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SÃO PAULO – A redução de estímulos anunciada pelo Federal Reserve na última quarta-feira (18) animou os mercados, ao contrário do que se poderia parecer, uma vez que as indicações de que a autoridade monetária poderia reduzir o ritmo de compras abalaram as bolsas pelo mundo. Muito pelo contrário, os novos sinais do Fed podem ser positivos para o mercado acionário brasileiro.
Conforme apontam os analistas do Citigroup, o comunicado do Fomc (Federal Open Market Committee) deixou claro que uma abordagem altamente acomodatícia na política monetária será apropriada até bem depois que a taxa de desemprego nos EUA cair para baixo de 6,5%.
Desta forma, eles veem isso como uma indicação de que o atual cenário de revisões nas estimativas de crescimento do PIB global e de alta liquidez e baixas taxas de juros continuará por alguns anos. “Esse cenário é amplamente favorável para ativos de risco como ações, incluindo as brasileiras”, avaliam.
Os analistas Stephen Graham e Fernando Siqueira ressaltam que as ações com características de títulos de renda fixa já estão precificando taxas de juros mais altas, em um cenário de risco de rebaixamento da nota de crédito do Brasil e pelo aumento no rendimento dos títulos norte-americanos.
Desta forma, ações com estas características como de imobiliárias do setor comercial, concessões rodoviárias e de energia e saneamento tiveram performance abaixo do índice. E com o comunicado mais brando do Fomc, as ações destes setores podem ter um maior suporte no curto prazo para subir.
Porém, os analistas continuam preferindo as exportadoras brasileiras, os produtores domésticos de commodities e as multinacionais, pois estas se beneficiam da desvalorização do real. Além disso, a pequena redução no programa de compra de títulos do Fed deve conferir suporte ao fortalecimento do dólar, o que favorece companhias com receitas em dólares e custos em reais.
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O início do tapering começou porque os membros do Fomc estão confiantes na recuperação do crescimento da economia dos EUA, o que beneficia o mesmo grupo de ações mencionado anteriormente. Enquanto isso, a pressão adicional no real impulsiona a inflação e a taxa de juros, o que é pior para ações voltadas ao mercado doméstico do que para ações do complexo de commodities, avaliam os analistas.
Graham e Siqueira ressaltam ainda que a redução de estímulos é um evento sem precedentes para os mercados financeiros, como foi também a introdução do programa de compra de títulos. “Se considerarmos o tapering como um aumento de taxa de juros, o impacto esperado no mercado de ações brasileiro não será grande. A performance do mercado imediatamente depois do primeiro aumento na taxa de juros nos EUA durante os três últimos ciclos de aperto foi apenas ligeiramente negativa”, concluem os analistas.