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Marfrig dispara 6%, OSX salta 67% e small cap afunda 8% no leilão de fechamento

Confira abaixo os principais destaques de ações do pregão desta terça-feira

Vale
(Bloomberg)

SÃO PAULO - O Ibovespa aproveitou o respiro dos mercados internacionais e subiunesta terça-feira (16), guiado principalmente pelas ações dos bancos e Petrobras, que figuraram entre as maiores altas do índice nesta sessão. Frigoríficos também dispararam hoje, embora tenham um peso menor no Ibovespa. Do lado oposto, as ações da Vale recuaram pelo terceiro pregão seguido, além das siderúrgicas, que caíram forte neste pregão. Fora do índice, o destaque foi a OSX, que disparou 66,7% depois de divulgar seu resultado do primeiro trimestre, que trouxe um lucro líquido de R$ 169 milhões. Confira abaixo os principais destaques da Bovespa hoje:

Bancos
Após fecharem em leve queda na véspera, os bancos voltaram a subir na Bovespa, com destaque para as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,21, +3,34%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,55, +3,54%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,15, +1,57%, BBDC4, R$ 28,31, +2,54%).

Conforme destaca o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, o movimento coincide com o vencimento de opções sobre ações e pelo fato de muitos investidores terem zerado suas opções vendidas em ações do setor. Vale destacar que as opções de venda dos papéis preferenciais do Itaú a R$ 35,04 foram as mais negociadas e, agora, com o vencimento de opções, os papéis voltam a registrar melhor desempenho na Bolsa.

Os papéis, além disso, registrando pior desempenho em relação a outras blue chips, como Petrobras e Vale, em meio ao noticiário ruim para o setor, em relação a rumores - depois afastados - da defesa por setores do governo de novo aumento da CSLL e fim do juros sobre capital próprio. "As ações do setor de bancos estão baratas", afirma Plácido, destacando a avaliação dos investidores que, sem "ter outras opções" no setor, o mercado se volta para as ações do setor bancário, que são mais resilientes ao cenário negativo brasileiro, apesar de sentirem negativamente a desaceleração econômica. 

Frigoríficos
As ações do JBS (JBSS3, R$ 16,57, +4,35%) e do Marfrig (MRFG3, R$ 4,50, +5,88%) dispararam nesta sessão, em meio à expectativa com plano de exportações de carnes. Dilma vai anunciar acordo sobre carne em encontro com o presidente Barack Obama, disse Katia Abreu, ministra da Agricultura, em evento em São Paulo, que vislumbra ainda maior abertura em outros importantes mercados como Japão, Rússia e China. A liberação de exportações de carne bovina in natura para os EUA deve ocorrer em agosto. A ministra sinalizou também a abertura do mercado japonês para carne bovina processada e in natura do Brasil, o que pode ocorrer já este ano.

Essa é a quinta alta em seis pregões das ações da Marfrig, período em que subiu 16,6%. Embora tenha sido comunicado somente hoje pela ministra da Agricultura, o mercado já especula a possibilidade dos EUA abrirem as portas às exportações brasileiras há alguns pregões. Neste caso, a Marfrig e Minerva (BEEF3, R$ 10,44, +0,38%) seriam as mais beneficiadas, segundo o BTG Pactual, enquanto para JBS o impacto seria neutro, já que seria bom para as operações do Mercosul, mas ruim para as operações americanas.

Veja mais em: EUA podem estar por trás da disparada de até 7% da Marfrig ontem

Vale (VALE3, R$ 19,75, -2,90%; VALE5, R$ 17,02, -2,46%)
As ações da Vale registraram seu terceiro pregão consecutivo de perdas, seguidas por siderúrgicas. Os papéis da Usiminas (USIM5, R$ 4,60, -1,50%), CSN (CSNA3, R$ 5,80, -3,65%), Gerdau (GGBR4, R$ 8,18, -3,08%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 7,30, -1,88%) também caíram hoje. Usiminas e Gerdau recuaram pelo terceiro pregão seguido. Acompanharam o movimento hoje ainda as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,35, -1,73%), holding que detém participação na Vale. 

