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De alta de 10% até queda de 13%: a reação do mercado para 19 empresas que publicaram resultado hoje

Setor de construção decepciona e varejistas mais uma vez demonstram sua força

SÃO PAULO - Assim como na quinta-feira (10), quando foram publicados diversos balanços, a sexta-feira (11) foi marcada por uma enxurrada de resultados do segundo trimestre deste ano, o que certamente deixou muitos investidores perdidos nesta sessão.

Para facilitar a sua vida, o InfoMoney compilou as análises feitas hoje pelas equipes de Itaú BBA, Bradesco, Safra, BTG Pactual, Santander e BofA (Bank of America Merrill Lynch) com 19 empresas que publicaram seus números, destacando os balanços que surpreenderam positivamente e quais decepcionaram estes analistas, assim como a reação do mercado após os números. Confira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,51, -0,81%; PETR4, R$ 12,95, -1,82%)
A empresa encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 316 milhões, enquanto os analistas de mercado esperavam por R$ 1,186 bilhão. A receita recuou 6% frente ao mesmo período do ano passado, enquanto o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado amargou queda 6,6% na mesma base de comparação, em vista do resultado mais fraco no segmento de Refino e Distribuição, avaliam os analistas do BTG.

Apesar do lucro decepcionante, os analistas do Itaú BBA avaliaram que os números da estatal foram positivos em geral, com destaque para os esforços da empresa em reduzir custos, fator que também foi elogiado pelos analistas do BofA. Porém, o time do banco norte-americano destaca que o fluxo de caixa livre da estatal foi fraco e chamam a atenção para o preço atual do petróleo, que segue na faixa de US$ 50 por barril e pressiona as receitas da empresa.

BRF (BRFS3, R$ 41,05, +5,26%)
A exportadora reportou prejuízo líquido de R$ 167,3 milhões no segundo trimestre de 2017, revertendo, portanto, o lucro de R$ 31 milhões apresentado no mesmo período do ano passado. O Ebitda ficou em linha com o esperado pelo mercado e as vendas 6% aquém do esperado, impactadas, segundo os analistas do BTG, pela queda do dólar nas receitas de exportações e o efeito negativo da Operação Carne Fraca no preço médio doméstico.

Porém, comparado aos últimos resultados, quando a empresa reportou números que definitivamente não agradaram o mercado, neste segundo trimestre a companhia conseguiu apresentar melhores números e isso animou os analistas do BTG: "vemos sinais claros de recuperação e achamos que o 'turning point' está muito próximo. A alavancagem da empresa pode ser uma preocupação, mas acreditamos que, em breve, veremos a margem Ebitda normalizada", destacou o banco de investimento, que reforçou a recomendação de compra para a ação.

Lojas Americanas (LAME4, R$ 15,82, +3,74%)
A varejista apresentou bons números no segundo trimestre apesar da base de comparação mais forte do ano passado por conta das vendas de Páscoa. Os analistas do BTG elogiaram a manutenção das margens operacionais, enquanto o time do Itaú BBA destaca os esforços da empresa para entregar menores custos gerais, fator que compensou a "tradicional" queima de caixa com B2W (BTOW3), que desta vez surpreendeu o mercado.

B2W (BTOW3, R$ 14,07, +9,92%)
O braço de e-commerce da Lojas Americanas surpreendeu com uma queima de caixa significativamente inferior no segundo trimestre: R$ 348 milhões versus R$ 1,1 bilhão nos primeiros três meses do ano. Segundo os analistas do BTG, esse resultado indica que o foco ao longo dos próximos trimestres deve ser a melhora de rentabilidade e, caso isso persista, a companhia dará um passo muito importante "para a auto-sustentabilidade", projeta o Itaú BBA.

Marisa (AMAR3, R$ 6,27, -7,11%)
Destoando de outras varejistas, a rede de departamento supreendeu negativamente o mercado com uma queda de 13,4% nas "vendas mesmas lojas" frente ao segundo trimestre do ano passado e prejuízo maior do que o esperado. Assim, o time do BTG ainda espera por sinais mais claros de recuperação para retirar a recomendação de venda para as ações.

Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 18,37, 0,00%)
Empresa reportou resultado acima do esperado pelo mercado, superando o efeito negativo da queda do dólar nas receitas de exportação e beneficiada pelas operações América do Sul, que apresentaram crescimento em todos os segmentos, destacaram os analistas do BTG. O nível de alavancagem, que é uma das grandes preocupações do mercado, ficou estável no trimestre e foi elogiada pelo time do Itaú BBA. Por conta dos números, o BTG pretender revisar para cima as projeções da empresa.

Mahle Metal Leve (LEVE3, R$ 18,28, +3,86%)
A fabricante de autopeças registrou lucro líquido de R$ 57 milhões no segundo trimestre de 2017, incremento de 32,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, mas em linha com o esperado pelos analistas do Itaú, que não esperam uma forte reação dos papéis.

