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Petrobras "perde" R$ 18 bi após resultado, mas analistas têm 5 bons motivos para seguirem otimistas

Sim, há algumas incertezas no radar - mas a Petrobras vem entregando o que promete e há muitos catalisadores pela frente, avaliam analistas

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3PETR4) conseguiu lucrar no terceiro trimestre de 2017 após registrar o terceiro maior prejuízo da história, de R$ 16,5 bilhões, no mesmo período do ano passado. Contudo, o número decepcionou, uma vez que, segundo o consenso de analistas consultados pela Bloomberg, a expectativa era por um número de R$ 3,5 bilhões - e eles foram de R$ 266 milhões.

As ações ordinárias da companhia fecharam com queda de 8,18%, cotadas a R$ 16,05, enquanto os papéis preferenciais recuaram 7,75%, para R$ 15,35. Com isso, a estatal perdeu R$ 17,87 bilhões de valor de mercado apenas neste pregão.

Os número em si não foram ruins - e os analistas reiteraram isto -, mas em uma sessão bastante negativa para o mercado, com o Ibovespa fechando em sua mínima desde 23 de agosto, junto com a forte queda do petróleo no exterior, a Petrobras acabou seguindo o que foi visto com outras ações, caindo pelo noticiário e pela simples falta de algo surpreendentemente bom no balanço.

O resultado foi considerado morno e sem grandes surpresas no período, enquanto os números apresentados pelo consenso mostraram a decepção em algumas linhas do balanço. 

Com relação ao lucro, além de dois programas federais que a Petrobras aderiu para liquidar dívidas fiscais, a empresa se inscreveu em um programa de renegociação de dívidas não tributárias com entidades governamentais e teve contingências legais de cerca de R$ 1 bilhão que fizeram os números ficarem bem abaixo do esperado nessa linha. Ou seja, os números não-recorrentes seguem afetando o balanço. Já com relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente, o aumento foi de 11% em relação ao trimestre anterior, somando R$ 21,3 bilhões, mas 6% abaixo das estimativas do mercado.

A utilização das refinarias se apresentou como um ponto fraco no balanço: os resultados operacionais vieram abaixo das estimativas do Santander, principalmente devido aos números segmento de refino. Contudo, isso reflete a estratégia da companhia para recuperar a participação de mercado, um efeito que pode impactar positivamente os resultados do quarto trimestre em diante, de acordo com os analistas Christian Audi e Gustavo Allevato.

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Além disso, o Bradesco BBI apontou que, apesar do Ebitda abaixo do consenso de mercado, houve alta na comparação trimestral, com os desempenhos das operações de upstream (exploração e produção) e downstream (refino) sendo compensados por bons resultados nos negócios de energia e distribuição. Já o UBS vê a empresa se aproximando de um nível operacional recorrente e novas melhorias podem ser mais difíceis de conseguir a partir de agora, tornando desinvestimentos ainda mais cruciais para o processo de desalavancagem. 

Por outro lado, vários números mostram que a petrolífera segue com a sua trajetória positiva de focar em seus negócios principais: o segmento de exploração e produção reportou Ebit (lucro antes de juros e impostos) de R$ 6,3 bilhões, versus R$ 5,4 bilhões esperados pelo BTG Pactual, com uma produção sólida e preços realizados. O Ebit de distribuição e gás e petróleo também foram mais positivos, com destaque para o bom controle de despesas corporativas.

Outro destaque que brilhou aos olhos dos investidores foi o fluxo de caixa, que ficou positivo em R$ 9,5 bilhões, aliado à redução do endividamento da companhia, que saiu de 3,23 vezes a relação entre a dívida líquida e o Ebitda  ajustado para 3,16 vezes. No mesmo período de 2016, esse mesmo indicador tinha sido 3,93 vezes. Ao olhar para os números de 2015, o dado é ainda mais expressivo: o indicador ficou em 5,24 vezes no término do terceiro trimestre daquele ano, o que sinaliza um expressivo progresso da companhia em reduzir a sua dívida. 

Futuro positivo?
De qualquer forma, mesmo com algumas linhas do balanço desapontando e outras surpreendendo, o resultado não era considerado um evento tão emblemático para a Petrobras, enquanto mais eventos são observados com atenção mesmo para aqueles que não se animaram tanto com o balanço.

