Em vale

Por que a Vale subiu 2% mesmo com resultado abaixo de todas as expectativas?

Analistas comentam o resultado da empresa e acreditam que a mineradora pode ter agido corretamente no lançamento dos impactos de Brumadinho

Vale Rio de Janeiro 2 - mineração - logística
(Agência Vale)

SÃO PAULO - As ações da Vale (VALE3) subiram 1,9% a R$ 49,46 nesta sexta-feira (10), mesmo com o resultado publicado na véspera, que ficou completamente abaixo do consenso de mercado

A companhia reportou seu primeiro Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, na sigla inglês) negativo da história (-US$ 652 milhões). Isso além do prejuízo de US$ 1,6 bilhão e do impacto de US$ 4,954 bilhões com o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). Mas por que o mercado não achou esse resultado ruim?

Um ponto citado por diversos analistas para o comportamento dos papéis é que a companhia claramente optou por concentrar o dano de uma vez nos seus números do primeiro trimestre, em vez de provisionar aos poucos. A ideia seria passar logo a tragédia a limpo, virando a página para focar no futuro. 

Os especialistas da Eleven Financial Research, Adeodato Volpi Neto, Mariana Ferraz e Raphael Figueiredo, escreveram que os US$ 5 bilhões em impactos do desastre ultrapassaram as suas estimativas, mas mostram que a companhia fez certo ao impactar de uma vez só o seu resultado com os danos. "O número pode ser absorvido e o choque diluído nos trimestres à frente", destacam. 

Já os analistas do Goldman Sachs, Thiago Ojea e Lucas Canteras, apontaram em relatório que o Ebitda da companhia sem os efeitos de Brumadinho foi de US$ 4,1 bilhões, 10% abaixo das estimativas iniciais do banco. No entanto, a queda de 11% na produção de minério de ferro reportada no relatório de produção divulgado esta semana já fez o mercado esperar um resultado abaixo do esperado nessa frente. 

Também olhando para o Ebitda sem Brumadinho, os analistas da Eleven aumentaram a estimativa inicial de queda nos volumes produzidos no ano de 5% a 8% para de 12% a 14%. " A sucessão de decisões judiciais não parece ter sido encerrada e a batalha certamente afetará o andamento ordinário do processo produtivo", apontam. 

Por outro lado, o preço do minério de ferro tenderia a se manter elevado ao longo do ano, o que fortaleceria a companhia, segundo os analistas. "Em paralelo, a arrancada da cotação do iO62, minério de referência, que alcançou preço médio
de US$ 82,7 a tonelada no primeiro trimestre de 2019, deve ter comportamento similar no segundo trimestre, podendo ultrapassar a marca dos US$ 88 por tonelada", comentam os analistas.

Futuro nebuloso

Apesar de não ser tão ruim quanto poderia ser, o futuro da Vale é incerto e gera alguma cautela por parte de quem investe na empresa. O Goldman Sachs lembra que as provisões não envolvem o Ministério Público, com quem as negociações da mineradora para compensar os danos da tragédia continuam.

Por isso, o banco mantém sua recomendação para as ações da empresa como neutra e o preço-alvo em US$ 14,30 por ADR – na prática, as ações da Vale negociadas na Bolsa de Nova York. Os ADRs da companhia valem US$ 12,19 atualmente, de modo que até atingir o valor colocado pelo Goldman Sachs como objetivo os papéis se valorizariam em 17,3%.

A Eleven, por sua vez, manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 59,00 por ação, o que corresponderia a uma alta de 21,4% sobre o patamar atual.

Quem também analisou o resultado da Vale foi o RBC Capital Markets, para quem a redução do endividamento da mineradora foi um bom sinal, mas ficou aquém do que se projetava. "A companhia removeu US$ 3,49 bilhões em fundos que tinham sido congelados pelo governo brasileiro e ainda incluiu US$ 1,7 bilhão na dívida líquida por mudanças nos padrões contábeis do IFRS 16 e teve um impacto de US$ 1,1 bilhão do fluxo de caixa livre abaixo das nossas previsões", escreveram os analistas Tyler Broda e Marina Calero. 

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