Pós-resultados: Anhanguera tem pior pregão desde 2011; Copel avança 6%

Light e Gol também operam em alta após a divulgação dos balanços de 2012; fora do índice, os ativos da Direcional recuam mais de 4%

Paula Barra

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SÃO PAULO – Em dia de recuperação do Ibovespa, chama atenção a movimentação dos papéis que divulgaram seus resultados desde a noite anterior. Ao todo, foram 8 empresas que apresentaram seus números, sendo elas: Gol (GOLL4), Light (LIGT3), Copel (CPLE6), Anhanguera (AEDU3), Direcional (DIRR3), Aliansce (ALSC3), Technos (TECN3) e JSL (JSLG3).

Ganha destaque a forte desvalorização de 7,05% dos papéis da Anhanguera, sendo cotados a R$ 33,47 às 15h51 (horário de Brasília) – representando seu pior pregão desde novembro de 2011, quando caiu 10,85%. Na mínima do dia, as ações atingiram queda de 10,27%, a R$ 32,31.

A Anhanguera viu as principais linhas de seu balanço – receita líquida, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido – mostrarem melhora na passagem do último trimestre de 2011 para 2012, mas a XP diz que o cancelamento de matrículas de alunos com restrição de crédito pesou no faturamento. Isso fez com que, apesar de crescer no período, esse crescimento tenha sido menor que o esperado. Todas as principais linhas do balanço vieram abaixo do estimado pelos analistas.

Viva do lucro de grandes empresas

Em relatório, eles explicam que a empresa foi prejudicada por um evento não recorrente, já que esse cancelamento de matrículas foi ocasionado por um imbróglio judicial, que impossibilitou o ingresso de muitos alunos via FIES, um programa de financiamento estudantil. Excluído esse efeito, a melhora no Ebitda, que foi de 3,4%, poderia ter sido de 30,8%, dizem.

Acompanho o movimento negativo do setor, as ações da Estácio (ESTC3) caíam no mesmo horário 2,73%, a R$ 43,18, mas chegaram a valer R$ 41,95 no pior patamar deste pregão, representando queda de 5,05%. A empresa divulgará seu resultado após o fechamento desta sessão.

Direcional: pior pregão desde agosto após balanço
Mesmo com resultados fortes, os papéis da Direcional registram desvalorização de 4,16% neste pregão, a R$ 14,76 – pior pregão desde agosto do ano passado. Na mínima, as ações atingiram queda de 7,86%, a R$ 14,19.

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A empresa mostrou um lucro líquido ajustado pelo plano de opções de ações de R$ 65,93 milhões, valor 37,6% maior que o visto no último trimestre de 2011. Essa melhora foi acompanhada de uma alta de 16,3% na receita líquida, que atingiu R$ 344,1 milhões, e de 16,9% no Ebitda ajustado, que chegou a R$ 74,7 milhões. 

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o resultado veio bom, e mostrou que a empresa continua aumentando suas atividades no programa Minha Casa, Minha Vida – que foi responsável por 87,5% de todas as vendas contratadas da companhia no quarto trimestre, em comparação com 71,7% no terceiro trimestre. 

Essa mudança, avaliam, é importante por duas razões: a estrutura do programa Minha Casa, Minha Vida permite acesso simples ao financiamento barato e fornece uma velocidade de vendas muito acima de construção e incorporação normal; e o nível de preços em que a Direcional opera dentro do programa, especificamente a faixa I, também beneficia na redução de impostos que se aplicam a unidades de até R$ 100 mil.

Ação da Copel chega a subir mais de 7%
Do lado positivo, ganha destaque as ações da Copel, que sobem 5,86%, sendo cotadas a R$ 29,61. Na máxima do dia, os papéis atingiram valorização de 7,29%, a R$ 30,01.

A empresa revelou uma queda de 38,3% em seu lucro líquido para o acumulado de 2012. Segundo a empresa, os números foram pressionados pela revisão tarifária, com um impacto de R$ 236,6 milhões, e por encargos quanto ao progrma de demissão voluntária, que afetaram a empresa em R$ 111,4 milhões.

Apesar do avanço das ações, os números da companhia vieram abaixo do esperado pelos analistas. Em relatório, a equipe da Planner Corretora atribuiu a queda no lucro aos efeitos do 3º ciclo de revisão tarifária e pela adesão de 790 empregados ao PSDV (Programa de Sucessão e Desligamento Voluntário).