Afinal, após um ano bastante movimentado, com progressos e questões sobre a venda de ativos, os planos que guiam otimismo com a empresa seguem no radar o que, na definição do UBS, apontam que há um alinhamento macro e microeconômico para bons números daqui para frente.

Os analistas do banco suíço, Luiz Carvalho e Julia Ozenda, destacam cinco pontos principais para estarem otimistas com a companhia, avaliando que estes catalisadores proporcionariam apoio suficiente ao processo de desalavancagem e, consequentemente, levando a um desbloqueio do valor patrimonial significativo antes das eleições presidenciais de 2018.  Estes pontos também são ressaltados por analistas de outras casas de análise que recomendação a compra do papel. Seguem eles listados abaixo:

• 1- Cessão onerosa - segundo o UBS, a Petrobras poderia receber US$ 12 bilhões pela negociação da área de transferência de direitos com o governo federal. Os analistas, aliás, veem  uma sensação de urgência da Petrobras e do governo para chegar a um acordo no curto prazo; 

Mas exatamente sobre o que se trata essa questão? Para tanto, cabe voltar ao ano de 2010, quando a Petrobras adquiriu da União o direito de explorar 5 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Conforme já ressaltou a companhia algumas vezes, o contrato entre governo e empresa tem mecanismos de redução de risco para a estatal e tem previsão de um processo de revisão dos valores e volumes de cada área. Neste sentido, o acerto de contas se arrasta desde 2014, quando a empresa declarou que a área é comercial e que valeria a pena começar a produzir nela. Deste então as partes deveriam chegar a um acordo sobre o real valor do reservatório, se mais ou menos do que os R$ 74,8 bilhões pagos pela companhia, e a diferença deveria ser devolvida a uma das partes, o que não aconteceu até hoje. E é justamente sobre os termos desse acordo que os analistas de mercado se debruçam, além de como será a monetização do volume excedente. De acordo com o Bradesco BBI, a expectativa é por um acordo até o começo de dezembro. 

• 2 - Desinvestimentos - a Petrobras deve anunciar mais desinvestimentos nos próximos trimestres, potencialmente incluindo o IPO (Oferta Pública Inicial) da BR Distribuidora, Braskem (BRKM5), TAG e campos de petróleo, permitindo que os investidores avaliem melhor o processo de desalavancagem;

• 3 -  Plano de desinvestimento do refino - a Petrobras já mencionou que tem trabalhado em um plano de desinvestimento de refino que pode ser anunciado aos players interessados. O UBS espera que esse plano possa ser anunciado no curto prazo. 

• 4 - Plano de Negócios 2018-2022 - O CEO da companhia, Pedro Parente, reiterou durante a coletiva de imprensa após o resultado que a Petrobras atualizaria seu plano de negócios de 5 anos ainda neste ano. "Não esperamos ver uma mudança importante na direção da empresa, mas um nível de alavancagem mais baixo pode ser uma boa surpresa", avalia o UBS;

• 5 - Preço do petróleo - A equipe da UBS Global Oil avalia que a curva de oferta de petróleo versus a demanda está sendo reequilibrada, enquanto o acordo da OPEP poderia trazer suporte adicional para os preços da commodity. 

Este ponto se apresenta como mais controverso: aqueles que mantêm maior cautela com a ação, caso do Bank of America Merrill Lynch, que possui recomendação neutra para os papéis, destaca que o restabelecimento da saúde financeira permanece altamente dependente de uma melhora sustentada dos preços do petróleo e de um progresso mais substancial na venda de ativos. Além disso, mais um ponto de cautela: há um potencial de maior volatilidade e incerteza uma vez que o Brasil entra na fase pré-eleitoral em 2018. 

A velocidade do plano de desinvestimentos da Petrobras também gera um pouco de preocupação no Bradesco BBI que aponta, contudo, estar mais confiante de que uma solução referente à transferência de direitos deverá acontecer em breve, seguindo assim com uma visão positiva para o médio/longo prazo.

Assim, no que depende da Petrobras, a companhia segue entrando o que prometeu: redução do endividamento, geração positiva de fluxo de caixa, além de seguir descontado em relação aos pares, o que também reforça a recomendação das ações na Carteira InfoMoney (para conferir o portfólio completo, clique aqui). Após um resultado que não saltou muito aos olhos, há muitos outros eventos que devem ser observados com atenção - e devem movimentar as ações da companhia daqui para frente. 

 

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Petrobras
(Alf Ribeiro / Shutterstock.com)

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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