Kroton (KRTO3, R$ 16,01, +5,33%)
A Kroton registrou lucro líquido de R$ 547 milhões no segundo trimestre de 2017, avanço de 5,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, o resultado foi de R$ 1,04 bilhão, queda de 7% na comparação anual.

Light (LIGT3, R$ 20,99, -4,37%)
Com prejuízo ajustado de R$ 51,1 milhões, o resultado da empresa de energia elétrica foi bastante impactado pelo aumento de despesas, principalmente com gastos para evitar roubo de energia, e a queda de 4,3% do volume de energia faturado frente ao segundo trimestre do ano passado. Por tudo isso, o Ebitda ajustado ficou 48% abaixo da expectativa do BTG, que vê ainda muitos desafios para a empresa nos próximos trimestres com relação ao controle de despesas.

Copel (CPLE6, R$ 26,50, +4,95%)
Para o Itaú, o destaque dos resultados foram os números operacionais, que foram fortes em todos os setores e culminaram em um Ebitda 29% acima da expectativa. Um dos itens que impulsionaram o número foi a queda das despesas de energia, que ficaram 35% menores do que o esperado.

Eletrobras (ELET3, R$ 13,73, +0,59%; ELET6, R$ 17,72, +2,43%)
A empresa reportou lucro líquido ajustado de R$ 162 milhões, revertendo resultado negativo de R$ 157 milhões do ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 83% sobre o segundo trimestre de 2016. O Safra espera reação neutra aos números, apontando que os principais catalisadores são privatização de ativos de geração, programa de economia de custos e plano de desinvestimento.

Cyrela (CYRE3, R$ 12,34, +2,41%)
Resultado não agradou BTG e Itaú, que destacam as margens operacionais pressionadas pelo aumento do cancelamentos de vendas, descontos oferecidos e crescimento das provisões. Outro ponto que chamou a atenção do lado negativo foi a geração de caixa, que atingou R$ 64 milhões e ficou 20% abaixo da expectativa do BTG. Mesmo assim, os analistas seguem com recomendação de compra, pela empresa estar melhor posicionada para "surfar" uma melhora do segmento de média/alta renda.

Gafisa (GFSA3, R$ 11,53, -7,09%) 
O aumento do cancelamento de vendas e as "pesadas contingências" prejudicaram a construtora no segundo trimestre, destacam Itaú e BTG. Esses fatores, combinados com uma fraca linha de receita, resultaram em um prejuízo de R$ 171 milhões, enquanto os analistas de mercado esperavam R$ 56 milhões.

EzTec (EZTC3, R$ 20,60, +0,64%) 
Na visão do BTG, o fraco resultado financeiro no segundo trimestre explica o lucro líquido por ação 21% menor que o esperado pelo banco de investimento.

Direcional (DIRR3, R$ 5,60, 0,00%)
Tanto para o BTG, como para o Itaú, os números da construtora foram fracos no segundo trimestre. Para o time do BTG, a dificuldade em diluir os custos fixos e a queda da receita líquida guiaram o resultado aquém do esperado.

Tecnisa (TCSA3, R$ 2,29, -1,29%)
A combinação de fracas receitas, margem bruta negativa e perdas com vendas de terrenos explica o prejuízo líquido acima do esperado no segundo trimestre, aponta o BTG. Neste sentido, o time do Bradesco não vê grandes mudanças para os próximos resultados e segue cauteloso com a empresa.

Helbor (HBOR3, R$ 2,16, -2,26%)
Assim como seus pares, a empresa apresentou resultado abaixo do esperado, com receita líquida 44% abaixo da projeção do BTG e queda de 82% da margem bruta frente ao segundo trimestre do ano passado. Por conta disso, o fluxo de caixa da empresa foi de R$ 26 milhões, 13% abaixo do esperado pelo banco de investimento e essa tendência deve ser repetida enquanto a construtora seguir sofrento com o aumento de cancelamentos de contrato.

Tenda (TEND3, R$ 15,06, -1,44%)
Na visão do Itaú, os resultados foram em linha com o esperado e o grande destaque ficou por conta da forte geração de caixa de R$ 63 milhões. No primeiro balanço após concluir o processo de cisão da Gafisa, a Tenda mostrou uma forte evolução do lucro, revelam os analistas. Essa melhora provém do crescimento das vendas líquidas, com ampliação da receita.

Fertilizantes Heringer (FHER3, R$ 2,80, -12,77%)
Com menor volume de receita e queda de rentabilidade nas principais linhas do resultado, a fabricante de fertilizantes decepcionou o mercado. Prova disso, a margem bruta recuou de 7,6% no segundo trimestre do ano passado para 5,2%, mas o destaque negativo ficou por conta da dívida líquida/Ebitda (múltiplo de endividamento), aponta o Itaú, que saltou de 4,7x para 5,4x em um ano.

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