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Ibovespa devolve ganhos recentes e fecha em queda de 0,9% com decepção na China

Dados da economia chinesa e norte-americana trouxeram maior aversão ao risco aos investidores; empresas "X" e imobiliárias lideram quedas

SÃO PAULO - O Ibovespa devolveu nesta quarta-feira (24) pequena parte do ganho acumulado de 7% dos últimos sete pregões com maior aversão ao risco dos investidores estrangeiros após a divulgação dos dados da economia chinesa e norte-americana. Soma-se a isso a alta na taxa de desemprego brasielira, que atingiu 6% - seu maior patamar desde abril de 2012 -, ante expectativa de estabilidade em 5,8%.

Com isso, o índice terminou o pregão em queda de 0,91%, a 48.374 pontos, após cair 1,68% na mínima do dia, a 47.998 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,519 bilhões. 

Com as recentes altas no índice, o analista de mercados do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves, credita a queda desta sessão principalmente à realização de lucros por parte dos investidores. "Os dados ruins na China impactam prioritariamente a Vale, mas acaba sendo um pretexto para os investidores embolsarem os lucros somados recentemente", explica. 

Embora tenha figurado no negativo durante boa parte desta sessão, as ações da Vale (VALE3; VALE5) minimizaram as perdas nesta tarde. Com isso, os papéis ordinários fecharam em queda de 0,34%, a R$ 31,91, depois de alcançarem queda de 1,37% na mínima do dia, a R$ 31,58, enquanto os preferenciais conseguiram encerrar em leve alta de 0,1%, a R$ 28,94, após cair 1,35% no intraday, a R$ 28,52. 

Além disso, Moreira comenta também que o Ibovespa, como normalmente ocorre, segue o desempenho do índice norte-americano Dow Jones, que abriu em alta e virou para queda em meio à temporada de resultados no país e aos dados melhores do que o esperado no setor imobiliário. "Mais uma vez, vemos que os indicadores positivos levam o mercado a especular sobre a possível retirada do programa de estímulos norte-americano e investidores reagem negativamente aos dados que indicam recuperação econômica no país", comenta.

Empresas "X" e imobiliárias puxam quedas
Entre as ações que compõem o Ibovespa, destaque para as quedas das ações das empresas "X", de Eike Batista. Os papéis da MMX Mineração (MMXM3) encerraram a sessão em baixa de 9,58%, sendo cotados a R$ 1,51, enquanto os da LLX Logística (LLXL3) caíram 4,0%, a R$ 0,96. Já as ações da OGX Petróleo (OGXP3) fecharam estáveis, sendo cotadas a R$ 0,54. Ainda entre as maiores quedas do índice, chamou atenção também os papéis das imobiliárias: Gafisa (GFSA3, -4,52%, R$ 2,96) e PDG Realty (PDGR3, -4,08%, R$ 1,88). 

Uma série de notícias envolvendo as empresas do Grupo EBX estiveram no radar desta quarta-feira. Segundo coluna Radar, da Veja, há um novo interessado na MMX - o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala -, além da suíça Glencore Xstrata e a holandesa Trafigura, assim como players brasileiros. 

Além disso, matéria publicada pela Folha de S. Paulo afirma que Eike estaria em busca de sócios que possam ajudar a reestruturar dívida da OGX, enquanto informações de O Estado de S. Paulo apontaram que o BNDES tem a receber pelo menos R$ 1,17 bilhão das empresas do grupo apenas em 2013, sendo outros R$ 683 milhões vencem no fim do ano. 

Ações da Oi lideram ganhos
Por outro lado, as ações Oi (OIBR3, +7,16%, R$ 4,94; OIBR4, +5,23%, R$ 4,63) lideraram  as altas desta sessão, depois de registrarem perdas de mais de 6% nos primeiros minutos de negociações desta sessão com a divulgação de que a empresa não irá pagar dividendos em agosto.

Segundo o estrategista Luis Gustavo Pereira, da FuturaInvest, o não pagamento de dividendos pela companhia já era amplamente esperado pelo mercado. Assim, "passado o susto inicial, os investidores passaram a analisar com mais frieza o comunicado da companhia". Para ele, os investidores podem precificar a melhora nas perspectivas de caixa da empresa e o seu maior comprometimento, uma vez que a companhia está vendendo seus ativos, de modo a reduzir o seu endividamento. 

