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SÃO PAULO – Murilo Ferreira deve ter acordado nesta quinta-feira (30), véspera de feriado de 1 de maio, um dos homens mais ocupados do Brasil. E também com um dos que tem um dos maiores desafios a enfrentar.
Com um estilo discreto, em um intervalo de quatro anos, o executivo se tornou presidente da Vale (VALE3;VALE5) e o presidente do Conselho de Administração da Petrobras (PETR3;PETR4).
A reformulação do conselho é o movimento mais recente da produtora controlada pelo Estado para conter os prejuízos e reduzir uma dívida de R$ 351 bilhões em um momento em que os preços do petróleo são os menores em quase seis anos.
Mas por que um homem que fez carreira em uma mineradora virou chairman de uma petroleira? A escolha de Ferreira, conforme destaca a Bloomberg, quebra uma tradição de nomeações políticas para a posição, também constrói uma ponte entre a Petrobras e a Vale, as duas maiores exportadoras do Brasil, em um momento em que o país enfrenta o fim do superciclo das commodities.
Ele, inclusive, já foi cotado para ser presidente da estatal, quando a então CEO (Chief Executive Officer) Graça Foster estava na corda bamba. Sendo bem visto pelo governo e com experiência que poderia ajudar a companhia, ele chegou a ser convidado para o cargo.
Contudo, Ferreira não aceitou, argumentando justamente que a Vale está passando por um momento delicado de reestruturação em meio à queda do preço do minério de ferro e que, caso saísse da empresa, poderia gerar impacto na imagem e fragilizar ainda mais a companhia.
Porém, agora como conselheiro, ele também terá que lidar com problemas da estatal.
Murilo Ferreira tem 61 anos e foi nomeado diretor-presidente da Vale em maio de 2011 e tem um longo histórico na Vale e décadas de experiência no setor de mineração.
Graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, Murilo Ferreira iniciou sua carreira profissional na Vale em 1977 como analista financeiro e econômico.
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No ano seguinte, na Caraíba Metais, exerceu o cargo de Gerente Financeiro, no qual permaneceu até 1980, quando foi para a Albras para assumir o posto de Gerente Financeiro Internacional.
Depois de quase oito anos na Albras, dedicou-se a consultorias para projetos de fusão e aquisições e de reestruturação de empresas, dentre as quais a Companhia Paulista de Ferroligas, a Sibra Eletrosiderúrgica Brasileira S.A. e a Alumina do Norte S.A. (Alunorte). Em 1998, exerceu o cargo de Diretor de Finanças e Comercial da Vale do Rio Doce-Alumínio, empresa incorporada pela Vale em dezembro de 2003. Ocupou ainda a posição de Presidente da Alunorte, da Albras e da Mineração Vera Cruz.
Ferreira também tem experiência em Conselhos de Administração, como das companhias Mineração Rio do Norte S.A. (MRN), Valesul Alumínio S.A., Alunorte, Albras, Usiminas, PT Inco (Indonésia) e Vale Nova Caledônia.
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Comandando a Vale, analistas destacam que Ferreira conseguiu diminuir os custos e focar em projetos prioritários, o que seria uma boa credencial de atuação na Petrobras, a petroleira mais endividada do mundo e que está sendo bastante
Será que ele vai ter tempo?
Apesar das boas credenciais, uma das dúvidas do mercado é se ele vai ter tempo para se dedicar ao Conselho da petroleira, em um momento de alta demanda por parte da companhia.
“Ferreira é um profissional muito competente, mas a expectativa era ter membros do Conselho que pudessem se dedicar à empresa e acompanhar as atividades do dia a dia”, disse Adelmo Emerenciano, especialista em direito empresarial e sócio da Emerenciano, Baggio e Associados, com sede em São Paulo para a agência Bloomberg. “Você não pode ter um conselho de bons nomes, mas sem nenhuma disponibilidade”.
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E, conforme destaca o Wall Street Journal, ainda não está claro se o novo conselho fará com que a companhia se torne mais independente. Porém, representa uma quebra na recente tradição da empresa, que vem contando com ministros dos últimos governos. Desta vez, eles não farão parte do Conselho.
Ferreira, que foi nomeado pelo governo, substituiu Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico), sendo que o cargo já foi ocupado pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pela presidente Dilma Rousseff durante o governo de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
“A governança é importante em várias frentes e pragmaticamente é um fator de agências de rating a levar em consideração quando avaliar os ratings da Petrobras”, ressalta o Credit Suisse. É esperar para ver se haverá tempo e independência para Ferreira fazer as mudanças na Petrobras – e seguir comandando a Vale.
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Outras mudanças…
Além de Ferreira, a assembleia da Petrobras também elegeu dez conselheiros: sete indicados pela União, um pelos acionistas minoritários ordinaristas, um pelos acionistas minoritários preferencialistas e outro pelos funcionários da empresa.
Os indicados pela União foram eleitos com 66,36% dos votos dos acionistas presentes. Do total, 5% votaram contra as indicações e 28,6% se abstiveram. Além de Ferreira, também foram eleitos como representante do governo na estatal o presidente da estatal, Aldemir Bendine, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o advogado e o consultor Luiz Navarro, ex-secretário-executivo da Controladoria-Geral da União e ex-integrante do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O governo também indicou para integrar o conselho, os nomes do economista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Carvalho, do pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Segen Estefen e do ex-diretor do Banco Central e da Fundação Getulio Vargas Roberto da Cunha Castello Branco.
Eles substituíram na lista de indicados Ivan Monteiro, diretor financeiro da Petrobras, além do general do Exército Francisco de Albuquerque e do vice-presidente da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Franklin Quintella, que estavam no colegiado há vários anos.
O novo representante dos trabalhadores é Deyvid Bacelar, coordenador do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) da Bahia. Ele substitui Silvio Sinedino, da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet).
A assembleia elegeu ainda o diretor executivo do Comitê de Aquisições e Fusões (CAF), Walter Mendes de Oliveira Filho, para a vaga de membro indicado pelos ordinaristas minoritários, além do empresário Guilherme Affonso Ferreira para a vaga de membro designado pelos preferencialistas. A primeira reunião do Conselho de Administração da Petrobras está prevista para 15 de maio.
(Com Agência Brasil)