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Vale tem prejuízo de US$ 1,6 bilhão no 1º tri com Brumadinho; Ebitda é o pior da história

Resultado decepcionou as expectativas dos analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam lucro de US$ 2,05 bilhões

vale minério de ferro
(divulgação)

SÃO PAULO - A Vale (VALE3) encerrou o primeiro trimestre de 2019 com um prejuízo líquido de US$ 1,642 bilhão, ante os US$ 1,59 bilhão de lucro registrados um ano antes. O número ficou bem abaixo dos US$ 2,05 bilhões esperados pelos analistas consultados pela Bloomberg. 

Os dados foram bastante afetados pela tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho (MG) no início do ano. O presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo, disse estar comprometido "em liderar a Vale no momento mais desafiador de sua história". 

"Trabalharemos incansavelmente para garantir a segurança das pessoas e das operações da empresa. Nós nunca esqueceremos Brumadinho e não pouparemos esforços para aliviar o sofrimento e reparar as perdas das comunidades impactadas", afirmou. 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado da mineradora ficou negativo em US$ 652 milhões entre janeiro e março deste ano, abaixo da expectativa de US$ 4,292 bilhões de resultado positivo. Foi o primeiro Ebitda negativo da história da empresa. 

Enquanto isso, a receita operacional líquida da mineradora passou de US$ 8,603 bilhões no primeiro trimestre de 2018 para atuais US$ 8,203 bilhões, uma queda de 4,65%. 

O impacto financeiro do rompimento da barragem de Brumadinho foi de US$ 4,954 bilhões devido a provisões para os programas e acordos de compensação (US$ 2,423 bilhões), provisão para descomissionamento ou descaracterização de barragens de rejeito (US$ 1,855 bilhão), despesas incorridas diretamente relacionadas a Brumadinho (US$ 104 milhões), volumes perdidos (US$ 290 milhões), despesas de parada (US$ 160 milhões), e outros (US$ 122 milhões). 

O Ebitda também foi impactado pelo menor volume de vendas de minério de ferro de pelotas, ficando 20% inferior ao registrado no primeiro trimestre de 2018. A margem Ebitda foi de -8% nos três primeiros meses do ano, contra 46% no mesmo período do ano anterior. 

Já o endividamento líquido chegou a US$ 12 milhões, contra US$ 14,9 milhões no primeiro trimestre de 2018, o que corresponde a uma queda de 24,2%.

Na metade do mês passado, a equipe de análise do Bradesco BBI estimou que a companhia reportaria um Ebitda de US$ 4,3 bilhões por conta do aumento nos preços do minério de ferro, que subiram US$ 11 por tonelada em relação ao trimestre anterior. 

Já o JP Morgan havia apontado que o relatório de produção da Vale fora decepcionante, com produção de minério de ferro em 73 milhões de toneladas, queda de 28% na base trimestral e de 11% na comparação anual. 

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