Em vale

Vale deve ser alvo de 1ª CPI do governo Bolsonaro

A CPI investigará o acidente ocorrido em 25 de janeiro em Brumadinho, Minas Gerais

Brumadinho rompimento Vale
(Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais)

A mineradora Vale será o alvo da primeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do governo do presidente Jair Bolsonaro devido à tragédia na cidade de Brumadinho, com o rompimento de uma barragem de rejeitos que deixou ao menos 165 mortos e 160 pessoas ainda desaparecidas. A CPI investigará o acidente ocorrido em 25 de janeiro, em Minas Gerais.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tinha dito que gostaria de formar uma comissão mista com a Câmara dos Deputados, mas acabou desistindo da ideia após pressão de senadores e apresentou ontem (12) o requerimento para estabelecer a CPI na Casa.

"Durante a sessão do Plenário desta terça-feira, li o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que em 180 dias vai apurar as supostas irregularidades e possíveis falhas que culminaram no rompimento da barragem da mineradora Vale", disse Alcolumbre.

"A CPI será composta por 11 senadores titulares e 7 membros suplentes e tem como prioridade identificar os responsáveis pelos laudos técnicos; as falhas dos órgãos competentes; os atores dos órgãos técnicos; e tomar todas as providências cabíveis para evitar novos acidentes", informou.

Já na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) também determinou a criação de uma CPI própria para investigar a tragédia de Brumadinho Na semana passada, 194 deputados assinaram requerimento para instalação de CPI na Câmara. No Senado, o pedido contou com a assinatura de 42 parlamentares (mais da metade da Casa). A comissão tem o mesmo poder de apurações judiciais e os integrantes podem realizar investigações, convocar testemunhas e tomar depoimentos.

Apesar da instalação das CPIs ser bem recebida pelo público como forma de tentar dar uma reposta à tragédia, também há um temor de que duas comissões acabem se desorientando por investigarem o mesmo tema. Além disso, após a tragédia de 2015 de Mariana, também em Minas Gerais, quando uma outra barragem de rejeitos da empresa Samarco se rompeu, o Congresso tentou votar novas leis e reformas para mineração no Brasil, mas os textos estão parados ou foram vencidos pelo lobby das companhias do setor.

O que diz a Vale
A mineradora responsável pela barragem 1 do córrego Mina do Feijão que se rompeu em 25 de janeiro em Brumadinho alega que a estrutura não corria riscos iminentes.

No entanto, um documento interno da Vale estimou em outubro de 2018 quanto custaria, quantas pessoas morreriam e quais as possíveis causas de um possível rompimento da barragem, divulgou o jornal "Folha de S.Paulo" nessa quarta-feira (13).

De acordo com a mineradora, o documento era apenas um estudo e indicaria as estruturas que receberam recomendações de manutenção. No relatório, a Vale previa que um acidente na barragem deixaria ao menos 100 mortos.

O site "G1" também publicou que dois relatórios da Vale, um de 2017 e outro de 2018, indicam que a mineradora sabia dos riscos de rompimento da barragem. Um documento interno da Vale de novembro de 2017 afirmava que a barragem, já naquela época, tinha uma chance de colapso duas vezes maior que o nível máximo de risco individual tolerável.

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