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Maior porto de minério do mundo vê alta de exportações após Vale

"Estamos vendo outros países, como neste caso, o Brasil, enfrentar dificuldades", disse em entrevista Roger Johnston, diretor-executivo da Autoridade Portuária de Pilbara. "Então, certamente, acho que nos próximos 12 a 18 meses veremos os volumes - de lugares como Pilbara – aumentarem. "  

transporte de minério Rio Tinto 3
(Daniel Munoz/Reuters)

(Bloomberg) -- Diante de um déficit global inesperado no início do ano, o maior porto de exportação de minério de ferro do mundo sinaliza uma expansão dos embarques na hora certa, impulsionada pelas novas minas da Fortescue Metals e rivais na remota região de Pilbara, na Austrália.

O déficit projetado vem na esteira do desastre da barragem da Vale em Brumadinho, o que levou a maior produtora mundial de minério a estimar uma queda de produção de até 75 milhões de toneladas este ano. O choque de oferta pode durar até 2024, segundo estimativas mais recentes do governo australiano.

"Estamos vendo outros países, como neste caso, o Brasil, enfrentar dificuldades", disse em entrevista Roger Johnston, diretor-executivo da Autoridade Portuária de Pilbara. “Então, certamente, acho que nos próximos 12 a 18 meses veremos os volumes - de lugares como Pilbara – aumentarem. ”

A agência supervisiona três portos, incluindo o Port Hedland, o maior terminal de exportação a granel do mundo, e embarcou mais de meio bilhão de toneladas de minério no último ano fiscal de mineradoras como Fortescue, BHP Group e Roy Hill Holdings. A agência também administra o Porto de Dampier, usado por mineradoras como a Rio Tinto, e o Porto de Ashburton.

O Port Hedland se prepara para volumes maiores, já que produtores australianos têm realizado uma série de projetos de renovação, disse Johnston no mês passado. A Fortescue informou esta semana que planeja seguir com o projeto Iron Bridge na Austrália, avaliado em US$ 2,6 bilhões, que irá adicionar o equivalente a 20 milhões de toneladas secas por ano de concentrado de magnetita - um produto de alta qualidade - ao mercado, com vendas programadas a partir de 2022.

A Fortescue também prevê iniciar as operações da mina Eliwana em 2020, com investimentos de US$ 1,3 bilhão. Enquanto isso, a BHP, maior mineradora do mundo, está construindo o Projeto Flanco Sul, de US$ 2,9 bilhões, e a Rio Tinto iniciou a construção de sua mina de minério Koodaideri, avaliada em US$ 2,6 bilhões.

Vários projetos estão atualmente em fase de estudos de viabilidade – como o projeto Marillana, da Brockman Mining, com previsão de início de produção nos próximos cinco anos, de acordo com o governo australiano.

Em meio à crescente preocupação com a oferta, a Rio Tinto disse no mês passado que pode avaliar como aumentar a produção a médio prazo se ficar claro que o desastre terá um impacto mais a longo prazo e afetará o minério de alta qualidade. A Fortescue também sinalizou que sua mina Eliwana poderia ajudar o mercado a partir de 2020.

Os volumes de exportação da Austrália devem aumentar de 847 milhões de toneladas no ano fiscal de 2019 para 874 milhões de toneladas no exercício fiscal de 2021, segundo estimativas do governo da Austrália em seu relatório trimestral de março sobre recursos e energia. A produção da autoridade portuária totalizou 699 milhões de toneladas no ano fiscal de 2018, com as exportações de minério de ferro respondendo por US$ 654,7 milhões de toneladas. O preço spot de referência do minério de ferro subiu para US$ 92,65 a tonelada, o maior nível em dois anos, e os contratos futuros na China mostram alta de 40% este ano.

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