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Lava Jato descobre primeiro esquema de lavagem de dinheiro usando bitcoins em desdobramento da Operação

"Pela primeira vez aparecem operações envolvendo bitcoin. Isso realmente é uma novidade", disse superintendente da Reita Federal

Bitcoin
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A Operação Pão Nosso, deflagrada nesta terça-feira (13) como desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, fez uma descoberta inédita: pela primeira vez a força-tarefa descobriu um esquema de lavagem de dinheiro usando bitcoin. A confirmação da utilização da criptomoeda foi dada pela Receita Federal em coletiva no fim da manhã.

Forma presos nas operação de hoje um delegado e um ex-secretário de Sérgio Cabral (MDB), suspeitos de superfaturar pães para a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Segundo Luiz Henrique Casemiro, superintendente-adjunto da 7ª Região Fiscal da Receita, a percepção é que este foi um teste para driblar os órgãos públicos de controle financeiro. Foram quatro operações, segundo ele, totalizando R$ 300 mil em bitcoins.

Segundo as investigações, os suspeitos teriam desviado, pelo menos, R$ 73 milhões dos cofres públicos com um esquema de superfaturamento e fraude no fornecimento de pão para os presos das cadeias estaduais. Sobre o uso da moeda digital, a força-tarefa explicou que a ideia era receber dinheiro no exterior "usando um instrumento que não é regulado na maioria dos países", através de remessas para fora do país.

"O que nos chamou a atenção com relação a essa operação é que pela primeira vez aparecem operações envolvendo bitcoin. Isso realmente é uma novidade. As pessoas estão tentando sofisticar de alguma forma, talvez tentando voar abaixo do radar da Receita Federal, do Banco Central e do Coaf", disse Casemiro.

A Polícia Federal cumpriu 14 mandados de prisão, sendo 9 temporárias e 5 preventivas na Operação Pão Nosso. De acordo com as investigações, os suspeitos integravam um esquema de superfaturamento e fraude no fornecimento de pão para os presos.

A operação investiga irregularidades no fornecimento de café da manhã e lanche para os detentos, em contrato (não mais vigente) que envolvia o funcionamento de padarias dentro do complexo de Bangu. A a Seap pagava duas vezes pelo pão que era fornecido aos presos.

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