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Prejuízo bilionário não assusta investidores e ação da Vale sobe; veja por quê

Apesar de prejuízo líquido de R$ 14,86 bilhões no trimestre, resultado não deve assustar; Ebitda surpreendeu e companhia apresentou um sólido resultado operacional

supernavio da Vale
(Agência Vale)

SÃO PAULO - Na noite da última quarta-feira, a Vale (VALE3, VALE5) divulgou seus números do quarto trimestre, registrando um prejuízo líquido de R$ 14,86 bilhões, o dobro do que projetavam os analistas consultados pela InfoMoney. No mesmo período do ano anterior, a companhia teve um prejuízo líquido de R$ 5,628 bilhões.

Apesar deste número intimidar primeiramente, o mercado não se assustou com estes números, conforme aponta a equipe de análise da XP Investimentos. Isso porque, excluídos os efeitos não recorrentes, o seu lucro ficou praticamente em linha com o esperado. Excluídos estes efeitos, a companhia revelou um lucro básico de R$ 7,401 bilhões, acima dos R$ 4,10 bilhões registrados no mesmo período de 2012. Com isso, as ações da companhia são destaque de alta na bolsa brasileira: às 11h05 (horário de Brasília), os papéis VALE3 registram alta de 2,37%, a R$ 33,29, enquanto os ativos preferenciais têm ganhos de 2,10%, a R$ 29,63. Mais cedo, as ações ordinárias chegaram a subir 2,92%

Em destaque, mas como já amplamente esperado, está o impacto da adesão da Vale ao Refis (Programa de Recuperação Fiscal). Contudo, o impacto no lucro líquido foi menor do que os R$ 20,725 bilhões - US$ 8,914 bilhõe -, inicialmente estimados em novembro de 2013 porque a redução de multas, juros e encargos do REFIS não foi computada na apuração da base de cálculo para fins de imposto de renda no Brasil. Com isso o efeito total do Refis no resultado da Vale foi de R$ 14,814 bilhões, sendo US$ 2,637 bilhões contabilizados como despesa financeira e US$ 3,832 bilhões a título de imposto.

Por outro lado, chama a atenção os outros números entregues pela companhia, com destaque para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que ficou 12,4 pontos percentuais acima do esperado pelo mercado e com margem 3,4 pontos percentuais superior. Destaque ainda para o crescimento do Ebitda da divisão de pelotas, com alta de 52%, ainda que este tenha sido influenciado pelos maiores dividendos recebidos de companhias afiliadas não consolidadas. Por outro lado, na ponta negativa, esteve a provisão para a perda de estoque.

A corretora destaca que a visão geral do resultado foi boa, respaldado pela melhora de margem Ebitda (Ebitda/receita líquida), e superação das expectativas do mercado. Além disso, está o importante projeto de S11D, o mais importante de minério de ferro da empresa, que recebeu a licença de instalação para o ramal ferroviário que vai ligar a região sul de Carajás com a EFC e a licença de instalação para o desenvolvimento da mina e construção da planta.

Assim, a Vale apresentou um sólido resultado operacional, aponta o analista do BB Investimentos, Victor Penna, impulsionado principalmente pela elevação nos preços de minério e pela desvalorização cambial no período. O segmento de metais, com destaque para o níquel, também ajudou a impulsionar o resultado da companhia, avalia o analista.

"Após um ano de grandes progressos em redução de custos, desinvestimentos em ativos não estratégicos e foco na execução de alguns projetos-chave para sustentar seu desempenho em um ambiente mais volátil, a companhia ainda segue sustentada por bons fundamentos e sem a pressão da dívida junto ao governo após a adesão ao Refis", ressalta Penna.

Mais uma vez, os analistas do Credit Suisse, Ivano Westin, Marina Melemendjian e Santiago Teuffer "aplaudem" o esforço da gestão da companhia em entregar resultados, restaurando valor e aumentando os retornos para os acionistas, especialmente em um período em que se aumentam as preocupações sobre o declínio do preço das commodities. 

2014 já no radar do mercado
O analista Victor Penna destaca ainda a expectativa para o resultado do início do ano. "Acreditamos que a Vale deverá ser beneficiada pelos fortes volumes de importação de minério na China, mas que podem ser parcialmente compensados por um preço médio praticado – em dólar – menor". Ele avalia que o mercado siderúrgico naquele país mostrou sinais de arrefecimento em janeiro, fazendo com que os níveis de estoques alcançassem nas últimas semanas níveis não observados desde agosto de 2012.

Assim, após um ano de foco na eficiência de capital, que implicou principalmente em corte de custos e despesas operacionais, e desinvestimentos em ativos non-core, de US$ 6,0 bilhões, o ano de 2014 será marcado pelo aumento de produção nos projetos de metais básicos de Salobo, Onça Puma e VNC, e avanços nos investimentos de produção de minério, após a recente obtenção de uma licença autorizando o avanço da lavra no projeto que expandirá em 40 milhões de toneladas por ano a produção de minério em Carajás.

Destaques da teleconferência
Em teleconferência durante a manhã desta quinta-feira, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, destacou o esforço da companhia e os bons resultados entregues. Ferreira ressaltou que a disciplina de capital foi o destaque do ano, com a redução de R$ 2 bilhões em capex, ficando cada vez mais seletivos para se restringir a projetos globais e estratégicos. O presidente da mineradora ressalta que há muito trabalho para fazer e que há uma posição bastante forte com parcerias. 

Ferreira afirma estar feliz com a sua área de projetos e destaca o grande esforço de custos e a disciplina de custos de capital determinada, afirmando que não irá descansar enquanto não chegar às metas de volume e finalização do projeto em andamento. O presidente da Vale ainda destacou o compromisso de entregar dividendos aos acionistas e gerar valor à empresa. 

 

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