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Ibovespa volta operar em alta após mergulho de 600 pontos com bomba em Nova York

Investidores acompanham de perto as negociações do governo para aprovar a reforma da Previdência

Times Square
(Allen.G / Shutterstock.com)

SÃO PAULO - Depois de mergulhar 600 pontos na última hora após o departamento de polícia de Nova York confirmar uma explosão próxima da Times Square, o Ibovespa se recuperou após cravar mínima em 72.500 pontos e às 12h48 (horário de Brasília) registrava alta de 0,64%, aos 73.200 pontos, com os investidores acompanhando de perto as negociações do governo para aprovar a reforma da Previdência.

Por volta das 11h00 (horário de Brasília), o índice perdeu força e iniciou um processo de correção mais forte às 11h30 com a confirmação do departamento de polícia de Nova York de uma explosão próxima da Times Square, em Manhattan, que foi considerada pelo prefeito da cidade, Bill de Blasio, como uma tentativa de ataque terrorista. Porém, com a abertura em alta das bolsas dos EUA às 12h30, esse sentimento negativo foi revertido e o mercado voltou operar no campo positivo.

O incidente foi registrado no cruzamento da Rua 42 com a 8ª Avenida, onde está o Port Authority, considerado um dos maiores terminais rodoviários do mundo. Por conta disso, as linhas A, C e E do metrô foram esvaziadas e a circulação suspensa. Segundo as informações, foram registrados 4 feridos até o momento, incluindo o suspeito, que está sob custódia e em situação grave. De acordo com as autoridades, a bomba utilizada era de fabricação caseira e teria sido detonada antes da hora programada, o que explica os ferimentos graves do terrorista.

Segundo informações da imprensa dos EUA, o terrorista, que carregava seus explosivos amarrados ao corpo, tem 27 anos e nasceu em Bangladesh. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, chamou a tentativa de ataque de "assustadora e perturbadora".

Reforma da Previdência
Oficializado como presidente do PSDB pelo placar de 470 votos a 3, Alckmin vai convocar uma reunião na próxima semana para definir o posicionamento do partido na votação da reforma da Previdência e se diz favorável ao fechamento de questão: “minha posição pessoal é pelo fechamento de questão, mas essa não é uma decisão só da executiva do partido. É também da bancada. Acho que o caminho agora é o caminho do convencimento”, afirmou o governador de São Paulo. Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco, o apoio de Alckmin marca o reencontro do partido com sua história e tradição.

Segundo as contas do líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli, atualmente 25 dos 46 deputados tucanos estão "fechados" com a reforma da Previdência, sendo que a maior resistência é da ala mais jovem do PSDB, conhecidos como "cabeças pretas". Por isso, o fechamento de questão seria uma sinalização importante, pois, além dos votos adicionais, teria um efeito positivo sobre os demais partidos, que não querem assumir esse risco político sem a certeza da vitória.

Mesmo que o partido de Alckmin consiga fechar questão em torno da matéria, será preciso observar se tal movimento será suficiente para gerar o clima necessário para a aprovação da proposta de emenda constitucional. A impopularidade das medidas e a proximidade das eleições gerais de 2018 são uma combinação dramática para o governo, pois nem mesmo o fechamento de questão evitará uma debandada dos votos da base aliada.

Na prática, a janela de transferência partidária, aberta até abril do ano que vem, joga contra qualquer efeito mais duro provocado pelo fechamento de questão. Como se não bastasse, não é incomum na vida política brasileira que a infidelidade em casos de fechamento de questão seja sumariamente ignorada e os parlamentares que votaram contra a medida continuem nas legendas como se nada tivesse acontecido - confira a análise completa.

Além disso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou hoje pela manhã que não será fácil aprovar a reforma da Previdência na semana que vem: "com tempo curto, temos de trabalhar dobrado", afirmou. Apesar disso, no sábado (9), Maia afirmou que a reforma vai começar a ser debatida no plenário na quinta-feira (14), assim como está mantida a previsão de começar a votar a matéria na próxima segunda-feira (18).

Agenda de indicadores
Na agenda doméstica da semana,  destaque para a ata do Copom, na terça-feira (12) às 8h (horário de Brasília), após o Comitê ter reduzido a Selic para a mínima histórica, em 7% ao ano, e ainda deixar espaço para cortar ainda mais os juros em 2018. A questão é que, segundo o comunicado, o Banco Central deixou este movimento atrelado ao resultado da Previdência.

A semana também conta com os últimos indicadores de peso sobre a atividade econômica de outubro, com vendas no varejo, dado de serviços e o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e que ainda não tem data confirmada para se apresentado, lembrando que o mercado tem elevado gradativamente as projeções de crescimento da economia. No mercado, o apetite pelas ações brasileira volta a ter um importante teste nos próximos dias com a precificação de três IPOs (Oferta Pública Inicial): BR Distribuidora, Neoenergia e BK ( dona do Burger King no Brasil).

No exterior, atenção especial para os Estados Unidos, onde ocorre a reunião do Fomc na quarta, com grande expectativa de alta de juros no país, deixando o comunicado como foco de atenção dos investidores, além do discurso da presidente Janet Yellen. Outro destaque é o pacote tributário de Donald Trump, que tem guiado o humor dos investidores nos últimos dias. Entre indicadores, após relatório de emprego desta sexta-feira, os destaques da próxima semana ficam para os dados de inflação do PPI e CPI.

A China também continua nos holofotes com dados de produção industrial e vendas no varejo na quinta-feira (14), além de inflação na sexta-feira (15). Na Zona do Euro, destaque para a reunião de política monetária do BCE na quarta-feira (13), seguido pela fala de Mario Draghi, enquanto no Japão ocorre no mesmo dia a reunião do Bank of Japan, com o discurso do presidente do BC, Haruhiko Kuroda. 

Bolsas mundiais
As bolsas europeias reduziram os ganhos com o incidente em Nova York, como também à espera das reuniões do Federal Reserve e do BCE que ocorrerão nos próximos dias. Já as bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada nesta segunda-feira, na esteira de dados positivos do mercado de trabalho dos EUA, em meio à estreia de negociações dos contratos futuros de Bitcoin na CBOE Global Markets. Pela manhã, a criptomoeda registrava alta de 10%, cotada a US$ 16.500.

Na China, o índice acionário subiu 1% impulsionado pelas ações ligadas a fabricantes de equipamentos de processamento de dados, após o presidente Xi Jinping defender o fortalecimento da estratégia para o setor com o intuito de construir uma “China digital”.  

No mercado de commodities, o petróleo sobe com as explosões em Nova York e após a Arábia Saudita anunciar que vai manter em janeiro suas exportações em níveis baixos, como parte de seu compromisso com um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo para controlar a oferta.

Às 12h48, este era o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,49%

*S&P 500 (EUA) +0,08%

*Nasdaq (EUA) +0,16%

*CAC-40 (França) -0,04%

*FTSE (Reino Unido) +0,64%

*DAX (Alemanha) -0,10% 

*Hang Seng (Hong Kong) +1,14% (fechado)

*Xangai (China) +0,98% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,56% (fechado)

*Petróleo WTI +0,28%, a US$ 57,52 o barril

*Petróleo brent +0,47%, a US$ 63,70 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,50%, a 495,5 iuanes

*Bitcoin +10,89%, a R$ 55.500 (confira a cotação da moeda em tempo real)

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