Ibovespa opera em queda após OGX “abrir” despencando 20%; Itaú lidera alta

Ação da petrolífera recua após reunião com credores não resultar em acordo; banco mostra resultado melhor que o esperado e ações sobem mais de 3%

Publicidade

SÃO PAULO – Após operar bem próximo da estabilidade nos minutos iniciais, o Ibovespa começa a se firmar no campo negativo após a OGX Petróleo (OGXP3) “abrir” com forte queda, puxando o índice para baixo. Dessa forma, o benchmark da bolsa brasileira, que chegou a subir 0,35% no começo do pregão, mostrava às 10h25 (horário de Brasília) uma queda de 0,39%, a 54.857 pontos.

Com o leilão de abertura terminando apenas às 10h16, a OGX Petróleo abriu com queda de 20,69%, cotada a R$ 0,23 por ação, com o mercado na contagem regressiva do possível “default” da empresa. Na noite anterior, a petrolífera de Eike Batista enviou um fato relevante anunciando que a reunião com seus credores terminou sem nenhum acordo alcançado, aumentando ainda mais as chances de um pedido de recuperação judicial – vale lembrar que o prazo limite para a dívida da petrolífera é 1 de novembro.

Na ponta positiva, destaque para as ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,41, +3,05%), que lideram os ganhos do índice após o resultado melhor que o esperado divulgado antes da abertura do pregão. Já a Petrobras (PETR3, PETR4) vê suas ações operarem em queda após a empresa ganhar mais de R$ 25 bilhões em valor de mercado na véspera com o anúncio da nova metodologia de reajuste dos combustíveis. Nesta manhã, a petrolífera rebateu notícias veiculadas na imprensa e afirmou que uma possível oferta de ações para financiar seus investimentos está “totalmente descartada“.

Resultados agitam a Bovespa
Com o a pauta econômica fraca nesta sessão, os investidores se atentam à temporada de resultados trimestrais. Além do Itaú, outra ação do Ibovespa que reage com força à divulgação do balanço é a Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 32,04, -4,22%), que chegou a cair mais de 5% nos minutos iniciais do pregão após a empresa ver seu resultado reverter de lucro de R$ 241,3 milhões para prejuízo de R$ 245,3 milhões entre o 3º trimestre de 2012 e 2013.

Ainda na pauta de resultados, a CCR (CCRO3, R$ 18,87, +0,64%) mostrou lucro líquido de R$ 403,5 milhões no 3º trimestre, alta de 27,4% ante os R$ 316,8 milhões reportados um ano antes. Já a Duratex (DTEX3, R$ 14,38, 0,56%) registrou lucro líquido de R$ 170,2 milhões no terceiro trimestre, 35,4% superior ao de 12 meses atrás.

EUA: no aguardo do Fomc
Lá fora, o mercado vive na expectativa da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que tem início nesta data e será encerrada na próxima quarta-feira. O mercado espera que a autoridade monetária norte-americana não traga novidades sobre qualquer retirada do QE3, o programa de compra de US$ 85 bilhões mensais de títulos públicos com o intuito de injetar capital na economia.

Continua depois da publicidade

Enquanto isso, a agenda econômica norte-americana reserva uma bateria de indicadores nesta terça-feira. Às 10h30 (horário de Brasília), será divulgado os dados de vendas de varejo e o índice de preços no atacado, ambos de setembro. Já às 12h, sairão os dados de estoques das indústrias de agosto e o resultado da confiança do consumidor de outubro.

Reformas na China?
Na China, Banco do Povo injetou US$ 2,1 bilhões no mercado em operações de open market. Porém, os investidores se mostram bastante cautelosos antes do muito antecipado encontro do Partido Comunista da China, que terá início no dia 9 de novembro, onde espera-se que o presidente Xi Jinping anuncie reformas para o país. A reunião marcará a terceira vez em que o Comitê Central do PC chinês, formado por 200 membros, se reúne desde uma transição de liderança no ano passado, embora a reforma política não deva ser um importante ponto de discussão. Historicamente, tais reuniões são uma plataforma para mudanças econômicas importantes na China. A reunião terminará em 12 de novembro.

No Japão, destaque para a taxa de desemprego, que caiu levemente em setembro e a disponibilidade de vagas permaneceu no maior nível em mais de cinco anos, mostraram dados do governo, sinalizando um progresso constante na batalha para encerrar 15 anos de deflação.

Continua depois da publicidade

Europa
Passando para a Europa, o noticiário corporativo guia as bolsas locais, em meio à divulgação de resultados de grandes bancos. As ações de empresas do setor financeiro sofrem pressão em meio aos números mais fracos do suíço UBS e do alemão Deutsche Bank.

No noticiário econômico, a Espanha animou ao informar que as vendas do varejo tiveram alta de 2,2% em setembro na comparação anual. Ainda na agenda europeia, destaque ainda para a reunião da Troika, que terá como destaque o início da 12ª revisão do programa de ajuda da Irlanda; além disso, a Itália fará um leilão de até 8 bilhões de euros em títulos, enquanto o membro do conselho executivo do BCE (Banco Central Europeu), Ewald Nowotny, irá discursar às 15h. 

Já na Inglaterra, em meio às tempestades que ocorreram na véspera, o jornal The Guardian informou que o PIB (Produto Interno Bruto) do país não deverá ser afetado.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers