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Média salarial fica 2,3% mais baixa com terceirização, segundo estudo da USP  

Cálculo do estudo foi baseado em dados de cerca de 13 milhões de trabalhadores contidos na Rais, do Ministério do Trabalho, entre 2007 e 2014

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – A lei da terceirização foi sancionada pelo presidente Michel Temer em março e regulamentou a prática que permite que as empresas do país terceirizem todas as atividades, incluindo as atividades-fim. Antes, só era permitido terceirizar as atividades-meio, como segurança e limpeza de prédios comerciais. Mas com a alteração, companhias podem terceirizar sua principal função: uma escola pode ter professores terceirizados, por exemplo.

A medida polêmica vem sendo acompanhada de perto, e um estudo desenvolvido pela USP mostra que os impactos da terceirização não estão sendo positivos, por enquanto. Coordenada por Hélio Zylberstajn (FEA-USP), Eduardo Zylberstajn (EESP-FGV) e Guilherme Stein (Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser), a pesquisa mostra que o empregado que passou para uma empresa terceirizada teve uma queda salarial de 2,3%.

A estimativa do governo é que a reforma trabalhista e a terceirização gerem ganho de eficiência na economia que pode levar à criação de 6 milhões de empregos em um período entre três a cinco anos.

O cálculo do estudo foi baseado em dados de cerca de 13 milhões de trabalhadores contidos na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, entre 2007 e 2014. Além disso, os pesquisadores elaboraram uma lista de profissões que são “são tipicamente terceirizáveis, tais como: porteiros, vigias e afins; operadores de telemarketing; trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações (que inclui, entre outros, faxineiros) ” e só entraram na conta profissionais que saíram de um contrato CLT para trabalhar em uma função semelhante como terceirizados.

Na prática, Zylberstajn afirma que o objetivo do estudo “foi medir a diferença salarial entre terceirizados e não terceirizados. O resultado mostrou que os terceirizados ganham menos, mas a diferença é muito pequena”, afirma o economista.

Segundo o estudo, há muita heterogeneidade em relação a diferença salarial. “Nosso resultado contradiz a tese da “precarização”, segundo a qual a terceirização rebaixaria os salários em 25%”, afirma Zylberstajn.

Além disso, segundo ele, os sindicatos estimam que haveria 13 milhões de terceirizados no Brasil. Porém, o estudo mostrou que são cerca de 3 milhões de pessoas nessa categoria, que representa 6% dos 50 milhões de trabalhadores formais que atualmente são terceirizados, bem menos do que o contabilizado.

E mesmo com a reforma trabalhista, que entra em vigor daqui dois meses, o economista ressalta que a mesma “não terá nenhum impacto nesse diferencial salarial”, considerado bem baixo pelo especialista.

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