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Ibovespa tem pior pregão desde 2 de julho com possível intervenção na Síria

Apenas 3 de 71 ações do índice terminaram em alta; com maior aversão ao risco, ouro, Treasuries e petróleo disparam

SÃO PAULO - A tensão geopolítica fez com que os investidores fugissem dos ativos de risco nesta terça-feira (27), levando o Ibovespa a fechar em queda de 2,60%, aos 50.091 pontos - próximo ao patamar mínimo do dia, aos 51.429 pontos, representando um recuo de 2,75%. Esse é o pior pregão desde 2 de julho, quando caiu 4,24%. Em meio às preocupações do mercado, apenas 3 de 71 ações que compõem a carteira teórica do índice encerraram o dia no positivo. O volume financeiro movimentado no dia foi de R$ 7,320 bilhões. 

Com o forte rali apresentado anteriormente, qualquer referência negativa leva os investidores a realizarem os lucros, disse o estrategista do BB Investimentos, Hamilton Alves. "A bolsa brasileira estava muito 'esticada' sem motivo. No exterior, o ambiente estava nebuloso e continuamos subindo. Sem esse suporte lá fora, qualquer sinalização negativa derrubaria o Ibovespa, e é o que vemos no início dessa semana", explica. 

O cenário de maior aversão ao risco levou os investidores a buscarem ativos mais seguros, como ouro e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que subiram 1,64% e 2,54%, respectivamente. O petróleo também disparou, com investidores enxergando dificuldades de fornecimento da commodity dos países do Oriente Médio em caso de ataques à Síria, lembrando que o Iraque é o segundo maior produtor do mundo. O contrato de petróleo negociado nos EUA com vencimento em outubro, ou WTI, marcou alta de 3,06% e fechou a US$ 109,01 - patamar mais alto desde fevereiro de 2013 -, enquanto o petróleo tipo Brent, negociado em Londres, subiu 3,64%, indo para US$ 114,37.  

Os temores cresceram após reportagem do Financial Times informar que os Estados Unidos, Reino Unido e França estão avançando nos plano de atacar a Síria com mísseis, por 48 horas, ainda nesta semana. O presidente da Síria, Bashar al-Assad, advertiu Washington de que qualquer intervenção militar dos EUA na Síria irá fracassar. Ele também rejeitou alegações acidentais de que utilizou armas químicas contra rebeldes na última quarta-feira - o que levou à morte de mais de mil pessoas, segundo a oposição. 

OGX e imobiliárias lideram perdas
Em um dia extremamente negativo no mercado, mais de nove ações fecharam com queda superior a 4%. Lideraram o movimento, as ações da OGX Petróleo (OGXP3), que fecharam a sessão em queda de 14,81%, a R$ 0,69. O papel sofreu com a desistência da empresa de nove blocos ganhos na 11ª rodada de leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Com a desistência, a petroleira economizará US$ 280 milhões, em um momento em que enfrenta dificuldades financeiras e encontra resistência da malaia Petronas para fechar um negócio que injetaria recursos na empresa, avalia Deutsche Bank. No mesmo sentido, as demais ações do Grupo EBX que fazem parte do Ibovespa também fecharam em queda, como foi o caso de MMX Mineração (MMXM3, -5,09%, R$ 2,05) e LLX Logística (LLXL3, -4,65%, R$ 1,64).

Na sequência, apareceram os papéis das imobiliárias - PDG (PDGR3, -6,72%, R$ 2,22) e Brookfield (BISA3, -5,56%, R$ 1,70) - e BM&FBovespa (BVMF3, -5,13%, R$ 11,29). No caso da BM&FBovespa, pesou nas ações o corte de recomendação do Deutsche Bank nesta terça-feira para manutenção, assim como o preço-alvo, que foi de R$ 16 para R$ 12.

Do lado positivo, figuraram apenas as ações da Marfrig (MRFG3, +0,85%, R$ 5,90), as ordinárias da Oi (OIBR3, +0,49%, R$ 4,14) e CPFL Energia (CPFE3, +0,46%, R$ 19,49).

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,69 -14,81 -84,25 164,23M
 PDGR3 PDG REALT ON 2,22 -6,72 -32,93 79,81M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,70 -5,56 -50,29 13,08M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON ED 11,29 -5,13 -16,40 192,01M
 MMXM3 MMX MINER ON 2,05 -5,09 -53,93 25,19M



As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 5,90 +0,85 -30,42 29,89M
 OIBR3 OI ON 4,14 +0,49 -51,15 8,05M
 CPFE3 CPFL ENERGIA ON ED 19,49 +0,46 -5,09 21,53M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 31,73 -1,46 726,99M 799,61M 27.530 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,45 -4,07 511,05M 586,92M 33.106 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 28,10 -2,80 309,46M 363,91M 22.868 
 BBDC4 BRADESCO PN 26,90 -2,92 243,78M 225,62M 19.976 
 BBAS3 BRASIL ON ED 21,80 0,00 223,75M 162,53M 12.192 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Discursos e indicadores
Já na agenda econômica, os preços de moradias dos EUA em junho subiram 12,1%, ante expectativa de 12,0%. Já a confiança do consumidor subiu para 81,5 em agosto, ante expectativa de 77,0. Ainda por lá, ganha destaque o discurso do presidente do Fed de São Francisco, John Williams, e a participação do Secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, em um programa da rede CNBC. Os comentários de Lew ganham a atenção dos investidores após o secretário dizer que o  Tesouro atingirá seu limite de empréstimos em meados de outubro e que poderá ficar sem recursos para saldar suas dívidas a partir de então. 

Na Europa, os principais índices acionários fecharam no vermelho, não sendo motivados nem mesmo pelo aumento maior do que o esperado na confiança do empresário alemão, que subiu para sua máxima em 16 meses, com 107,5 em agosto, ante projeções de 107,1. Na Grã-Bretanha, dados também mostraram maior confiança e maior crescimento da atividade do setor de serviços desde 2007.

Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,23% na 3ª quadrissemana de agosto, ante alta de 0,17% no período anterior, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esta terça-feira marca também o início da reunião de dois dias do Copom (Comitê de Política Monetária), que pode trazer novidades quanto à taxa de juros Selic ao seu término. 

painel com cotações
(Divulgação)

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