Duas small caps disparam até 16% entre fusão e venda de shopping; Eletrobras salta 5% de olho em privatização

Confira os destaques de ações da Bolsa do último pregão do ano

 28 dez, 2017 06h51

Por: Paula Barra

SÃO PAULO - O Ibovespa subiu pelo sexto pregão nesta quinta-feira (28), na sua maior sequência de ganhos desde maio e fechou 2017 com alta de 26,86%, nos 76.402 pontos, a 1.622 pontos de sua máxima histórica (78.024 pontos). Esse foi o segundo ano seguido de alta do índice, algo que não ocorria desde 2009-2010. No biênio (2016-2017), a alta é de 76% (veja aqui uma retrospectiva do ano e o que esperar da Bolsa em 2018).

Entre as maiores altas do índice, 5 ações subiram mais de 100% no período: Usiminas (+122%), Estácio (+111%), Rumo (+111%), Localiza (+106%) e Bradespar (+105%). Do outro lado, apenas 9 das 59 ações que compõem a carteira teórica do índice encerraram no negativo. As 3 piores ações foram: BRF (-24%), CSN (-23%) e CPFL Energia (-23%). 

No especial ações, do Guia Onde Investir 2018, o editor-chefe do Infomoney, o analista Thiago Salomão, diz que Usiminas deve continuar sendo uma das grandes apostas na Bolsa para o ano que vem, mas por que prefere ter uma posição em Fibria (empresa exportadora), ação que pode segurar uma onda de aversão ao risco caso a avaliação positiva sobre a economia brasileira não se concretize (veja aqui a análise completa). 

Confira os principais destaques da Bolsa desta sessão:

Locamerica (LCAM3, R$ 19,20,  +12,22%)
A Locamerica dispara após anunciar que acertou a compra da Unidas em dinheiro e troca de ações. Os  Controladores da Locamerica e os acionistas da Unidas, Vinci Capital Partners, Kinea, Gavea, Principal – Gestão de Activos e Consultoria Administrativa e Financeira e Enterprise Holdings Brazil, além de Fitpart Capital Partners assinaram acordo de investimento para combinação de negócios entre Unidas e Locamerica, segundo fato relevante. A assinatura do acordo de investimento foi aprovada pelos conselhos de Unidas e Locamerica. 

A operação será implementada em duas etapas distintas, mas simultâneas:
 Vinci, Kinea e Gávea venderão a totalidade e a Principal venderá parte das ações da Unidas, com a Locamerica comprando 40,3% do capital social da Unidas por R$ 398,6 milhões e Fitpart. A Capital Partners ficando com 9,4% do capital social, por R$ 92,9 milhões. A Locamerica incorporará a totalidade das ações da Unidas,
sendo que cada 1 ação ON da Unidas será substituída por 1,059096 ação ON da Locamerica.  Com isso, Locamerica emitirá em favor de Principal, Enterprise e Fitpart 34,5 milhões de ações ON, representativas de 29,90% do seu capital social. A Principal e Enterprise passarão a integrar o bloco de controle da Locamerica. 

"A operação permitirá que as empresas tenham uma plataforma completa para
atendimento aos seus clientes, que incluirá todos os serviços disponíveis no
mercado de locação de veículos, terceirização e gestão de frotas. O posicionamento competitivo também será fortalecido com a ampliação da cobertura geográfica das empresas. Espera-se que a combinação dos negócios capture significativas sinergias operacionais, administrativas e econômico-financeiras bem como da otimização da estrutura de capital das companhias, tornando a Locamerica-Unidas a segunda maior empresa do país no segmento e consolidando efetivamente a liderança do grupo no segmento de terceirização de frotas.
A complementariedade de dois times bem preparados e especializados nos seus
mercados de atuação tem como objetivo a maximização dos retornos das
companhias e a melhoria do atendimento aos seus clientes", informa a empresa.

Após a conclusão da operação, a Locamerica-Unidas contará com uma escala
diferenciada com mais de 100.000 carros, 234 lojas de locação de veículos, 72 lojas
de seminovos e presença em todos os estados e no Distrito Federal.