Os preços do minério de ferro no mercado à vista da China caíram pelo terceiro dia consecutivo nesta terça-feira, pressionados pela fraca demanda por açoO minério com entrega imediata no porto de Tianjin caiu 3,72 por cento para 62,10 dólares por tonelada nesta terça, segundo o The Steel Index (TSI), após ter atingido na semana passada 65,40 dólares, o maior nível em cinco meses.

Os contratos futuros do vergalhão de aço na bolsa de Xangai caíram mais de 2 por cento para bater um recorde de baixa nesta terça-feira, pressionados por uma fraca demanda, que pesou sobre o apetite pelo minério de ferro, sua matéria-prima.

Além disso, as vendas de aço plano por distribuidores de aço do Brasil recuaram 27 por cento em maio sobre o mesmo mês de 2014, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) compilados por analistas do setor. Na comparação com abril, houve queda de 9 por cento.

Veja mais: Relação “fiel” com o minério de ferro indica: ação da Vale pode cair muito mais

Petrobras (PETR3, R$ 14,68, +3,38%; PETR4, R$ 13,35, +2,77%)
Em sessão volátil, a Petrobras voltou a ganhar força e apareceu entre as maiores altas do Ibovespa nesta sessão. O grande destaque fica para a notícia de que a petrolífera estuda dividir sua subsidiária de gás e energia, a Gaspetro, em duas empresas para colocá-las à venda, segundo a Agência Estado. A estratégia faz parte do plano da empresa de vender ativos para reforçar o caixa e reduzir o endividamento. Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, de um lado estaria todo o negócio de comercialização de gás, que inclui participações em distribuidoras e gasodutos de transporte do combustível. Do outro, as usinas térmicas.

As negociações, intermediadas pelo banco Itaú BBA, estão avançadas. A empresa mais cotada para fechar negócio é a japonesa Mitsui Gás e Energia, interessada na área de distribuição. Ela já é sócia da Petrobras em oito distribuidoras e é alvo de investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Educacionais
As ações das educacionais voltam a subir hoje, embora tenham minimizado o movimento no final do dia, como Kroton (KROT3, R$ 12,66, +0,32%) e Estácio (ESTC3, R$ 21,00, +0,24%). Anima (ANIM3, R$ 23,95, +2,61%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 14,82, +1,16%), por outro lado, intensificaram os ganhos. Kroton têm  a 8ª sessão seguida de alta, enquanto Estácio avança pelo sexto pregão e Anima, pelo sétimo. 

O setor de ensino superior privado está considerando positivas as mudanças a serem implantadas no segundo semestre deste ano no programa de financiamento estudantil do governo, o Fies, apesar da redução no número de novos contratos. O novo modelo, ainda não anunciado oficialmente, terá alta de juros e redução do limite de renda dos alunos atendidos.

Varejistas
As ações de varejistas são penalizadas após dados ruins do setor para o mês de maio. As vendas no varejo caíram 3,5%, bem pior do que a retração esperada de 1,8% no mês. As vendas em abril também foram revisadas de uma alta de 0,4% para uma alta de 0,3%. Na comparação mensal, era esperada uma elevação de 0,7%, porém, houve uma queda de 0,4%. O mês anterior também foi revisado de uma queda de 0,9% para uma queda de 1%. 

No setor, caíram mais forte as ações da Via Varejo (VVAR11, R$ 14,05, -5,00%), Natura (NATU3, R$ 27,67, -2,57%) e Lojas Renner (LREN3, R$ 110,50, -1,30%). 

Mills (MILS3, R$ 7,23, -5,98%)
A Mills vê seus papéis em queda após ter sua recomendação cortada para underperform (desempenho abaixo da média) pelo Itaú BBA, enquanto o preço-alvo foi reduzido de R$ 10,00 para R$ 8,00. 

