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Ibovespa sobe e supera 63 mil pontos de olho no TSE e antes de "super quinta" no exterior

Índice tem leve queda com o mercado ainda apreensivo sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer

SÃO PAULO - Mesmo com um cenário tenso na política doméstica e no exterior, e com a forte queda do petróleo, o Ibovespa conseguiu voltar a subir nesta quarta-feira (7), recuperando o patamar de 63 mil pontos. Por aqui, atenções voltadas para o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, enquanto no exterior, a reunião do BCE, a eleição no Reino Unido e o depoimento do ex-diretor do FBI no Senado dos EUA chamam atenção.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com ganhos de 0,34%, aos 63.170 pontos, após chegar a subir 1,08% na máxima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 6,582 bilhões. Nos bastidores, aumentam os rumores de que Dilma e Temer serão absolvidos no TSE, que segue nesta quinta-feira às 9h (horário de Brasília).

Os investidores também se preparam para a chamada "super quinta", com eventos importantes espalhados pelo mundo. Os três principais são o depoimento de James Comey, ex-diretor do FBI, no Senado do EUA, em que ele pode implicar o presidente Donald Trump em um escândalo de obstrução de Justiça. Na Europa, a reunião do BCE e as eleições parlamentares no Reino Unido também vão deixar os mercados agitados.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,13%, cotado a R$ 3,721 na venda, ao passo que os contratos futuros de dólar com vencimento em junho recuaram 0,17%, para R$ 3,291. Já os juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 subiram 1 ponto-base, para 9,31%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2021 avançou 3 pontos-base, a 1,45%.

Segundo apontam os jornais, tanto PMDB quanto PT apostam em um placar entre 5x2 e 4x3 favorável à absolvição da chapa Dilma-Temer no TSE. Além disso, aliados do governo estão articulando um "parlamentarismo branco" para manter Temer no poder, colocando o ministro Henrique Meirelles como "primeiro-ministro". A notícia é bem recebida pelo mercado, uma vez que sugere que o pior da crise política já passou.

Ainda no campo político, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou no final da tarde de terça-feira o relatório da reforma trabalhista por 14 votos a favor e 11 votos contrários, placar exatamente como previsto pelos governistas. A vitória foi considerada apertada, mas demonstrou um avanço sobre o tema, o que também anima os mercados.

Destaques corporativos
Na ponta positiva do mercado, o destaque ficou por conta das ações da Smiles (SMLE3), que apesar de perderem força após chegarem a subir 7,55%, com o anúncio da operadora de programas de um plano de reorganização societária, por meio da qual a companhia, controlada pela Gol, será incorporada pela Webjet.

Do outro lado, os papéis da Natura (NATU3) foram destaque de queda após os analistas de UBS reduzirem a recomendação para a empresa de neutra para venda, com preço-alvo de R$ 28,00, o que representa um downside de 12% frente a cotação atual. Já a Petrobras liderou as perdas, caindo mais de 2% com a derrocada de quase 5% do petróleo no exterior.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 17,19 +3,80 +10,69 45,39M
 KROT3 KROTON ON 14,49 +3,65 +10,22 131,97M
 RAIL3 RUMO S.A. ON 8,03 +3,21 +30,78 80,38M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 70,70 +3,21 +29,13 57,83M
 RENT3 LOCALIZA ON 44,56 +2,20 +37,36 49,71M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 7,70 -2,53 -32,24 171,01M
 PETR4 PETROBRAS PN 12,87 -2,35 -13,45 572,43M
 PETR3 PETROBRAS ON 13,68 -2,22 -19,24 104,76M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 15,24 -2,06 +10,20 61,51M
 CSNA3 SID NACIONALON 6,47 -1,97 -40,37 32,97M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,87 -2,35 572,43M 670,57M 36.366 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 36,60 +1,64 379,74M 569,77M 21.865 
 VALE5 VALE PNA 25,00 -0,32 359,12M 603,24M 20.924 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,84 -1,21 233,55M 306,59M 30.849 
 BBAS3 BRASIL ON 28,73 +1,20 211,53M 284,78M 14.736 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 27,75 +1,61 183,67M 340,11M 15.754 
 JBSS3 JBS ON 7,70 -2,53 171,01M 231,92M 45.673 
 VALE3 VALE ON 26,45 -0,49 156,69M 154,22M 14.277 
 BBSE3 BBSEGURIDADEON 29,73 -0,90 151,49M 121,00M 15.310 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 18,76 +1,13 138,48M 213,69M 15.308 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

TSE e radar político
O julgamento da chapa Dilma-Temer foi iniciado na noite de terça-feira (6), quando, por unanimidade, os ministros rejeitaram questões preliminares que impediriam o prosseguimento da ação e o julgamento do mérito da cassação, que não foi analisado na última sessão. Após o voto do relator, ministro Herman Benjamin, deverão votar os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira, Rosa Weber, Luiz Fux, e o presidente do tribunal, Gilmar Mendes. Um pedido de vista para suspender o julgamento não está descartado.

Vale destacar que, na véspera, Gilmar Mender indicou que seu voto no TSE será favorável ao governo ao dizer que existe uma situação singular, que não deve se tornar "comezinha", que é a impugnação de uma chapa presidencial, num grau de instabilidade que precisa ser devidamente considerado. De acordo com jornais como Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, PMDB e PT esperam absolvição da chapa Dilma-Temer por 5 votos a 2. O jornal Valor Econômico ainda destaca que, independentemente do resultado do TSE, líderes dos principais partidos da base aliada articulam uma espécie de "parlamentarismo branco" como saída para preservar as reformas e manutenção do presidente no Planalto. 

Ainda sobre Temer, a defesa do presidente terá até sexta-feira para responder às 82 perguntas feitas pela Polícia Federal no inquérito que investiga o presidente por suspeitas de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. A data final era ontem, mas a defesa entrou mais cedo com pedido ao Supremo pela ampliação do prazo até o fim da semana. Pela decisão do ministro Edson Fachin, Temer terá agora até às 17h da próxima sexta-feira (9) para responder às perguntas.

Reforma trabalhista e aéreas
O documento da reforma trabalhista recomenda a estratégia de avançar com o texto no Senado sem alterar o projeto aprovado na Câmara - o que exigiria aprovação dos deputados e atrasaria a tramitação. Para incluir as alterações sugeridas pelos senadores, o parecer sugere ajustes com veto presidencial e edição de eventuais medidas provisórias.

Entre as alterações, o relator da reforma trabalhista na CAE, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), sugere veto à regra que prevê o contrato intermitente e pede edição de uma medida provisória com salvaguardas ao trabalhador e regulamentação de setores que poderão usar esse tipo de contrato. Sobre o trabalho insalubre, o relatório pede veto à mudança que permitiria trabalho de gestantes e lactantes de locais com insalubridade "moderada" ou "mínima".

Já na Câmara dos Deputados, sem acordo, a votação do projeto de lei das aéreas ficou para hoje. O projeto de lei 7425/17 permite o controle acionário das companhias aéreas brasileiras pelo capital estrangeiro e é de autoria do Poder Executivo. O projeto tranca a pauta da Câmara por tramitar com urgência constitucional.

(Com Reuters, Bloomberg, Agência Estado e Agência Brasil)

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