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Balanço da Lojas Renner decepciona, Gerdau é rebaixada e outras 3 recomendações; confira 15 notícias

Confira os principais destaques corporativos desta terça-feira

Lojas Renner Varejo
(Divulgação Lojas Renner)

SÃO PAULO - A agenda corporativa é movimentada nesta terça, com o mercado de olho nos números do 3° trimestre da Lojas Renner, que decepcionou o mercado; o anúncio de que a família Gonçalves deixou o bloco de controle da Hypermarcas; a venda líquida negativa da Eztec no 3° trimestre, além da votação do pré-sal na Câmara, aprovação de crédito suplementar para a Petrobras e 4 recomendações.

Confira abaixo os principais destaques corporativos desta terça-feira:

Lojas Renner
A Lojas Renner (LREN3) fechou o terceiro trimestre com queda de 3,9% nas vendas no conceito mesmas lojas em relação ao mesmo período de 2015, primeiro recuo anual desde 2009, afetada pelo ambiente econômico ainda desafiador no país, mas também baixas temperaturas e atualização de sistema. No terceiro trimestre de 2015, houve alta de 12,6%. O desempenho foi pior do que estimativas de seis analistas de corretoras e bancos compiladas pela Reuters, que variavam de acréscimo de 0,9% a queda de 2%. 

O lucro líquido caiu 11,5% na base anual, para R$ 84,9 milhões, contra expectativas de R$ 105,9 milhões, afetado pela baixa contábil de ativos por atualização de sistemas de tecnologia e equipamentos do antigo centro de distribuição de Santa Catarina. Excluído esse impacto, o lucro teria atingido R$ 92,3 milhões. Já a receita líquida das vendas com mercadorias da varejista de vestuário subiu 1% ano a ano, a R$ 1,26 bilhão.

"Foi um trimestre atípico", disse à Reuters o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Laurence Gomes, afirmando que uma combinação de fatores externos à companhia com questões internas afetaram as vendas. Segundo ele, as vendas foram prejudicadas pelo ambiente econômico, com menor fluxo de pessoas em shopping centers, onde estão a grande maioria das lojas da rede, com agosto, pior mês do trimestre, afetado pelas Olimpíadas do Rio de Janeiro.  

De acordo com o Itaú BBA, os resultados serão percebidos como “ligeiramente negativos”, porque fornecem evidências de melhora nas tendências de financiamento ao consumo, mas incluem uma frustração no varejo impulsionada pela receita mais branda. O BTG Pactual também aponta o balanço como fraco e a expectativa é de uma reação negativa, mas o banco mantém a Renner como a top pick do setor. 

Petrobras
Em destaque no noticiário, esteve a votação do pré-sal na Câmara dos Deputados. A Casa 
rejeitou na noite de segunda-feira três destaques apresentados pela oposição ao projeto de lei que desobriga a Petrobras (PETR3;PETR4) de ser operadora exclusiva na exploração de petróleo sob regime de partilha no pré-sal, mas não concluiu a votação da proposta. 

Entre as emendas rejeitadas pelos deputados ao texto principal está uma que pretendia manter a Petrobras como operadora exclusiva em blocos de exploração com potencial de recuperação de óleo acima de 500 milhões de barris e que também condicionava a vigência da futura lei ao resultado de um referendo popular sobre o tema. A oposição obstruiu os trabalhos por ser contra a retirada da exclusividade da Petrobras dos blocos de exploração do pré-sal. De acordo com a Agência Câmara Notícias, ainda falta a análise pelos deputados de um destaque, ainda sem data definida. O texto-base da proposta que altera as regras de exploração do pré-sal foi aprovado pelos deputados no início de outubro. Como o projeto teve origem no Senado, ele irá à sanção presidencial caso as emendas que buscam alterar o texto sejam rejeitadas na totalidade.

Ainda no noticiário da estatal, o governo abriu crédito suplementar de R$ 577,4 milhões para a Petrobras. O crédito foi aberto em favor da Petrobras e Petrobras Netherlands-PNBV, segundo portaria do Ministério do Planejamento assinada pelo ministro interino Dyogo Oliveira. Os recursos são oriundos de anulação parcial de dotações orçamentárias, segundo portaria. Os recursos suplementares são voltados para projetos como modernização e adequação do sistema de produção da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), desenvolvimento dos sistemas de produção em bacias do Nordeste e Sudeste, além de ampliação da capacidade de processamento de gás natural no Terminal de Cabiúnas (RJ). Os créditos suplementares para a Petrobras Netherlands estão voltados à construção de unidades estacionárias de produção III.

