Por Lara Rizério Em mercados / acoes-e-indices  21 abr, 2017 10h42 - Atualizada em 17h14

Índice Brazil Titans 20 fecha em leve queda de olho em França e petróleo; veja desempenho dos principais ADRs

Sessão desta sexta-feira na NYSE foi marcada por cautela, após chegar a esboçar ânimo com fala de Trump 

Por Lara Rizério Em mercados / acoes-e-indices  21 abr, 2017 17h14

SÃO PAULO - Em dia sem negociações na B3 por conta do feriado de Tiradentes, os investidores acompanharam com atenção a movimentação dos mercados internacionais e o desempenho dos papéis de empresas brasileiras negociados nas principais bolsas do mundo.

Nesta sexta-feira (21), os ADRs (American Depositary Receipts) das companhias brasileiras negociados em Nova York operaram entre leves perdas e ganhos em um dia em que a cautela imperou no mercado às vésperas da eleição na França e após uma sessão de forte queda do petróleo, que teve a sua pior semana em um mês. Com isso, o índice Brazil Titans 20 fechou em queda de 0,24%, a 20.187 pontos. 

Após uma manhã praticamente estável, o petróleo fechou baixa superior a 2% nesta sessão, com o WTI abaixo de US$ 50,00 em meio às dúvidas sobre se o corte de produção planejado pela Opep irá equilibrar o mercado em meio ao excesso de oferta. O WTI caía 2,27%, a US$ 49,56, enquanto o brent teve baixa de 2,02%. a US$ 51,92.  

Mesmo em uma sessão de queda para o petróleo, os ativos PBR, que correspondem às ações ordinárias, fecharam em leve alta de 0,06%, a US$ 9,01, mesma variação dos ativos PBR.A, correspondentes aos papéis preferenciais, a US$ 8,74. Vale destacar que a Petrobras decidiu aumentar o preço do diesel nas refinarias em 4,3% e o da gasolina em 2,2%, em média, a partir desta sexta-feira. "

No cenário internacional, as bolsas americanas tiveram queda,após esboçarem algum ânimo com a fala do presidente Donald Trump, que prometeu para a semana que vem o anúncio de reforma tributária, sinalizando para um corte de impostos "nunca visto". 

No mercado de commodities, o minério de ferro negociado com 62% de pureza no porto chinês de Qingdao fechou em alta de 4,38%, a US$ 68,22 a tonelada, enquanto o contrato futuro negociado em Dalian teve alta mais modesta, de 0,80%, a 506 iuanes. Após chegar a subir 1%, os ADRs da Vale fechou com ganhos mais modestos, de 0,51%. 

O  índice também ficou de olho nas eleições presidenciais da França, com o primeiro turno ocorrendo no próximo domingo. O alerta com as eleições por lá se acendeu após um terrorista matar um policial na Champs-Elysées e criar uma sombra sobre o último dia de uma campanha imprevisível. Com o primeiro turno da eleição de duas etapas marcado para acontecer no domingo, o centrista Emmanuel Macron ainda mantém sua posição como favorito na acirrada corrida.

Na Europa, o Índice francês CAC caiu 0,4 por cento. O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,04 por cento, a 1.484 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,02 por cento, a 378 pontos. 

Confira o desempenho dos principais ADRs nesta sexta-feira:

Empresa ADR Variação Preço
CSN SID -1,28% US$ 2,31
Bradesco BBD +0,46% US$ 9,84
Santander BSBR -1,01% US$ 7,88
Itaú Unibanco ITUB -0,21% US$ 11,86
BRF BRFS -0,74% US$ 12,72
Ultrapar UGP -0,23% US$ 22,12
Sabesp SBS -1,03% US$ 9,61
Pão de Açúcar CBD -0,96% US$ 20,19
Gafisa GFA -0,48% US$ 16,63
Fibria FBR -0,22% US$ 8,93
Copel ELP -1,98% US$ 9,43
Ambev ABEV +0,27% US$ 5,64
Telefônica Brasil VIV -0,50% US$ 14,88
TIM Participações TSU -0,33% US$ 16,40
Embraer ERJ -1,16% US$ 19,68
Cemig CIG -1,52% US$ 2,92
Petrobras PBR.A +0,06% US$ 8,74
Vale VALE +0,51% US$ 8,86
Petrobras PBR +0,067% US$ 9,01
Gerdau GGB +0,67% US$ 3,01

FMI e noticiário nacional
Mesmo com o feriado, o noticiário sobre reforma da Previdência segue no radar. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, apesar da pressão do governo, partidos da base aliada resistem em fechar questão a favor da Reforma da Previdência. Por enquanto, apenas lideranças do PMDB e PP afirmaram que devem adotar a medida para garantir os votos necessários para aprovar a proposta na Câmara. O jornal ouviu líderes e dirigentes de 15 partidos da base, que somam quase 400 deputados. 

Desta forma, a Folha de S. Paulo destacou em reportagem que, diante da resistência de parlamentares aliados, o governo passou a admitir que pode adiar a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara, inicialmente prevista para a segunda semana de maio. Líderes e articuladores da base de Michel Temer no Congresso reconhecem que precisarão de mais tempo para convencer a população e os deputados a apoiar o novo texto do projeto, apresentado na última quarta-feira (19) na comissão especial da reforma. 

Em evento, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) apontou já admitir adiar a votação inicialmente prevista para o dia 8 de maio. "Se possível vamos votar a matéria no dia 8 de maio, se não for possível, a partir do dia 15", disse ele nesta sexta-feira em Foz do Iguaçu, onde participa do 16º Fórum Empresarial organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

Vale destacar ainda a fala do FMI, que apontou que a reforma da Previdência é "imperativa" para o Brasil e que avaliará o impacto do enfraquecimento do texto. 

Atenção ainda para os desdobramentos da Operação Lava Jato. Na última quinta-feira, o ministro Antônio Palocci foi ouvido pelo juiz Sérgio Moro e fez uma oferta ao magistrado:  entregar informações "que vão ser certamente do interesse da Lava Jato" (veja mais clicando aqui).  Segundo a Folha, com a fala ao juiz, Palocci enviou um recado. Ao dizer que está à disposição para falar com o magistrado, no dia em que ele quiser, sinalizou que enfrenta problemas para fechar o acordo de colaboração com os investigadores e busca por uma intervenção de Moro na negociação. Isso mudou a interrogação que paira no mercado financeiro de “será que Palocci vai falar?” para “quanto ele vai contar?”, aponta a publicação. 

Já o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, disse em depoimento a Moro também na quinta que foi orientado pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva a destruir provas que pudessem ajudar nas investigações da Operação Lava Jato.  Também no depoimento, o empresário afirmou que o tríplex do Condomínio do Edifício Solaris, em Guarujá (SP), "era de Lula". “O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou. Quando questionado pela defesa do petista sobre a chave do imóvel, ele respondeu: "Não existia a chave, porque não existia o andar feito".

(Com Reuters e Agência Estado)

 

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