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Executivos da Kroton tiveram uma hora para lamentar fracasso na fusão: agora é pensar no futuro

Após fracasso na fusão, Kroton foca em pequenas compras e em tecnologia 

(Bloomberg) -- Levou menos de 12 horas para a maior empresa de educação do mundo recuperar-se da ressaca do fracasso de uma mega-fusão. Na manhã seguinte em que o Cade rejeitou a sua proposta de aquisição da rival Estácio (ESTC3), por US$ 1,8 bilhão, a Kroton (KROT3) tinha 73 executivos reunidos em uma sala para discutir o plano estratégico da cia. Eles tiveram uma hora para fazer perguntas, discutir e lamentar.

"Depois dessa hora, foi página virada; era hora de pensar no futuro", disse o CEO da Kroton, Rodrigo Galindo, cerca de um mês depois do ocorrido.

"A gente nem cogitou recorrer da decisão do Cade, ou judicializar a questão, embora a gente continue tendo a convicção de que, tecnicamente, tínhamos todos os elementos para que o negócio fosse aprovado".

A elaboração do plano estratégico para traçar um futuro, sem a Estácio e seus meio milhão de alunos começou naquele dia e continua até o fim do ano.

Galindo está focado no crescimento orgânico da educação online, pequenas aquisições no ensino presencial e expansão no ensino básico. O CEO também quer focar em tecnologia e nos programas de financiamento estudantil para ficar ainda menos dependente do Fies.

Em uma longa entrevista na sede da Kroton, Galindo descreveu algumas das estratégias que pretende adotar:

Ensino básico
Kroton planeja comprar colégios com marcas fortes e possibilidade de expansão, focando nas faixas de mensalidade em torno de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 por mês. Setor é muito pulverizado e tem enorme potencial de crescimento, diz Galindo.

Universidades
"A gente volta para a mesa para fazer aquisições em ensino presencial, mas com outro escopo. Provavelmente em instituições de pequeno e médio porte em cidades que a gente ainda não opera, porque daí a gente não teria problema concorrencial.”

Ensino Online
Educação à distância é o maior foco da Kroton, que pretende abrir 200 polos por ano até, pelo menos, 2019 - o máximo permitido por lei. Atualmente, cia. tem 910 centros e, em janeiro, esse número irá para 1.310. Expansão focada em crescimento orgânico, sem aquisições, novamente para evitar problemas com o Cade.

Educação continuada
Inclui cursos de pós-graduação, preparatórios para concurso público, OAB etc. Kroton estima que este mercado em R$ 6 bilhões. Também acredita que pode multiplicar por 6 sua receita em 7 anos.

 

Material escolar - Bloomberg
(Patrick Fallon)

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