"A pretendida combinação de negócios possibilitará uma conexão internacional,
considerando que a Unidas é a franqueada master no Brasil do maior grupo de
locação do mundo, a Enterprise (franqueadora das marcas Alamo, Enterprise e
National), com a possibilidade de acesso às melhores práticas do segmento.
Adicionalmente, os clientes da Locamerica passarão a ter acesso a uma rede de
atendimento de aluguel de carros global".

A operação estará condicionada à aprovação pelo Cade, além de outras condições previstas no acordo de investimento. Itaú BBA e Machado Meyer Sendacz Opice Advogados assessoraram Locamerica. JPMorgan e o Lefosse Advogados assessoraram Unidas e acionistas. Trench Rossi Watanabe Advogados assessorou Enterprise. 

Petrobras (PETR3, R$ 16,91, +0,89%; PETR4, R$ 16,10, +0,31%)
A Petrobras subiu seguindo o movimento do petróleo, que registrou em leves ganhos nesta quinta-feira. 

No radar, a empresa informou que realizou, em dezembro, o pré-pagamento de US$ 5,1 bilhões em dívidas bancárias. Segundo a empresa, os desembolsos foram feitos diretamente ou por meio de suas controladas para credores como BNDES, Morgan Stanley, Santander, JP Morgan, HSBC e mais 5 bancos.

Do total pago, 72% estavam previstos para serem amortizados ao longo de 2018 e 2019. "Essas operações concluem a estratégia de gerenciamento de dívidas realizada ao longo de 2017, em que foram captados US$ 26,1 bilhões, pré-pagos US$ 28,2 bilhões e repactuados US$ 9,7 bilhões", disse a estatal.

Além disso, a petrolífera, após anunciar alta de 0,9% do diesel e manutenção do preço da gasolina na noite de quarta (e válido para esta quinta), comunicou novo reajuste, válido para sexta-feira (29). A Petrobras anunciou  aumentos de 1,1% no preço do diesel e de 1,7% no preço da gasolina comercializados nas refinarias. 

Smiles (SMLS3, R$ 75,90, +2,15%)
A Smiles anunciou reajustes nos preços de transferência das passagens-padrão e das milhas vendidas para a Gol. Segundo fato relevante, os valores serão reduzidos em 0,6% e 1,5%, respectivamente.

A companhia disse ainda que os novos valores entrarão em vigor a partir de 1º de janeiro e que o ajuste levou em conta a metodologia prevista em contrato firmado entre as partes em 2012.

"A administração acredita que tais procedimentos foram suficientes e adequados para garantir a comutatividade da operação e o cumprimento adequado do contrato", afirmou a Smiles em referência ao acompanhamento da redução por comitê independente.

Segundo o BTG Pactual, o movimento mostra a eficiência da companhia em administrar resgates em vôos de "load factor" (taxa de ocupação das aeronaves) menores, além de mostrar que o negócio da companhia é complementar (e não competitivo) com a Gol. Em resumo, "a notícia é positiva para a empresa e mantemos visão otimista para o papel, em cima de forte perspectiva de crescimento de faturamento e potencial de expansão do LPA (Lucro Por Ação) em 2018", comentaram. Eles reiteraram recomendação de compra para a ação, estimando um "dividend yield" (dividendos sobre preço da ação) de 7,5% para o ano que vem. 

Já os analistas do Itaú BBA comentaram que o ajuste de preços é uma notícia positiva para a empresa, apontando que os novos preços apoiarão os esforços da empresa para atingir seu objetivo de margem bruta de resgate de 40%. 

Vale (VALE3, R$ 40,26, +1,00%)
As ações da Vale subiram e ultrapassaram o patamar dos R$ 40,00, seguindo o desempenho do minério de ferro, com o contrato futuro negociado na Bolsa de Dalian em alta de 0,19%, a 518,5 iuanes. Outras mineradoras também registram ganhos nos principais índices internacionais. 

No radar da companhia, na quarta-feira, o ministro da Secretaria-Geral, Moreira Franco, disse que já estão sendo feitas negociações com a Vale, visando a construção de uma ferrovia que ligará o porto de Açu ao Rio de Janeiro e Vitória (ES). “O objetivo é esse. Depois de muitas conversas com a Vale, creio que no próximo ano estaremos com esse problema resolvido. Para nós, ferrovia é irmã siamesa de porto”.

