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Por que a ação da Vale caiu mais de 2% apesar do salto de 8% do minério na China?

Ação da mineradora opera perto da estabilidade refletindo outros mercados de minério além da China e também de olho nos problemas que se acumulam para a Vale

Vale Rio de Janeiro 2 - mineração - logística
(Agência Vale)

SÃO PAULO - "O minério de ferro disparou 8% na China nesta segunda-feira". Quem olha apenas para essa manchete, poderia acreditar que o dia seria extremamente positivo para as ações da mineradora Vale (VALE3) apesar dos contratempos recentes que a companhia enfrenta desde o rompimento da barragem de Brumadinho. 

Porém, não foi isso que aconteceu. As ações da Vale até chegaram a se animar e subiram 2,06% no início do pregão, mas viraram para queda logo na primeira hora do pregão e depois passaram a oscilar entre leves ganhos e perdas. À tarde, logo que abriu a bolsa americana, a ação passou a cair de vez e permaneceu assim ao longo de todo o dia, fechando em baixa de 2,64%, a R$ 42,02. 

Esse movimento ocorreu uma vez que a China não teve negociação nos seus mercados durante toda a semana passada e, assim, os contratos futuros "correram atrás" da alta registrada no período pelos outros mercados em meio às preocupações com a oferta de minério em meio aos problemas sofridos pela Vale após Brumadinho.

Na semana passada, os contratos futuros em Cingapura tiveram alta de 8,4%, o que ajuda a explicar esse movimento dos contratos futuros chineses. Contudo, nesta segunda-feira, a commodity teve baixa de cerca de 0,6%, a US$ 91 a tonelada, o que se reflete no movimento dos papéis da mineradora nesta sessão. 

Cabe destacar ainda que o cenário para a Vale pós-Brumadinho segue bastante complicado. Na última sexta-feira, perto do fechamento do mercado, a revista IstoÉ noticiou, citando duas fontes, que o Ministério Público de Minas Gerais teria pronto um pedido de prisão contra diretores da Vale, inclusive o presidente Fábio Schvartsman, no caso de haver provas de que a empresa sabia do risco do rompimento da barragem de Brumadinho e não tomou as medidas necessárias, o que caracterizaria diversos crimes.

Além disso, a Vale foi intimada a realizar depósito judicial de R$ 7,431 bilhões em cumprimento das ordens de bloqueio de recursos no valor de R$ 10 bilhões. Não houve aumento dos montantes totais de ordens liminares de bloqueio ou de indisponibilidade de recursos, segundo a mineradora.

Já a Justiça levantou sigilo de ação sobre barragens da mineradora.  A ação judicial tem por objeto a garantia das condições de segurança e estabilidade das barragens de rejeitos pertencentes à Vale em Minas Gerais. A ação envolve as barragens Laranjeiras, Menezes II, Capitão do Mato, Dique B, Taquaras, Forquilha I, II e III. 

O cenário continua complicado para a Vale, principalmente com relação a bloqueios de sua operação. Nesse ambiente, os analistas do Itaú BBA esperam que os preços do minério de ferro permaneçam altos no curto prazo, devido ao aumento dos riscos de suprimento para a Vale e outros produtores brasileiros, após a decisão da semana passada de revogar a licença operacional da usina de Laranjeiras, forçando a Vale a parar a produção em Brucutu, sua maior mina. Ela é responsável pela produção de 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, algo como 7,5% da produção da companhia.

O minério pode seguir em tendência de alta, mas o cenário segue de incertezas contínuas para a companhia. De olho nessas dúvidas,  particularmente sobre o montante da compensação relacionada ao desastre em Brumadinho, os analistas do Santander cortaram o preço-alvo do ADR (American Depositary Receipt) da companhia de US$ 19 para US$ 16, mantendo recomendação de compra. 

Eles avaliam que a falta de catalisadores positivos no curto prazo poderia continuar pesando sobre a ação. Contudo, o desconto da Vale para os pares aumentou significativamente e a alta nos preços do minério de ferro poderia mais do que compensar a menor produção da empresa. Assim, entre a tendência de alta do minério e os problemas que se acumulam para a mineradora, ela ainda enfrenta dias de forte oscilação na Bolsa. 

(Com Bloomberg)

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