Em vale

Por que Bradesco, Itaú e XP recomendam comprar ações da Vale

Cenário é de incertezas após a tragédia em Brumadinho, mas medidas tomadas pela companhia após o acidente levam a uma posição construtiva sobre a ação

minério de ferro mineração
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O ano de 2019 para a Vale (VALE3) começou com preocupações corriqueiras do setor. O grande foco das atenções estava nos sinais cada vez mais claros da desaceleração econômica da China e o aumento da produção de minério de ferro, que deveria pressionar os preços da commodity.

Quinze dias depois da publicação desses relatórios, o mundo viu maior desastre da década em uma barragem de mineração. As ações da Vale caíram 24% no dia 28, primeiro pregão depois da tragédia, e a empresa perdeu R$ 72,8 bilhões em valor de mercado. E, claro, o cenário-base dos analistas virou de ponta-cabeça.

O que fazer agora? É hora de comprar ou vender as ações da mineradora?

As opiniões não são unânimes, e ficou claro que elas poderão mudar rapidamente à medida que apareçam novos fatos sobre as causas da tragédia e as consequências para a Vale.

Um desses novos fatos veio à tona na noite de terça-feira (29). A empresa anunciou que desativaria todas as barragens semelhantes às de Brumadinho. O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que "não podemos mais conviver" com esse tipo de barragem e o mercado reagiu com otimismo. Nesta quarta-feira (30), as ações da companhia valorizaram 9%.

Hoje, Bradesco BBI, Itaú BBA, Eleven e XP Investimentos recomendam comprar as ações da empresa.

O time de análise do Bradesco BBI interpretou a mensagem da companhia como "forte e proativa", uma vez que a empresa sai na frente e anuncia decisões para melhorar a segurança de suas barragens antes da interferência de autoridades e busca eliminar riscos de novos acidentes. A estimativa é de que os impactos financeiros, levando em consideração os aspectos ambiental e civil, devem somar até US$ 4 bilhões.

A XP Research calcula que R$ 5 bilhões em multas equivaleriam a uma queda de R$ 1,10 no preço-alvo da ação da Vale. A atual recomendação é de compra, mas o preço-alvo foi reduzido de R$ 70 para R$ 66. "No curto prazo, uma série de incertezas ainda permanecem, e sugerimos cautela", pondera a XP.

Proteja seu dinheiro de incertezas e invista com assessoria GRATUITA: abra uma conta de investimentos na XP.

O Bradesco BBI também manteve sua avaliação outperform (acima da média do mercado, o equivalente a compra) para a Vale, mas cortou o preço-alvo em 25% (confira tabela abaixo). "Embora entendamos que o fluxo de notícias sobre o acidente pode continuar a ser intenso no próximo, no longo prazo, acreditamos que existe um bom suporte à avaliação", dizem os analistas em relatório.

Para os analistas da XP, o anúncio da Vale ajuda a mitigar a preocupação em relação ao impacto na produção de curto e médio prazo. Com isso, a equipe revisou seu modelo de expectativas para a empresa, considerando um cenário conservador de queda de 40 megatoneladas/ano de minério de ferro no período de 2019-2022 e 11 mt/ano a menos de pelota, e o investimento de R$ 5 bilhões.

A Vale ainda pode se beneficiar da redução na produção de minério com uma compensação no aumento em outros sistemas produtivos da companhia. "Enaltecemos esse movimento [de fechamento de barragens], pois aumenta a visibilidade no pior cenário da Vale para perdas de volume e minimiza o impacto no Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] consolidado (11 milhões de toneladas de produção de pelotas perdidas, potencialmente compensadas por prêmios mais altos)", destacam os analistas do Itaú BBA.

O Bradesco BBI avalia que a Vale tem flexibilidade operacional e poderá compensar as perdas de produção com o fechamento dessas 10 barragens com o reinício de capacidades ociosas nas regiões Sul e Sudeste e acelerando o ramp-up do Projeto Carajás S11D.

Veja as recomendações para a ação da Vale:

  Recomendação/avaliação Preço-alvo
XP Investimentos Compra R$ 66,00
Banco do Brasil market perform R$ 73,50
Eleven compra R$ 65,00
Bradesco BBI outperform R$ 53,00
Itaú BBA outperform R$ 58,00
HSBC neutra R$ 51,30

Minério de ferro

Lembra das estimativas pessimistas para o preço do minério de ferro no começo do ano? Pode esquecer agora. Pelo menos é o que apontam as novas perspectivas do Goldman Sachs, que elevou em US$ 10 a previsão para o contrato futuro de três meses do minério de ferro, para US$ 80 por tonelada, considerando redução nos contratos de produção da Vale entre 10 milhões e 15 milhões de toneladas este ano.

O modelo do banco também prevê possíveis preços, caso o declínio da produção seja mais severo. Cenários de teste de estresse incluem até uma perda de 50 milhões de toneladas. Sob essa possibilidade, o minério de ferro pode atingir US$ 110 a tonelada neste trimestre, segundo relatório. A última vez que o preço à vista chegou a US$ 100 foi em 2014.

Após o anúncio da Vale, o preço dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China atingiu sua máxima em torno de um ano na madrugada desta quarta-feira (30).

Na contramão, Morgan Stanley calcula que o descomissionamento das barragens terá impacto líquido de 15 megatoneladas neste ano, sendo 5 mt no terceiro trimestre e 10 mt nos últimos três meses de 2019. O cenário-base do banco considera um mercado de 40 mt de produção de minério de ferro no mundo, assim, o setor teve continuar com superávit mesmo com o corte previsto para a Vale e os impactos no preço da commodity devem ser pequenos no curto prazo.

A XP informa ser conservadora em manter sua projeção para o preço de minério de ferro em US$ 65 a tonelada. Entretanto, os analistas acreditam que a redução de 40 mt/ano na oferta global de minério pode sustentar os preços em níveis superiores. "Como referência, o preço se encontra atualmente em US$ 79 a tonelada", explicam.

Proteja seu dinheiro de incertezas e invista com assessoria GRATUITA: abra uma conta de investimentos na XP.

Em uma montanha-russa na bolsa, que pode ainda estar longe do fim em virtude dos desdobramentos das investigações em Brumadinho (MG), a Vale sinaliza que quer colocar um fim em sua história de tragédias. Em princípio, a solução agrada ao mercado e a autoridades, mas só o tempo dirá se seus empreendimentos passarão a ser realmente seguros - e se sua ação atenderá às expectativas de valorização.

 

 

Contato