Em vale

Mesmo com tudo apontando para o negativo, Vale deve surpreender no 2º trimestre

Segundo Credit Suisse, o Ebitda da Vale deve ser o maior até 2017, com o volume de vendas de minério de ferro registrando alta; contudo, os preços devem ofuscar resultados melhores

Murilo Ferreira - Bloomberg

SÃO PAULO - Economia da China em desaceleração, forte volatilidade do preço do minério de ferro, super produção e concorrência entre empresas. O cenário não poderia ser mais negativo para a Vale (VALE3;VALE5). Contudo, os resultados do segundo trimestre de 2015, que sairão na próxima quinta-feira (30), antes da abertura do mercado, devem ser positivos para a mineradora.

Um dos dados de maior destaque do resultado será o Ebitda (lucro antes de juros, depreciações e amortizações) da companhia: segundo o Credit Suisse, o indicador será o maior para o trimestre até 2017 e, para o Itaú BBA, atingirá US$ 2 bilhões, uma alta de 46% em relação ao primeiro trimestre, mas queda de 51% quando tomado como base de comparação igual período de 2014.

Além disso, espera-se uma retomada no lucro da companhia, após o prejuízo de R$ 9,538 bilhões nos primeiros três meses deste ano. De acordo com as projeções de 12 casas compiladas pela Bloomberg, o lucro líquido deve atingir R$ 1,15 bilhão. 

"Nós esperamos números robustos do segundo trimestre", avaliam os analistas Ivano Westin, Renan Criscio e Ana Zinser, do Credit Suisse, esperando uma significativa redução (e bem-vinda) do custo do minério de ferro (de US$ 18,30 a tonelada para US$ 16), queda do frete médio de US$ 19,50 para US$ 17,00 e maiores preços realizados.

O Itaú BBA também destaca a perspectiva de bons resultados para a empresa, como resultado dos volumes maiores de minério e declínio dos custos, o que pode levar a um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 2 bilhões no segundo trimestre. “Tal resultado colocaria a companhia a caminho de atingir nossa previsão de Ebitda para o ano de 2015 de US$ 7,7 bilhões e provocar uma revisão de resultados positiva para a ação”.

Contudo, a combinação de menores vendas de níquel e preços mais baixos devem ofuscar os números vindos da divisão de minério de ferro, avalia o Credit, o que também é destacado pelo Bradesco BBI. "Esperamos que o volume de vendas no minério de ferro no segundo trimestre evolua 15% na comparação trimestral, mas os resultados devem ser prejudicados pela queda de preços, de 9% na comparação com o primeiro trimestre". 

Assim,a ressalva sobre o case de investimentos da Vale continua a ser o preço baixo das mercadorias nos níveis atuais, que são insuficientes para a Vale gerar caixa. 

O Bradesco BBI também destaca esperar que a alavancagem da empresa evolua para 3,5 vezes no segundo trimestre, ante três vezes nos primeiros três meses do ano. "Embora o real tenha se valorizado em relação ao dólar ao final do segundo trimestre - ajudando no endividamento -, a Vale ainda continua em pleno investimento no projeto S11D, e a nova retração do Ebitda anualizado contribuiu com a deterioração da medição de alavancagem". 

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Além do minério de ferro
O Bradesco BBI ressalta que, de forma surpreendente, os preços no cobre aumentaram em 4% no trimestre, embora isso tenha sido prejudicado pelo desempenho do níquel, que caiu 9% em termos de dólares a tonelada.

Apesar do níquel mais pressionado no primeiro semestre do ano, as importações chinesas da commodity em junho cresceram 65%, no maior patamar de cinco anos. 

O pós-resultados
Após a divulgação de resultados, o Credit espera que o mercado se volte para os resultados do segundo semestre e de 2016 que, na visão do banco, mostrará que a expansão e os custos mais baixos não serão suficientes para ofuscar a queda do preços das commodities. 

Os olhos do mercado também ficarão atentos às conferências após a divulgação dos números. A primeira teleconferência, em português, acontecerá às 10h (horário de Brasília) e a segunda, em inglês, acontecerá ao meio-dia. 

Confira o que esperar do resultado:

 Em R$ milhões  2T15*  1T15 Variação   2T14  Variação
 Receita Líquida  21.668   18.027,00   +20,38%   22.080,00   -1,87%
 Ebitda   3.986   4.600,00   +13,35%   9.136,00  -56,20%
 Lucro Líquido   1.152  -9.538,00  -  3.187,00   -63,85%
Margem Ebitda 18,40% 22%  -3,6 p.p. 41,4% - 23 p.p.
*Média das projeções compiladas pela pesquisa Bloomberg com 12 analistas de mercado.

 

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