Por João Sandrini Em carreira / gestao-e-lideranca  13 jun, 2013 09h01

6 momentos marcantes na carreira de André Esteves (e o que aprender com eles)

O banqueiro consegui o emprego no Pactual ainda quando estava na faculdade por meio de anúncio no jornal

Por João Sandrini Em carreira / gestao-e-lideranca  13 jun, 2013 09h01

SÃO PAULO - O banqueiro André Esteves tem uma das carreiras mais fulminantes do mercado financeiro. Em palestra Expert 2013, o congresso anual promovido pela XP Investimentos no último final de semana, ele lembrou alguns dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional, passando de estagiário a sócio-controlador do BTG Pactual. Confira:

Mudar de emprego para ganhar menos não é necessariamente uma má ideia
Quando estudava Matemática na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), um anúncio no jornal de um banco que estava à procura de um estagiário lhe chamou atenção. Esse banco era o Pactual, hoje BTG Pactual. Esteves afirma que, na época, nem sabia o que um banco de investimentos fazia, mas achou que aquele negócio “tinha bossa”.

As instalações do banco não eram impressionantes, mas o pessoal era jovem, usava terno, parecia ter dinheiro, havia se formado em boas faculdades, tinham bom senso e falava em meritocracia e em premiar quem se destacava. Ele gostou de tudo que ouviu no banco e decidiu que mudaria de emprego mesmo com um salário fixo menor que o que recebia até então. Esteves decidiu contar para sua mãe, que trocaria o emprego na faculdade pelo banco. Para convencê-la, ele argumentou que havia a possibilidade de receber bônus semestrais e, no futuro, comprar ações e virar sócio do banco. A resposta dela: “Filho, você vai acreditar em banqueiro?”. Mesmo com o ceticismo familiar, ele foi em frente e começou a trabalhar no Pactual.

A única certeza que a gente tem é que haverá dificuldades
Durante o final de semana antes de começar a trabalhar, Esteves estudou a melhor rota para se deslocar do Fundão, onde fica a UFRJ, para o Centro do Rio, onde estava o Pactual. A melhor ideia foi ir de carro até uma estação do metrô, deixar o veículo ali e ir até o Centro de transporte público. A estratégia deu certo, ele chegou ao banco no horário combinado, mas, na volta, não encontrou seu carro no local onde o havia deixado. “Roubaram meu carro, mas esqueceram de roubar as dívidas, já que o veículo havia sido financiado. Tive 100% de prejuízo no meu primeiro dia no mercado financeiro”, diz. Sobre o episódio, ele afirma que "a única certeza que se tem é que haverá dificuldades. É preciso ter motivação e olhar para frente para vencê-las.”

Aproveite as oportunidades para se destacar
A primeira missão de Esteves no Pactual foi trabalhar na área de sistemas de bolsa. Ele teria de desenvolver uma ferramenta capaz de mostrar aos clientes o saldo de suas posições diariamente. A pessoa que ficou a cargo de treiná-lo estava temporariamente na função, não sabia exatamente o que fazer e sairia do banco dentro de poucos dias. Para piorar, um problema de tecnologia fez com que o banco de dados dos clientes sumisse – sem que houvesse backup.

Como o então chefe de Esteves, o hoje bastante conhecido André Jakurski, da gestora de recursos JGP, tinha fama de bravo, Esteves passou a madrugada no banco digitando as posições de custódia de cada um dos clientes – a sorte é que eram apenas uns 100. Pela manhã, os relatórios estavam na mesa de Jakurski. Nos dias seguintes, Esteves repetiu esse trabalho, mas não conseguia sair do banco antes da meia-noite. Ele sabia, entretanto, que era impossível continuar nesse ritmo. A solução foi trabalhar também aos finais de semana para desenvolver um sistema mais automatizado que o livraria daquela chateação. A ferramenta demorou uns seis meses para ficar pronta. Um dia ele encontrou Jakurski nos corredores do banco e ele lhe falou: “Você que arrumou o sistema, né? Eu sabia que isso era fácil de resolver.”

Ter de aprender tudo de novo é bom
Esteves construiu uma boa reputação no banco ao conseguir criar um novo sistema para informar as posições de custódia aos clientes. Um ano depois, ele foi convidado para trabalhar na mesa de operações de renda fixa. Inicialmente, ele diz que ficou meio decepcionado porque não sabia nada de finanças e teria que aprender do zero tudo de novo. Mas resolveu ir adiante – afinal, estavam lhe oferecendo uma oportunidade de crescer na carreira. Eduardo Plass, futuro presidente do Pactual e chefe de Esteves na época, não o estimulou a trocar de área. Ele dizia a Esteves que ele não entendia daquele negócio e correria o risco de ser demitido. Mas Esteves foi mesmo assim.

Não entre em pânico
Com toda aquela pressão, Esteves passou o final de semana estudando e chegou ao banco no dia seguinte mostrando muita vontade de trabalhar. Em seu primeiro dia na nova função, entretanto, foi anunciado o Plano Collor, que praticamente paralisou as operações de mercado aberto no País. Esteves logo percebeu que havia ali na mesa uns oito operadores de renda fixa, todos mais experientes do que ele, e que não tinha nada para eles fazerem ali. O medo da demissão passou a assombrá-lo. Como alternativa às operações de mercado aberto, no entanto, haviam surgido os FAF (Fundo de Aplicação Financeira). O problema é que, nesses fundos, o risco também fica com o banco, e não só com o investidor. Numa discussão interna do banco sobre o produto, Esteves, que andava estudando legislação, propôs que o banco criasse um fundo de fundos ao mexer com FAF. Dessa forma, o risco ficaria não com o gestor do fundo de fundos – mas com o gestor do fundo, um terceiro. O chefe gostou e ele mesmo foi encarregado de criar o produto - podendo respirar aliviado porque teria um emprego por mais tempo. Os FAF marcaram a criação da Pactual Asset Management, que hoje tem US$ 120 bilhões sob gestão.

Cometa erros, mas não quando estiver pilotando um avião
Esteves acredita que, para progredir, uma pessoa tem que correr riscos. Agora, para que a ascensão seja consistente, esses riscos precisam ser muito bem calculados. O erro vai acontecer, é inevitável. O BTG Pactual tem internamente uma “psicologia boa” de não recriminar as pessoas pelos erros – pelo contrário, incentiva as pessoas a aprender com eles. O que ninguém pode cometer é um erro enquanto está “pilotando um avião”, diz.

Sobre seu maior erro, Esteves conta que foi ter vendido o Pactual para o UBS. Em tese, o negócio parecia fazer sentido. Ele teria uma participação menor, mas em um negócio muito maior – o UBS é o maior banco da Suíça. O Pactual ganharia acesso a investidores ao redor do mundo pela rede de distribuição do UBS. Mas tudo deu errado. Esteves admite que teve muita sorte de reverter o rumo das coisas e conseguir recomprar o banco dos suíços anos depois.

Andre Esteves - BTG
(Reprodução IMTV)

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