Também completa a lista das maiores altas os papéis da Brookfield (BISA3, +3,53%, R$ 1,76), CCR (CCRO3, +1,21%, R$ 17,50) e Santander (SANB11, +1,21%, R$ 14,18). No caso do Santander, um operador ouvido pelo InfoMoney disse que o movimento, aparentemente, é corretivo, uma vez que o banco mantém uma performance bem abaixo dos principais players do setor no mercado nacional, Itaú Unibanco (ITUB4, -1,19%, R$ 28,96) e Bradesco (BBDC4, -1,47%, R$ 28,77). Desde o dia 8 de julho até a última sexta-feira, os papéis dos bancos subiram 8,13% e 6,17%, respectivamente, enquanto as ações do Santander avançaram apenas 0,69%

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 1,51 -9,58 -66,07 42,11M
 GFSA3 GAFISA ON 2,96 -4,52 -37,16 22,19M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,88 -4,08 -43,20 62,83M
 JBSS3 JBS ON 6,60 -4,07 +11,11 20,00M
 LLXL3 LLX LOG ON 0,96 -4,00 -60,00 11,08M


As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 OIBR3 OI ON 4,94 +7,16 -41,71 10,24M
 OIBR4 OI PN 4,63 +5,23 -39,15 76,37M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,76 +3,53 -48,54 19,33M
 CCRO3 CCR SA ON 17,50 +1,21 -9,76 63,95M
 SANB11 SANTANDER BR UNT N2 14,18 +1,21 -3,55 80,31M



As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 28,94 +0,10 388,82M 546,80M 19.938 
 PETR4 PETROBRAS PN 16,39 -0,12 387,13M 471,12M 30.552 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 28,96 -1,19 347,76M 353,94M 25.280 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 103,00 +0,45 217,28M 69,61M 5.428 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,77 -1,47 213,43M 268,68M 21.963 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)


PMIs repercutem nos mercados
Na Europa, os principais índices acionários apresentaram alta nesta sessão, impulsionados pelos resultados melhores do que o esperado nos PMIs (Purchasing Managers Index) divulgados nesta manhã. O índice referente ao setor industrial da zona do euro subiu de 48,8 para 50,1, superando as expectativas mercado, de 49,1 e atingindo sua máxima em 18 meses, com o resultado superando a marca de 50, que separa contração de expansão. Na Alemanha, o índice industrial também mostrou expansão, com 50,3 ante expectativa de alta para 49,3. Já na França o mesmo índice continuou mostrando contração, porém aproximando-se da marca, com 49,8 - as projeções do mercado apontavam 48,9 no mês.

Por outro lado, o PMI preliminar do HSBC mostrou recuo inesperado na indústria chinesa. Analistas esperavam que o índice subisse de 48,2 para 48,6, mas o resultado decepcionou as expectativas, com 47,7, menor nível em 11 meses.

Já nos EUA, assim como na Europa, o PMI industrial mostrou bom resultado, subindo para seu maior patamar em 4 meses. O índice registrou alta para 53,2 em julho, ante 51,9 apontados no mês anterior. Mas, segundo o Instituto Markit, que compila o índice, apesar da melhora, o desempenho da indústria dos EUA permanece abaixo do visto no início do ano, com menor demanda de países exportadores, principalmente China e alguns emergentes.

Resultados guiam Wall Street
Além do PMI, o desempenho dos principais índices acionários norte-americanos seguiram o tom ditado pela temporada de resultados. Enquanto o balanço acima do esperado do terceiro trimestre fiscal da Apple animou os investidores e ajudou a puxar o índice Nasdaq Composite, que agrega as ações de empresas de tecnologia, em 0,02%, o resultado abaixo do esperado da Caterpillar pesou sobre o Dow Jones, que caiu 0,17%.

A companhia industrial reportou queda em seu lucro líquido, com US$ 960 milhões ou US$ 1,45 por ação - no mesmo período de 2012 o lucro foi de US$ 1,7 bilhão, ou US$ 2,54 por ativo. Com queda de quase 16% em sua receita no período, a Caterpillar reduziu sua perspectiva para o resultado anual, creditando o fraco desempenho à redução de estoques de máquinas por parte de concessionárias independentes.

Ainda nos EUA, foram divulgados dados do setor imobiliário, com o MBA Mortgage Index caindo 1,2% até o dia 20 de julho, ante queda de 2,6% registradas no período anterior.

Já o New Home Sales, indicador que mensura a quantidade de novas casas vendidas nos EUA subiu mais do que o esperado, para 497 mil novas moradias, ante 483 mil esperadas. O dado mais forte, por sua vez, tem efeito negativo para o mercado porque pode levar o Federal Reserve a reduzir os estímulos à economia do país antes do que se imagina. 

painel com cotações
(Divulgação)

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