Ibovespa firma queda; depois da Moody's, S&P ameaça rating do Brasil

De acordo com agência de notícias Broadcast, a S&P destacou que o rating do Brasil pode ser rebaixado em 2014, mesmo antes das eleições; Petrobras e Vale "azedam" e pressionam índice
Por Lara Rizério  
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SÃO PAULO - O Ibovespa firma queda na sessão desta terça-feira e registra perdas de 0,94%, a 50.493 pontos, às 15h19 (horário de Brasília), após registrar boa parte da manhã em alta. Em um dia de ganhos para a maior parte das bolsas mundiais, o benchmark da bolsa brasileira intensifica perdas em meio a um noticiário interno mais negativo.

Após a agência de classificação de risco Moody's manter o rating para a nota de risco brasileira, mas alertar que pode cortar perspectiva se desempenho econômico no 1º semestre frustrar, desta vez a Standard & Poor's ameaçou a nota brasileira, de acordo com a Broadcast. Segundo o diretor responsável por ratings soberanos da S&P, Joydeep Mukherji, o País pode ter rating rebaixado em 2014, mesmo antes das eleições; porém, destacou que, caso haja um rebaixamento, seria de um nível e "não representaria um colapso para o País". E avaliou que não há uma reunião programada dos analistas da agência para discutir a nota do Brasil. Além disso, Mukherji afirmou que não há um fator principal para desencadear o rebaixamento do rating, mas ressaltou que o Brasil tem tido uma deterioração do seu perfil econômico. 

As falas das agências de risco reforçam a percepção negativa com a economia brasileira, em contraponto ao cenário de recuperação norte-americana e de menor pessimismo com a Europa. Vale ressaltar ainda que a Santander Asset Management, braço de gestão de recursos do Santander Brasil, destacou que está voltando os seus olhos em empresas dos EUA, Europa e Ásia, tendo em vista o cenário pouco promissor a papéis brasileiros para 2014.

Já nos EUA, destaque para a agenda econômica e para as falas de líderes do Fed. Enquanto o déficit comercial do país atingiu o menor patamar desde outubro de 2009, o presidente do Federal Reserve de Boston Eric Rosengren destacou em discurso que a redução de estímulos com a compra de estímulos pela autoridade monetária deve ser gradual, uma vez que a economia ainda "está longe de onde precisamos que ela esteja". 

Enquanto isso, o dia foi positivo para as bolsas europeias, que subiam na esteira da queda do desemprego alemão, dos bons dados de venda do setor de automóveis no Reino Unido e em meio às expectativas para as reuniões do BCE (Banco Central Europeu) e do Banco da Inglaterra, na próxima quinta-feira.

Vale e Petrobras com queda de mais de 1%
Como destaque de queda na sessão, estão as ações de duas imobiliárias, Gafisa (GFSA3, R$ 3,55, -3,27%) e MRV Engenharia (MRVE3, R$ 8,06, -3,36%), setor este que liderava os ganhos do Ibovespa mais cedo com a Rossi Residencial (RSID3, R$ 2,00, -1,48%) e da Brookfield (BISA3, R$ 1,12, 0%), que lideravam os ganhos do índice mais cedo em meio ao comentário divulgado pela Fitch na véspera de que deve realizar menos ações de rating no setor imobiliário em 2014 na comparação com os dois anos anteriores, mas que perderam as forças de forma bastante expressiva. As blue chips também registram perdas e pressionam o índice, com a Vale (VALE3, R$ 33,21, -2,58%; VALE5, R$ 30,98, -1,90%) e a Petrobras (PETR3, R$ 15,39, -1,91%; PETR4, R$ 16,33, -1,74%) registrando perdas entre 1,7% e 2,5%, com maiores perdas em meio ao cenário de maior aversão ao risco à economia brasileira. 

Enquanto isso, as ações do setor de varejo seguem com ganhos, guiadas pela revisão de recomendação do banco BTG Pactual para diversas empresas, com destaque para a Lojas Renner (LREN3, R$ 60,06, +1,81%), mas diminuindo os ganhos em relação à máxima do dia, quando registrou ganhos de 3,63%. O BTG elevou a recomendação para os ativos de neutra para a compra e destacou o papel como uma das melhores oportunidades de curto a médio prazo no setor. Já os ativos da Ambev (ABEV3, R$ 17,25, +2,68%) também apresentam um dos melhores desempenhos do Ibovespa com os investidores demonstrando entusiasmo ao dividendo bilionário anunciado pela companhia na noite anterior. 

Já os ativos da Marfrig (MRFG3) têm alta de 2,46%, a R$ 4,17, mantendo a alta após o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) disse na última segunda-feira que a operação de troca de debêntures anunciada pela empresa observou todos os ritos internos de aprovação no banco e não constitui nenhum tipo de favorecimento.

Outras referências econômicas
Mereceu destaque ainda a aprovação no Senado dos Estados Unidos do nome de Janet Yellen para ser a próxima presidente do Federal Reserve. Ela vai substituir Ben Bernanke, cujo mandato encerra no fim deste mês. Atualmente, Yellen é vice do Fed. 

Na Europa, o dia é de ganhos. Os investidores repercutem os dados de inflação na zona do euro, que ficaram em linha com a previsão ao mostrar queda de 1,2% em novembro na comparação com o mesmo período do ano passado para o produtor, enquanto os preços ao consumidor tiveram alta de 0,8% em dezembro, levemente abaixo frente à expectativa de alta de 0,9%, o que impulsiona as bolsas por lá. Vale ressaltar que estes números podem sinalizar os próximos passos de política monetária do BCE (Banco Central Europeu), que fará reunião na próxima quinta-feira (9).

A sessão de alta também é sustentada ainda pelos dados do desemprego alemão, que caiu inesperadamente em base ajustada sazonalmente em dezembro. O número de pessoas sem trabalho caiu em 15 mil, para 2,965 milhões, mostraram os dados, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 6,9%. 

No Reino Unido, os dados de venda de automóveis também mostraram boas notícias, com o número de carros vendidos em 2013 alcançando o maior patamar desde 2007, ao subir 10,8%.

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