Hypermarcas 
A fabricante de medicamentos Hypermarcas (HYPE3) informou na segunda-feira que Marcelo Henrique Limírio Gonçalves, Cleonice Barbosa Limírio Gonçalves, Marcelo Henrique Limírio Gonçalves Filho e Luana Barbosa Limírio Gonçalves de Sant'Anna Braga confirmaram a desvinculação de suas ações (em um total de 35 milhões de ações ordinárias) do acordo de acionistas celebrado em 23 de junho de 2010. Com isso, a família Gonçalves deixa o bloco de controle da companhia e o acordo de acionistas foi editado para refletir a desvinculação.

Com isso, Marcelo Henrique Limírio Gonçalves e Marcelo Henrique Limírio Gonçalves Filho renunciaram aos seus cargos de membros do conselho de administração da empresa. Em substituição, foi nomeada pelo presidente do conselho Maria Carolina Ferreira Lacerda como nova conselheira independente. 

Multiplan
O Itaú BBA destacou que a Multiplan (MULT3) tem melhor posição para ir às compras. As fusões e aquisições podem se tornar uma fonte de crescimento para os shoppings no curto prazo e Multiplan está na melhor posição para adquirir ativos em razão do balanço menos alavancado, segundo relatório do Itaú BBA. A Multiplan tem poder de fogo de R$ 2,5 bilhões para investir em aquisições durante 2017.

“A companhia tem as melhores oportunidades para comprar participações detidas por fundos de pensão em seu próprio portfólio, incluindo participações em ativos-chave, como Morumbi Shopping, Barra Shopping e BH Shopping”. BR Malls e Iguatemi precisam, provavelmente, se desalavancar mais antes de se envolverem em atividades de fusões e aquisições. Banco mantém Multiplan e BR Malls como “top picks” no setor. Entre os potenciais alvos de M&A, players não listados em bolsa representam 66% da área locável bruta total do país, considerando dados da Abrasce e da Bloomberg. O banco cita 11 ativos de 5 grupos não listados que podem ser alvos de M&A: Shopping da Ilha (Sá Cavalcante), Rio Poty Shopping (Sá Cavalcante), Shopping Metrópole Ananindeua (Sá Cavalcante), Garten Shopping (Almeida Junior) e Partage Shopping São Gonçalo (Partage).

Frigoríficos
O Bradesco BBI iniciou cobertura de renda fixa de Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3) com recomendação outperform e BRF (BRFS3) com recomendação neutra, segundo relatório de Gustavo Gregori.

“Estamos iniciando a cobertura do setor de proteína brasileira com uma visão positiva e uma preferência para a carne em relação a aves, pois pensamos que o mercado está subestimando os impactos positivos das melhorias no ciclo da pecuária brasileira”. Para Marfrig e Minerva, “vemos melhorias no ciclo do gado compensando ventos contrários de um real apreciado”. Para BRF, “esperamos que os custos mais elevados dos grãos continuem pesando sobre suas margens”.

Gerdau
O Scotia Bank rebaixou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) para sector underperform.  

Eztec
As vendas líquidas da Eztec (EZTC3) ficaram negativas em R$ 17,7 milhões no terceiro trimestre, segundo dados operacionais divulgados na noite de segunda. Foi a primeira vez da sua história que isso ocorreu. Não houve lançamentos no trimestre. No mesmo período do ano passado, a construtora vendeu R$ 38 milhões. 

O Itaú BBA espera reação negativa. As vendas contratadas caíram para território negativo pela primeira vez na história da empresa devido ao “pesado cancelamento de vendas, especialmente de unidades em construção, frustrando nossa projeção de R$ 12 milhões”, afirmam os analistas.

Paraná Banco
Os controladores do Paraná Banco (PRBC4) e a Cox Gestão de Recursos, que representa “certos acionistas minoritários” acertaram compromisso de compra e venda no qual os controladores “comprometem-se a adquirir, do vendedor, ações preferenciais de emissão da companhia, representativas de 10,71% de seu capital social”, segundo comunicado.

“Caso a transação venha a ser concluída, o percentual de ações em circulação passará a ser de 20,96%, resultando em desenquadramento do percentual mínimo de 25% das ações em circulação” exigido pela BM&FBovespa, “e na obrigação de realizar oferta pública de aquisição de ações por aumento de participação”. Os controladores apresentarão à CVM pedido de registro de OPA “unificada por aumento de participação para fins de cancelamento de registro de companhia aberta na categoria ‘A’ e saída do segmento especial de listagem” Nível 1 da BM&FBovespa, “mediante a conclusão da transação”.

