Em wiz

Ex-acionista de Wiz explica queda de 50% da ação e diz por que não investe mais nela

Rodrigo Heilberg foi o convidado do programa Papo com Gestor da última semana

Rodrigo Heilberg
(InfoMoney)

SÃO PAULO – Uma das “ações queridinhas” do setor de seguros de muitos analistas de mercado segue sofrendo na bolsa. Em evidência nos últimos meses, a corretora Wiz (WISZ3) começou o ano de 2017 com uma boa performance, mas de uns três meses para cá, a ação já caiu cerca de 50%, muito por conta da renegociação envolvendo a Caixa Seguradora e a francesa CNP Assurance.

Rodrigo Heilberg, sócio-fundador e gestor do HIX Capital FIA, contou no programa Papo com Gestor da última semana, que o fundo contava com ações da Wiz, mas que optou por deixar o investimento há dois meses, antes de todo o rebuliço envolvendo a companhia - que ocorreu em novembro. 

Confira, abaixo, a explicação na íntegra do gestor:

"A Wiz é uma corretora de seguros, com um simples modelo de negócios, focada dentro das agências da Caixa, que vende seguros da Caixa Seguros e é controlada pela estatal francesa CNP. Dez anos atrás o ativo era mal gerido, mas com a entrada da CNP a companhia melhorou a sua gestão e suas vendas, aumentando o volume de prêmios.

Uma de suas características é a demanda cativa (são cerca de 12 milhões de clientes na Caixa Seguros), e com a entrada da CNP, em 2012, ela passou a ser bem gerida e a contar com um time de primeira linha.

A empresa tem traços muito interessantes de negócio, mas ela é um pouco mal interpretada pelo mercado. Quando começamos a fazer o investimento, por exemplo, o papel era barato demais para as perspectivas de retorno e crescimento de lucro que enxergávamos. Na época, as ações estavam sendo negociadas entre R$ 7,00 e R$ 9,00. Montamos a posição e acompanhamos ao longo do tempo.

Recentemente um documento importante se tornou público, o acordo de acionistas entre a Caixa Econômica Federal e a CNP. Naquele momento o mercado interpretou que a parceria entre as duas companhias teria que ser eterna e, como consequência, haveria uma externalidade positiva para Wiz. Com isso, as duas ações passaram a precificar muito pouco o risco de que esse contrato poderia ser negociado de outra forma.

Foi nessa época que vendemos metade de nossa posição e recentemente (cerca de 2 meses atrás), quando a Caixa e a CNP fizeram um novo acordo para vender seguros, achamos que de novo o mercado interpretaria mal, então acabamos desinvestindo a segunda metade, não por acreditarmos que a companhia mudou do ponto de vista do que já é hoje, mas aumentou sensivelmente o risco do que ela vai ser no futuro.

Como equilibramos muito essa questão de risco-retorno, achamos melhor desinvestir e acompanhar um pouco de fora. Continuamos acompanhando, achando o time excepcional, de 1ª linha, valorizando o negócio e acreditando que eles vão conseguir criar valor. Mas a nossa questão é que precisamos mitigar risco e nesse sentido, preferimos acompanhar um pouco mais de fora."

 

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