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Light sobe após lucro crescer 21% no 4° tri
No mesmo sentido, o
s papéis da Light sobem 1,98%, a R$ 19,05, e atingiram na máxima do dia valorização de 4,28%, sendo cotadas a R$ 19,48. 

O lucro líquido da empresa cresceu 21,3% entre os meses de outubro e dezembro, para R$ 160 milhões, enquanto a receita líquida expandiu 19,2% no período, para R$ 2,162 bilhões.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, os números se mostraram bem superiores ao esperado, embora caiba a ressalva de que o resultado foi positivamente impactado pelo efeito valor novo de reposição, definido pelo governo.

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Diante dos bons números, o analista Vladimir Pinto, do Bradesco, vê continuidade de balanço forte no primeiro trimestre de 2013, na expectativa do aumento sazonal do volume de vendas no período e efeito positivo no caixa em função das medidas do governo sobre o mercado spot.

Gol reverte perdas e sobe quase 2%
A Gol (GOLL4), por sua vez, viu seus papéis caírem 3,40% no início da sessão, a R$ 11,37, mas poucas horas depois recuperaram as perdas e passaram para ganhos de 3,06% na máxima do dia, a R$ 12,13. Agora, os papéis registravam alta de 1,87%, a R$ 11,99. 

A companhia aérea viu uma piora em todos os seus principais números no período. Com uma receita líquida de R$ 2,12 bilhões no último trimestre de 2012, o número é 5,1% menor que o visto no mesmo período de 2011. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) passou de R$ 90,4 milhões para perdas de R$ 210,1 milhões, enquanto o lucro de R$ 54,3 milhões se transformou em perdas de R$ 447,1 milhões.

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De acordo com a equipe de análise da XP Investimentos, o resultado foi negativo. Se, por um lado, a empresa reduziu a oferta significativamente durante o trimestre, aumentando sua taxa de ocupação, isso não resultou em uma mudança muito forte no RASK (receita por assento-quilômetro oferecido).

Aliansce lucra quase 74% mais
Já a Aliansce as ações da Aliansce registra perdas de 0,22%, a R$ 22,95. A companhia anunciou o resultado do quarto trimestre, reportando um lucro líquido de R$ 44,7 milhões no período, 73,8% maior na comparação ao mesmo período do ano anterior.

Em 2012, o lucro atingiu R$ 129,5 milhões, 40,6% maior frente ao ano anterior. Já a receita líquida alcançou R$ 357,2 milhões em 2012, sendo R$ 105,6 milhões nos últimos três meses do ano passado, uma alta de 40,2%.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou R$253,3 milhões em 2012, um aumento de 33,0% em relação a 2011, atingindo uma margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) de 70,9% no ano.

JSL aumenta o lucro em 22,5%
A operadora de logística JSL também foi marcada por uma melhora. Ela fechou o quarto trimestre de 2012 com lucro líquido consolidado de R$ 18,4 milhões, aumento de 22,5% em relação ao mesmo período de 2011. Em base igual de comparação, a receita líquida cresceu 55,1%, para R$ 1,097 bilhão. Entranto, as ações da companhia operam em queda de 1,82%, a R$ 16,20. 

O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), por sua vez, registrou crescimento de 9,2% no trimestre, para R$ 140,6 milhões, e a margem Ebitda (Receita Líquida/Ebitda) caiu de 18,2% para 12,8%.

Despesas pressionam e Technos lucra menos em 2012
Por fim, o lucro líquido da fabricante de relógios Technos caiu 18,5% no quarto trimestre de 2012 frente ao mesmo período de 2011, indo para R$ 21,6 milhões, enquanto a receita líquida aumentou 23,4% entre os meses de outubro e dezembro, para R$ 110,3 milhões. As ações da companhia caem 1,76%, a R$ 25,15.

As despesas com vendas saltaram 42,9%, para R$ 22,4 milhões, devido a gastos com publicidade e crescimento da área de franquias, de acordo com a empresa. A base de comparação, contudo, foi prejudicada, pois, nos últimos três meses de 2011 houve uma reversão de provisões fiscais de R$ 24,1 milhões, o que resultou em uma receita contábil extraordinária que não se repetiu no ano passado.