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Ibovespa cai 0,83% com queda de mais de 8% da imobiliária PDG

Desempenho do índice descola do movimento das principais bolsas internacionais e rompe para baixo zona dos 53.500; MMX e Marfrig continuam movimento da véspera

SÃO PAULO - O Ibovespa conheceu sua segunda queda consecutiva nesta quarta-feira (6), com variação negativa de 0,83%, a 53.384 pontos. O desempenho do benchmark da bolsa brasileira descolou do movimento visto nas principais bolsas internacionais, refletindo uma possível mudança de cenário para a economia nacional. O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 7,49 bilhões.

Além disso, o índice repercutiu a temporada de resultados trimestrais, que, nesta noite contará com o balanço da Vale (VALE3, R$ 38,47, +1,69%; VALE5, R$ 34,44, +1,38%), cujas ações foram destaque de alta antes da divulgação. O destaque do pregão foi a PDG Realty (PDGR3), que teve 40 mil negócios, e despencou 8,87%, para R$ 1,85, depois da divulgação do resultado. 

O movimento do índice brasileiro foi o contrário daquele visto nos principais índices das bolsas internacionais, com Wall Street avançando - apenas com excessão do índice de Nasdaq - com anúncios do Federal Reserve de que a fragilidade econômica norte-americana garantirá a continuidade da política de estímulos no país e bolsas europeias repercutindo o dia positivo da temporada de resultados.

Tendência de queda no Ibovespa
Por aqui, a deterioração das contas públicas brasileiras colocando a nota de crédito soberano do País em xeque e a perspectiva de uma Selic cada vez mais alta ficou em evidência. Com isso, o Ibovespa rompeu uma zona em que estava congestionado desde a última semana de outubro, localizada entre os 55.000 e os 53.500 pontos, e inverteu seu movimento para tendência de queda em direção à zona entre os 51.000 e os 52.000 pontos.

Nesta sessão, chamou atenção o fato de 6 empresas terem fechado com queda superior a 5%. Dentre elas, o destaque ficou com MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,67, -9,46%), a já citada PDG Realty, B2W (BTOW3, R$ 14,02, -8,55%), Marfrig (MRFG3, R$ 4,15, -7,37%) e Brookfield (BISA3, R$ 1,19, -5,56%), que acompanha o movimento da PDG.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 0,67 -9,46 -84,94 16,98M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,85 -8,87 -44,11 143,90M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 14,02 -8,55 -17,53 12,88M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,15 -7,37 -51,06 22,90M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 8,70 -6,95 -48,20 31,41M

Já na ponda de cima, além das ações da Vale, que espera pelo resultado a ser divulgado na noite desta quarta-feira, chamaram atenção os papéis de Ambev (AMBV4, R$ 84,00, +2,13%), BRF (BRFS3, R$ 53,14, +1,24%) e Bradespar (BRAP4, R$ 26,56, +1,14%), cujas altas não conseguiram evitar o desempenho negativo do índice nesta sessão.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 AMBV4 AMBEV PN 84,00 +2,13 -0,26 253,89M
 VALE3 VALE ON 38,47 +1,69 -4,01 235,66M
 VALE5 VALE PNA 34,44 +1,38 -10,74 783,95M
 BRFS3 BRF SA ON 53,14 +1,24 +27,78 253,62M
 BRAP4 BRADESPAR PN EDJ 26,56 +1,14 -19,10 37,97M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 34,44 +1,38 783,95M 531,83M 33.101 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,41 +0,79 440,15M 598,48M 24.501 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 33,53 -1,21 314,75M 314,96M 24.390 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 32,20 -1,11 262,76M 224,15M 19.724 
 AMBV4 AMBEV PN 84,00 +2,13 253,89M 139,00M 15.049 
 BRFS3 BRF SA ON 53,14 +1,24 253,62M 112,73M 11.942 
 VALE3 VALE ON 38,47 +1,69 235,66M 200,87M 16.166 
 PETR3 PETROBRAS ON 19,60 +1,03 167,75M 186,74M 12.983 
 PDGR3 PDG REALT ON 1,85 -8,87 143,90M 58,28M 39.794 
 BBAS3 BRASIL ON 28,73 -2,48 133,21M 147,28M 15.342 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Imobiliárias em destaque
O desempenho do Ibovespa também foi fortemente impulsionado pela temporada de resultados trimestrais. Entre os balanços, chamaram atenção os números do setor imobiliário, que trouxeram reações opostas para duas grandes companhias do setor: Gafisa (GFSA3, R$ 2,90, +0,35%) e PDG, sendo que a primeira chegou a ver suas ações subirem 6,57% no intraday e amenizarem os ganhos a poucos instantes do fechamento da bolsa.

A Gafisa divulgou um lucro líquido de R$ 15,78 milhões no terceiro trimestre, 225,9% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a XP Investimentos, o bom crescimento do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) e da receita na comparação com o 2º trimestre deste ano foram vistos de maneira positiva, embora o resultado do segmento Tenda continue pressionando o grupo - este segmento reportou prejuízo de R$ 60,95 milhões entre julho e setembro, informa a Gafisa.

A PDG Realty, por sua vez, reverteu o lucro de um ano atrás e registrou prejuízo líquido de R$ 129,97 milhões no terceiro trimestre. Enquanto isso, a receita caiu 33,7%, para R$ 1,07 bilhão. Os números da companhia continuando trazendo preocupações aos investidores, avalia o Credit Suisse em relatório divulgado após o balanço.

QE3 nos EUA e reunião do Partido Comunista na China
Nos Estados Unidos, os investidores seguem no aguardo de sinalizações sobre quando o Federal Reserve deverá começar a redação do programa de compras mensais de títulos públicos de até US$ 85 bilhões, conhecido como QE3 (Quantitative Easing 3). Na agenda local, será divulgado na quinta-feira o PIB (Produto Interno Bruto) do 3º trimestre, enquanto na sexta-feira sairá o relatório de emprego de outubro.

Já no próximo sábado, destaque para o início da reunião do Partido Comunista Chinês, que será um importante vetor para determinar os rumos da economia do gigante asiático. Vale destacar que, na véspera, após o fechamento do mercado, o Banco do Povo da China alertou em seu relatório trimestral da política monetária que os preços ao consumidor devem subir mais do que o esperado no quarto trimestre.

Indicadores europeus
Na Europa, o resultado negativo do Índice de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês), "levanta preocupações de que a retomada esteja falhando e coloca mais pressão sobre o BCE (Banco Central Europeu) para revigorar a recuperação", aponta o Markit Economics. Com isso, cresce a expectativa de que o BCE, que iniciará a reunião de política monetária nesta data e a encerrará na próxima data, corte a taxa de juros. A desaceleração da inflação para 0,7% em outubro, perto da mínima em quatro anos e bem abaixo de sua meta de perto de 2%, colabora para essa percepção. O BoE (Banco da Inglaterra) também encerrará sua reunião na próxima quinta-feira.

Na Alemanha, boas notícias: o aumento das novas encomendas ajudou o setor privado a crescer pelo sexto mês seguido em outubro, em um sinal de que a maior economia da Europa está se expandindo de forma estável no quarto trimestre. Já as vendas do varejo da zona do euro caíram 0,6% em setembro na comparação com agosto, numa queda acima da esperada pelo mercado, que esperava uma baixa de 0,4%.

painel com cotações
(Divulgação)

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