira, foi entendida como uma clara sinalização de que a presidente Dilma Rousseff pretende promover mudanças na política econômica. Barbosa tem um pensamento mais alinhado ao de Dilma, com maior foco na retomada do crescimento em meio ao agravamento da recessão e da crise política.
Com Reuters