Em vale

Ação da Vale em NY fecha em leve alta após chegar a cair 4% com afastamento de presidente da mineradora

Executivos apresentaram neste fim de semana cartas ao Conselho de Administração da empresa solicitando o afastamento temporário do comando da companhia

barragem vale brumadinho
(Ricardo Stuckert)

SÃO PAULO - Em dia em que a B3 não negociou por conta do Carnaval, os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale (VALE3) chegaram a registrar queda de quase de 4% na Bolsa de Nova York após Fabio Schvartsman, presidente da mineradora, e outros três diretores anunciarem afastamento da companhia.

Contudo, ao longo do pregão, amenizaram e fecharam a sessão desta segunda-feira (4) em leve alta. Os papéis da companhia negociados na NYSE fecharam com leves ganhos de 0,24%, a US$ 12,42, após chegarem a cair 3,79% na mínima do dia. Já o ETF brasileiro EWZ fechou leve alta de 0,05%. 

Cabe ressaltar que, após a notícia do afastamento, o Scotiabank cortou sua recomendação para a Vale de "outperform" (acima da média do mercado) para "sector perform" (na média do mercado).

Os executivos apresentaram neste fim de semana cartas ao Conselho de Administração da empresa solicitando o afastamento temporário do comando da companhia. O conselho se reuniu por teleconferência e aceitou os pedidos. 

A decisão foi tomada por causa das pressões de integrantes da força-tarefa que investiga o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que deixou 186 mortos e 122 pessoas desaparecidas. Um documento com o pedido de afastamento deles da direção da empresa, assinado por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual de Minas Gerais (MPMG) e Polícia Federal foi entregue na sexta-feira, 1º, a advogados da empresa.

A força-tarefa pedia ainda que empregados não compartilhassem nenhuma informação profissional com as pessoas cuja saída da Vale foi recomendada. Além do presidente, também integram o grupo citado pela força-tarefa o diretor executivo de ferrosos e carvão, Gerd Peter Poppinga, o diretor de planejamento, Lúcio Flávio Gallon Cavalli, e o diretor de operações do corredor sudeste, Silmar Magalhães Silva.

Schvartsman afirma na carta, segundo o Estadão: "Tomei a decisão, nesta hora, em benefício da continuidade das operações da companhia e do apoio às vítimas e a suas famílias, de solicitar a esse Conselho, respeitosamente, que aceite o pedido de meu afastamento temporário das funções de diretor presidente da Vale".

Os integrantes da força-tarefa dizem que a atuação dos executivos junto aos empregados estaria atrapalhando as investigações. Além disso, a divulgação pela empresa do acordo para pagamento do auxílio emergencial para os atingidos como uma iniciativa da empresa provocou desconforto. De acordo com o promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais André Sperling, a empresa pretendia pagar o auxílio apenas aos moradores das duas localidades mais atingidas - Parque da Cachoeira e de Córrego do Feijão -, mas foi obrigada a estender a indenização para todos os moradores de Brumadinho.

"Não foi bem uma questão de aceitação da Vale. A Vale viu-se compelida a fazer isso. Ela queria (pagar para os moradores) Parque da Cachoeira e Córrego do Feijão", disse o promotor.

Futuro

Com a saída do grupo, a Vale será conduzida, interinamente, pelos diretores remanescentes, sob o comando do diretor executivo de metais básicos, Eduardo Bartolomeo.

A mudança definitiva só deve ocorrer em abril, após a Assembleia-Geral Ordinária de acionistas, quando também são esperadas mudanças no Conselho de Administração da companhia, com a redução do peso da Previ, que hoje ocupa quatro assentos no conselho, e o aumento da presença de conselheiros ligados ao setor de mineração.

Em nota divulgada à noite, a Vale confirmou o afastamento de Schvartsman e dos três diretores. Além de Bartolomeo, que será o presidente interino da mineradora, a companhia confirmou que Claudio de Oliveira Alves vai assumir a área de ferrosos e carvão e Mark Travers ficará na função de diretor executivo de metais básicos.

No documento, a empresa afirma que "permanece em prontidão, na busca de um relacionamento transparente e produtivo com as autoridades brasileiras, visando o esclarecimento dos fatos, a reparação apropriada dos danos e a integridade da empresa".

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(Com Agência Estado)

 

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