Moreira Franco lembrou que a região da ZPE é “uma das regiões mais ricas do Rio e, talvez, do país, mas que, com o tempo, foi perdendo vitalidade”. “Esse empreendimento encontra ambiente cultural e social muito apropriado e alinhado com o que estamos vendo hoje aqui. Sem dúvida, este será um dos maiores portos do Brasil”, acrescentou, destacando a criação de empregos que deverá ser gerada com as indústrias que vão se instalar na região.

O ministro destacou que, devido às muitas conversas já realizadas com a Vale, será possível fechar essa parceria já no próximo ano.

As ZPEs são áreas de livre comércio com o exterior destinadas à instalação de empresas com produção voltada à exportação, instituídas com o objetivo de fortalecer a balança de pagamentos, atrair investimentos estrangeiros, fortalecer a competitividade das exportações brasileiras, gerar emprego e difundir novas tecnologias no país.

Eletrobras (ELET3, R$ 19,34, +5,22%;ELET6, R$ 22,70, +4,61%)
As ações da Eletrobras reverteram perdas ao longo da sessão e fecharam em alta de 5% após o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, afirmar que a Medida Provisória do setor elétrico assinada nesta quinta-feira inicia privatização da companhia.

A Assembleia Geral da Eletrobras para deliberação da venda do controle acionário de 6 distribuidoras deverá ser realizada até 8 de fevereiro de 2018, segundo resolução da Secretaria Geral do governo e do Ministério de Minas e Energia publicada no Diário Oficial. O prazo anterior estabelecia que a assembleia deveria ocorrer até esta sexta-feira, dia 29 de dezembro.

O Conselho do Programa de Parcerias de Investimento publicou, em setembro, regras básicas do processo de desestatização de seis distribuidoras da Eletrobras das regiões norte e nordeste: Boa Vista Energia, Ceron, Eletroacre, Ceal, Cepisa e Amazonas Distribuidora de Energia. A privatização das distribuidoras de energia depende de aprovação do modelo de leilão durante reunião de acionistas da Eletrobras.

Usiminas (USIM5, R$ 9,10, 0,0%)
O Valor Econômico informa que a Usiminas está com um obstáculo no caminho para consolidar sua saúde operacional e financeira. O conselho de administração da companhia vai discutir no ano que vem se muda ou não o contrato de compra e venda que tem firmado com a Unigal, unidade de galvanização a quente localizada em sua unidade de Ipatinga (MG), mas que não controla integralmente. Segundo apurou o jornal, o tema também põe os dois principais acionistas da siderúrgica - Nippon Steel & Sumitomo e Ternium - em lados opostos.

Representantes da Nippon Steel no conselho da Usiminas são contrários a mudança do contrato. Mas outro motivo, segundo uma fonte disse ao jornal, é que a Nippon Steel vê o assunto como mais uma ofensiva da sócia na Usiminas, a Ternium, do grupo ítalo-argentino Techint.

Ecorodovias (ECOR3, R$ 12,30, +0,65%)
A Ecosul, do Grupo EcoRodovias, obteve aval para reajustes que entram em vigor em 1 de janeiro de 2018, segundo resolução da ANTT publicada no Diário Oficial.
A tarifa de pedágio para automóvel, caminhonete e furgão passa de R$ 10,70 para R$ 11,40. A companhia administra as Rodovias BR-116/RS e BR-392/RS (complexo
rodoviário Polo de Pelotas/RS). 

Além disso, a companhia, por meio da controlada Ecorodovias Concessões e Serviços, comprou 42% do capital social da Eco101 detidos pela Centaurus e Grant Concessões e Participações. Como ela já tinha 58% do capital da Eco101, com a aquisição da fatia de 42%, passa a deter 100% da Eco101. As parcelas serão corrigidas a partir de agosto de 2017 pelo IPCA, com dois anos de carência a partir da data de assinatura do contrato. A conclusão está sujeita à verificação de condições precedentes, incluindo comunicação prévia à ANTT, aprovação do BNDES e do Cade. 