Segundo as analistas Renata Faber e Thais Cascello, apesar do grande esforço da companhia para melhorar a sua rentabilidade, o valuation ainda parece pouco atrativo. Além disso, a expectativa de que o cenário seguirá adverso em 2015 e 2016 trazem perspectivas pouco positivas, com baixa utilização da capacidade instalada e preços sob pressão. Por outro lado, a Mills está se ajustando para um "novo normal" e, após a fase de ajustes, ela deverá ser uma empresa menor em termos de ativos, mas com menor dívida e melhores margens, além de melhor ROIC (Retorno sobre o capital investido). 

Em 2015, a empresa enfrenta um cenário de "tempestade perfeita", avaliam as analistas, em meio à combinação de demanda fraca e dívidas. Em termos de receitas, a divisão de infraestrutura continua a ser a mais resistente, dado o perfil de longo prazo de seus contratos. Por outro lado, esta margem de divisão deve ser afetada pela aumento da provisão de créditos. Quanto à divisão de aluguel, a baixa utilização e os preços mais baixos vão continuar a colocar alguma pressão sobre as receitas e margens.

Veja mais: Uma das promessas de 2014, Mills enfrenta cenário de "tempestade perfeita" em 2015

OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,30, +66,67%)
As ações da OSX fecharam na máxima do dia, após a divulgação dos resultados; contudo, vale destacar o baixo valor de face dos papéis, que leva qualquer variação de centavos representar uma forte variação. Além da forte arrancada das ações, chamou atenção o volume financeiro movimentado com o papel, que atingiu R$ 6,275 milhões, contra média diária de R$ 247 mil dos últimos 21 pregões.

Em recuperação judicial, a empresa de construção naval , de Eike Batista, conseguiu reverter R$ 2,42 bilhões de prejuízo no primeiro trimestre de 2014 em lucro líquido de R$ 168,9 milhões entre os meses de janeiro a março deste ano. 

A companhia registrou receita operacional líquida no trimestre de R$ 275,1 milhões, contra R$ 118 milhões no mesmo período do ano passado, crescimento de 133%. 

Veja mais: OSX, de Eike Batista, reverte prejuízo em lucro de R$ 169 mi no 1° trimestre

Time For Fun (SHOW3, R$ 3,39, -10,79%)
A small cap Time For Fun desabou 8% no leilão de fechamento e fechou com queda de 10,79%, a R$ 3,39, em um movimento sem nenhum motivo aparente, conforme disseram analistas de mercado questionados pelo InfoMoney.

Apesar da forte queda, o volume financeiro movimentado com o papel ficou em cima da média diária dos últimos 21 pregões, com giro de R$ 172 mil. Vale mencionar, no entanto, que boa parte dos negócios ocorreram a partir das 16h47 (horário de Brasília), registrando a partir desse movimento volume de R$ 98 mil. 

Sabesp (SBSP3, R$ 16,50, -0,48%)
As ações da Sabesp voltam a registrar queda. Ontem, os ativos caíram quase 5% após a Fiesp entrar  com pedido de liminar contra o reajuste de 15,24% nas contas da companhia. 

Hoje, destaque para a notícia da Bloomberg, destacando que o plano de contingência da Sabesp considera, no pior dos cenários, que o reservatório do Cantareira secaria em julho. O pior cenário possível seria diante de volume de água que chega às represas de menos de 80% do registrado em 2014, e sem obras emergenciais prontas, segundo documento obtido pela Bloomberg.

O plano de contingência considera ainda, no pior cenário, a implementação de um rodízio de 5 dias sem água e 2 dias com abastecimento na região abastecida pelo Cantareira. No melhor cenário, Cantareira chegaria em outubro com mais da metade da primeira reserva técnica recuperada.  

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