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Os 5 motivos de pressão para as ações da Vale após a tragédia em Brumadinho

O pesadelo se repete com rompimento de barragem em Brumadinho e os ADRs da Vale chegaram a cair 13% na Nyse, sendo o prenúncio de dias difíceis para a companhia na Bolsa

Barragem Rompimento Brumadinho
(Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais)

SÃO PAULO - Pouco mais de três anos após a tragédia do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), um novo evento da mesma natureza envolve a Vale (VALE3). Desta vez, o rompimento foi na barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, também no estado mineiro. 

Com as notícias ganhando as manchetes por volta das 13h30, os ADRs (American Depositary Receipts) da companhia - que na primeira hora do pregão chegaram a subir mais de 3% na bolsa de Nova York - passaram a cair forte. Na mínima do dia, os papéis chegaram a ter uma baixa de 13%, mas amenizaram e passaram a cair cerca de 7%. 

Assim, mesmo com a bolsa fechada devido ao feriado do aniversário de São Paulo, o impacto do acontecimento foi sentido no mercado de ações, sendo um prenúncio dos dias negativos que devem vir para a companhia. 

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O movimento dos papéis é parecido com o ocorrido na época do acidente em Mariana, que resultou em 19 mortes. Apenas no dia 6 de novembro de 2015, um dia após o ocorrido, as ações da Vale caíram 7,55%. 

Ainda não há informações precisas sobre a tragédia e novidades vêm à tona a todo minuto, mas há algumas considerações que podem ser feitas sobre o acidente.

O relatório da Vale para o terceiro trimestre de 2018 (o mais recente divulgado) afirma que o chamado complexo Paraopeba produziu 7,3 milhões de toneladas de minério de ferro entre julho e setembro de 2018.

O volume representa 7% da produção total de minério de ferro da Vale (104,95 milhões de toneladas) no mesmo período. Assim, operacionalmente, o impacto deverá ser limitado para os resultados da empresa.

Contudo, há outras questões no radar. "Assim como no incidente de Mariana, processos judiciais podem decorrer do evento", ressalta a XP Research. No caso de Mariana, o acordo anunciado com as autoridades brasileiras em 2016 tinha valor de entre R$ 11 bilhões e R$ 13 bilhões, ou 4% do valor de mercado da companhia hoje.

As ações judiciais já começaram. Na noite de sexta-feira, um juiz plantonista em Belo Horizonte autorizou o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas da Vale para ajudar no amparo às vítimas e controle das consequências. No sábado pela manhã, o Ministério Público afirmou ter pedido o bloqueio de outros R$ 5 bilhões, para os mesmos fins. 

Para o Itaú BBA, o acidente deve ser uma fonte de pressão para os papéis na Vale no curto prazo, destacando 5 motivos:
i) pode dificultar ainda mais a concessão de licenças ambientais e operacionais para operações de mineração no Brasil;
ii) pode atrasar o reinício das operações da Samarco, se as autoridades decidirem aumentar os padrões de segurança para o processamento de resíduos de minas no Brasil;
iii) haverá uma cobertura negativa da mídia para a companhia durante as próximas semanas relacionadas ao acidente;
iv)
a reconstrução da barragem de rejeitos exigirá mais capex (despesa de capital); e
v) como mencionado acima, a Vale pode ter que oferecer uma compensação pelos possíveis danos causados pelo acidente.

Já com relação à sessão desta sexta-feira em Nova York, pode-se observar uma verdadeira debandada de estrangeiros dos ativos da companhia, que também deve ser refletida por aqui na segunda-feira.

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"A notícia é claramente negativa para o papel, principalmente pela recorrência do acontecimento, sendo três anos depois de Mariana. Além disso, o investidor estrangeiro pode sair da posição em Vale e ir para empresas do mesmo setor ou podem montar posição em outras empresas brasileiras. Ou seja, ele não tem motivos para ficar posicionado em Vale", ressalta o analista da Rico, Thiago Salomão, ressaltando o ambiente de incerteza para a companhia. 

A Jefferies avalia ainda que, enquanto o rompimento da barragem é negativo para a Vale, pode favorecer outras mineradoras de minério de ferro devido a restrições de oferta. A casa de análise reitera recomendação de compra para a Rio Tinto e a Anglo American nesse cenário. 

O acidente em Brumadinho ainda é muito recente e os seus impactos ainda serão digeridos pelo mercado. Contudo, há algumas certezas pela frente: dentre elas, que a Vale sofrerá as consequências no curto prazo - e que essa será mais uma mancha na história da companhia. 

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