Light (LIGT3, R$ 16,69, +2,39%)
A Light disse que encerrou a distribuição pública, com esforços restritos, da 4ª emissão de notas promissórias comerciais. Segundo a empresa, foram colocados 1.600 papéis em série única, com valor unitário de R$ 250 mil, totalizando R$ 400 milhões.

O prazo dos títulos é de, no mínimo, 361 dias e, no máximo, 397, sendo que todas as notas vencerão em 22 de janeiro de 2019. Os recursos obtidos com a operação serão destinados ao reforço de capital de giro das operações da Light.

CCX (CCXC3, R$ 0,63, 0,0%)
Questionada pela CVM, após suas ações serem negociadas abaixo de R$ 1,00 entre 30 de outubro e 13 de dezembro, a CCX informou um calendário para realizar o grupamento de suas ações, de forma de deixar de valer centavos e correr o risco de ser expulsa da B3.

Segundo a empresa, será feita uma reunião do conselho até o dia 28 de março para convocação de Assembleia Geral, que deverá ser realizada até 27 de abril. Nesta assembleia deverá ser votado o grupamento das ações da CCX na proporção de 10 para 1.

General Shopping (GSHP3, R$ 5,71, +16,53%)
A General Shopping vendeu 70% da participação no Internacional Shopping, localizado em Guarulhos (SP), pelo preço total de R$ 937 milhões para a Gazit Brasil, em dinheiro.  

A General Shopping detinha 90% do Internacional Shopping, com área bruta locável própria de 69.372 metros quadrados, de um total de 77.080 m2. Em fato relevante divulgado na manhã desta quinta, a empresa explica que sua controlada Levian Participações e Empreendimentos Ltda. assinou compromisso de compra e venda com o Cascais Fundo de Investimento Imobiliário, e que após o cumprimento de determinadas condições, passará a deter participação indireta equivalente a 20%.

CCR (CCRO3, R$ 16,15, +0,06%)
A Coluna Painel, da Folha de S. Paulo, informa que o TCU decidiu suspender portaria do Ministério dos Transportes que reabriu o aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para voos entre Estados. Com a ordem, a Pampulha deverá operar apenas voos executivos e regionais até que o plenário da corte decida sobre o mérito do embate.

Na época da reabertura, houve reclamações entre os acionistas privados de Confins, o grupo CCR e a operadora do aeroporto de Zurique. Eles acusaram o governo de descumprir contrato e desorganizar o setor, criando uma concorrência que colocaria em risco investimentos já feitos. 

Veja mais em: Vamos brigar contra decisão do governo sobre aeroporto de Pampulha, diz RI da CCR em teleconferência 

Novo Ibovespa
A terceira e última prévia da carteira do Ibovespa divulgada nesta quinta-feira (28) trouxe de volta as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 7,32, +2,95%), após elas terem ficado de fora da carteira divulgada em 18 de dezembro, segundo informação da B3.

A carteira que passará a valer de janeiro a abril contará com cinco novas empresas: Fleury (FLRY3, R$ 29,61, +2,81%), Magazine Luiza (MGLU3, R$ 80,22, +3,78%), Iguatemi (IGTA3, R$ 39,39, +2,87%), Via Varejo (VVAR11, R$ 24,47, +0,16%) e Sanepar (SAPR11, R$ 59,90, +1,92%). Com isso, a nova composição do índice, contará com 64 ações.  

A despeito da entrada do Ibovespa, vale destacar que Magazine Luiza e Via Varejo registram novo dia de ganhos na esteira dos dados positivos de vendas no Natal, com a consultoria Ebit apontando crescimento de 13% do e-commerce na data comemorativa, o que também sustenta a alta de ações como a B2W (BTOW3, R$ 20,98, +2,49%).  "Esse dado  sustenta nossa leitura altista para o setor e tendência secular de crescimento. Entendemos que um pequeno grupo de empresas devem concentrar crescimento nos próximos anos, sendo elas Magazine Luiza, B2W, Via Varejo e Mercado Livre. Magazine Luiza e B2W seriam os melhores veículos para exposição aqui, com 2018 sendo melhor que 2017", afirma o BTG Pactual. 

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