Os conselheiros concluíram que a realização de OPA representa os interesses da companhia e mostra-se benéfica aos seus acionistas, na medida em que os acionistas minoritários terão a possibilidade de alienar suas ações por valor justo, a ser determinado por empresa avaliadora independente, informou a empresa. O conselho também aprovou a distribuição de dividendos, com recursos provenientes do saldo da reserva de lucros, no valor total de R$ 215,9 milhões, correspondentes a R$ 2,62 por ação, e de juros sobre o capital próprio, referentes ao terceiro trimestre, no valor bruto total de R$ 60,2 milhões, correspondentes a R$ 0,73 por ação.

Taesa
A Taesa (TAEE11) informou a liquidação de oferta pública secundária. A oferta compreendeu a distribuição pública secundária, com esforços restritos de colocação, de 65,7 milhões de units a R$ 19,65, sendo 25 milhões de titularidade do FIP Coliseu e 40,7 milhões da Cemig, segundo comunicado.

Com a liquidação da oferta, FIP Coliseu passa a deter 153,8 milhões de ações ON, representativas de 26,03% do capital social votante e 14,88% do capital social total. A Cemig passa ser titular de 252,4 milhões de ações ON, representativas de 42,72% do capital social votante, e 73,6 milhões de ações PN, “que somadas às ações ordinárias”, representam 31,54% do capital social total. 

As units em circulação (excluídas as detidas por FIP Coliseu, Cemig, administradores da companhia e ações mantidas em tesouraria) passaram a compor 53,58% do capital social total e 31,24% do capital social votante. “Por se tratar de uma oferta pública com esforços restritos exclusivamente de distribuição secundária, não houve ingresso de recursos para a companhia, sendo que os acionistas vendedores receberam a totalidade dos recursos líquidos resultantes da venda das Units e serão responsáveis pelo pagamento de todos os custos e despesas incorridos com a oferta”.

Direcional
A Direcional Engenharia (DIRR3
) entrou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com pedido de registro de oferta pública de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) no valor inicial de R$ 120 milhões. A emissão será feita pela Brazilian Securities e terá a coordenação do Itaú BBA e XP Investimentos. O lastro será uma CCI (Cédula de Crédito Imobiliário) a ser emitida pela Itaú Unibanco com base em cédula de crédito bancário (CCB) no valor de até R$ 162 milhões, representativa da integralidade dos créditos imobiliários a serem concedidos pelo Itaú à empresa.

Qualicorp
O conselho de administração da Qualicorp (QUAL3) aprovou duas emissões de debêntures com esforços restritos de colocação, uma de R$ 350 milhões pela Qualicorp Administradora e outra de R$ 261 milhões pela Qualicorp Corretora. Os novos papéis terão vencimento em 4 de novembro de 2019, pagarão juros equivalentes ao CDI mais 1,30% ao ano.  

JHSF 
A JHSF (JHSF3) informou que fechou acordo para a venda de banco de terras residenciais, por meio de alienação de quotas da controlada Capital Incorporações, pelo valor de R$ 20,5 milhões. O pagamento realizado até esta segunda-feira é da ordem de 22% do valor da transação e o saldo restante será pago em até 11 meses. Segundo a empresa, os recursos serão usados para gestão da estrutura de capital da empresa. 

Vanguarda Agro 
O conselho de administração da Vanguarda Agro (AGRO3) aprovou, por unanimidade, a reestruturação de dívidas da companhia com Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta noite. A reunião do conselho ocorreu no dia 21 de outubro. 

Kroton
A Kroton (KROT3) fez parceria com um banco para ampliar financiamento estudantil alternativo ao Fies, sinal de que a maior empresa privada de educação do país está se preparando para uma possível recuperação econômica. O acordo tem previsão de lançamento no início do próximo ano, disse o presidente-executivo da Kroton, Rodrigo Galindo em um evento com investidores na segunda-feira.

A Kroton, que recentemente acertou a compra da rival Estácio, espera que o negócio ajude a mitigar riscos ligados a financiamento antes da conclusão do negócio, disse o diretor financeiro Frederico Abreu. Proteger o caixa é fundamental para a Kroton fazer outras aquisições uma vez que a compra da Estácio, sob análise regulatória, seja aprovado, disse ele.

Mais dinheiro poderia ser usado para aumentar o pagamento de dividendos além da cota atual de 35 por cento do lucro líquido anual, Abreu disse, observando que recompras de ações seriam considerada como alternativa se a ação da Kroton cair muito.

PDG
Segundo o jornal Valor Econômico citando cálculos do mercado, a PDG Realty (PDGR3) precisa de aproximadamente R$ 300 milhões para sair do estado de alerta em que se encontra. Os recursos dariam tempo para organizar um plano de recuperação financeira - seja judicial ou não - que não cause um efeito sistêmico sobre o financiamento do setor imobiliário. 

(Com Bloomberg e Reuters) 

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