Em vale

Vendidos entram pesado em Vale ON e operadores disparam: "aluguel secou"

Para operadores, disparada de 9% das ações VALE3 ontem pode ter sido motivada por um "short squeeze"

Minério de ferro
(Bloomberg)

SÃO PAULO - As ações da Vale (VALE3; VALE5) foram palco novamente da euforia dos investidores, que levaram os papéis para os maiores ganhos do Ibovespa na sessão. Do fechamento da último quinta-feira até terça-feira, as ações ordinárias da mineradora dispararam 28%, enquanto as preferenciais subiram 19%. Um rali que vinha ganhando força nas últimas semanas por conta do forte movimento de recuperação do minério de ferro. Ontem, no entanto, a história foi outra.

Segundo operadores de mercado, a disparada de 9,2% das ações ONs da Vale (contra alta de 5,18% das PNs) pode ter sido motivada por um "short squeeze" (ou seja, uma pressão dos vendidos na Bolsa que fez com que eles tivessem que recomprar o papel). 

Apesar da euforia compradora que tem acompanhado o papel nos últimos dias, um movimento bem forte na ponta aposta também pode ser visto. Ontem, o empréstimo com as ações ONs da mineradora bateu 82,941 milhões - máxima desde outubro de 2014 (época do "rali eleitoral"). Comparado ao volume registrado no começo de março, é uma alta de impressionantes 87,71%. Da mesma forma, a taxa para "tomar" o papel alugado saltou de uma média de 0,26% ao ano para a casa dos 9% a.a..

Em relatório divulgado hoje, o banco suíço Credit Suisse disparou: "não tem papéis VALE3 para alugar". A ação é um dos nomes mais procurados por investidores do banco nos últimos dias. O comentário similar foi feito nesta quarta-feira pela mesa de BTC da XP, maior corretora de varejo do Brasil: "mesmo após a ação subir 9% ontem, vimos um grande número de investidores dispostos a tomar mais ações alugadas, infelizmente, não há mais papel disponível". Com o saldo do aluguel dos papéis, atualmente, a posição vendida em VALE3 corresponde a 6,57% do seu free float (ações em circulação no mercado). 

Merece menção, no entanto, que o mesmo movimento não ocorre com as ações preferenciais da mineradora. O empréstimo com essas ações, na realidade, caiu nos últimos dias, passando de 128,596 milhões no começo de abril para 100,169 milhões ontem. Apesar do volume maior, no mercado, a proporção de ações preferenciais é superior a de ordinárias - 1.262.807.257 ações ONs contra 1.878.758.554 ações PNs.

Segundo Guilherme Belloni, operador da mesa de BTC da XP, ao contrário de VALE3, há bastante papel disponível para alugar de VALE5. Para ele, isso deve-se ao fato de que muitos investidores estavam operando o "spread" (diferença) entre ON e PN, ficando vendido em VALE3. 

Vale mencionar que, após o salto de ontem, as ações da Vale operam em queda na Bolsa nesta quarta-feira, acompanhando o desempenho do Ibovespa e das demais blue chips. Para Belloni, o movimento parece uma natural correção após tantos dias de alta. "Mas, hoje, não vi também nenhuma oferta em VALE3 no mercado de BTC", complementou. 

Como funciona o aluguel de ações?
O aluguel de ativos é muito utilizado pelos investidores que operam vendido, ou seja, que apostam na queda do papel. Eles (os "tomadores") primeiramente alugam ações para posteriormente vendê-las. Depois que o preço recua, recompram a mesma quantidade de papéis por um preço mais barato para devolvê-los, ganhando com a diferença entre o valor da venda e da compra.

É importante lembrar que apostar na baixa do mercado costuma ser mais arriscado do que investir acreditando na alta, principalmente quando o investidor não tem muita experiência. Para isso, o investidor deve enxergar fortes indícios de que o papel vai cair, caso contrário, corre o risco de amargar prejuízos com a prática. 

Para os "doadores" (quem empresta a ação), o maior risco é não poder operar com aquele papel enquanto ele estiver alugado. Com isso, se quiser se desfazer do papel por conta de alguma notícia ou movimento muito atípico, terá de esperar.

 

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