Ibovespa Futuro despenca mais de 5% após pesquisas Datafolha e Sensus

Mercado repercute Datafolha e Sensus da última sexta-feira; ADR da Petrobras cai mais de 6% no pré-market do NYSE

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SÃO PAULO – O Ibovespa Futuro registra forte queda na sessão desta segunda-feira (29), repercutindo as pesquisas Datafolha e Sensus da última segunda-feira (29). Às 09h04 (horário de Brasília), o contrato futuro com vencimento em outubro registrava baixa de 5,15%, a 54.820 pontos. Os ADRs da Petrobras caem mais de 6% na NYSE. O mercado ainda aguarda pelo Vox Populi que pode ser divulgado hoje à noite na TV Record. 

Os mercados devem ter uma semana em baixa, sob pressão da pesquisa Datafolha, afirmou o economista-chefe da Austin Ratings, Alex Agostini na última sexta-feira (26), à Agência Estado.

Desta vez, o instituto também publicou os números para os votos válidos, que excluem brancos e nulos. Nessa medição, Dilma está com 45% dos votos, contra 31% de Marina e 21% de Aécio. Agostini disse que, mesmo assim, acha difícil que Dilma vença a eleição no primeiro turno, o que acontecerá caso a presidenciável alcance 50% dos votos válidos mais um.

“O que temos notado é que o mercado tem ficado bastante nervoso com o aumento de Dilma nas pesquisas. Esses dados vão afetar bastante negativamente os mercados, que será a última antes das eleições”, disse. O economista-chefe da Austin Ratings projetou um início de semana na BM&FBovespa de desvalorização principalmente para as ações de empresas estatais e para o câmbio.

Esta será a última antes do primeiro turno da eleição presidencial, sendo que a propaganda eleitoral gratuita acaba na quinta-feira. “Nós teremos uma semana bastante complicada, no que diz respeito à volatilidade”, acrescentou.

Vale ressaltar que o mercado havia registrado alta na última sexta-feira, esperando um Datafolha mais favorável à candidata Marina Silva, o que não aconteceu, mas também esperando novas notícias da Veja. A revista mostrou que a campanha de Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro a Paulo Roberto Costa, diretor do abastecimento da estatal, mas não deve ter tantos efeitos sobre a candidatura da petista. Assim, o mercado pode devolver a alta registrada na última sexta-feira. 

No noticiário econômico, economistas de instituições financeiras revisaram as suas estimativas para diversos aspectos da economia brasileira, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central. A expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014 diminuiu para 0,29%, ante 0,30% da semana anterior – esta é a 18ª semana consecutiva que os economistas diminuem as estimativas para o crescimento da atividade econômica brasileira. Para 2015, os economistas mantiveram a projeção do PIB para 1,01%.

Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas aumentaram a projeção para 6,31%, ante 6,30% na semana anterior, e continuou abaixo do teto da meta, enquanto para o próximo ano a projeção também aumentou para 6,30%, ante 6,28%.

Lá fora em queda
Os principais índices acionários iniciaram a semana em queda. As bolsas asiáticas reagem aos protestos em Hong Kong e, na Europa, investidores digerem dados econômicos.

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Nesta sessão, as ações asiáticas caíram para uma mínima de quatro meses uma vez que as agitações políticas em Hong Kong abalaram os investidores.

As ações de Hong Kong caíram 1,9 por cento com os piores distúrbios desde que a China retomou o controle da ex-colônia britânica em 1997. O governo de Hong Kong anunciou que retirou a polícia das ruas da cidade depois que os manifestantes pró-democracia começaram a recuar no centro financeiro da cidade. No domingo, enfrentamentos entre os manifestantes e a polícia terminaram com cerca de 40 pessoas feridas e dezenas de jovens detidos, segundo a rede americana CNN. 

Em contrapartida, os mercados na China continental tiveram desempenho melhor, com as ações de Xangai em alta de 0,43 por cento.

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Na Europa, a confiança econômica da zona do euro se deteriorou em setembro para níveis vistos pela última vez no final de 2013 e as expectativas de inflação entre as famílias e produtores continuou a cair.

A Comissão Europeia informou nesta segunda-feira que a confiança econômica nos 18 países que usam o euro caiu a 99,9 neste mês contra 100,6 em agosto. Economistas esperavam queda para 100,0.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.