Em vale

Vale deve ter forte prejuízo trimestral com adesão ao Refis; resultado sai hoje

Analistas acreditam que, apesar de resultado final negativo, a mineradora deva registrar forte desempenho, com volume forte sustentado pelo câmbio e pelas importações da China

Vale minério
(Facebook)

SÃO PAULO - Após a Petrobras (PETR3; PETR4) reportar seus resultados de 2013 na véspera, nesta quarta-feira (26) será a vez de outra "peso-pesado" da Bovespa divulgar seu resultado do quarto trimestre, a Vale (VALE3; VALE5). O consenso do mercado é que a mineradora registre um bom fim de 2013, com um balanço forte, mas mesmo assim, a última linha da companhia deve apresentar forte prejuízo, causado por alguns eventos não-recorrentes, como sua adesão ao Refis (Programa de recuperação fiscal).

Considerando as projeções de XP Investimentos, Ágora, Deutsche Bank, BTG Pactual e Planner Corretora, os principais drivers da companhia neste período devem ser os preços do minério de ferro, que foram sustentados em patamares elevados, e por um câmbio favorável às exportações da mineradora. Em relação ao volume, a Planner destaca uma boa evolução, devido, principalmente às importações chinesas de minério, que no quarto trimestre tiveram crescimento de 13% em comparação com o mesmo período de 2012.

Segundo o analista Aloísio Villeth Lemos, da Ágora, os custos da Vale devem mostrar uma tendência de alta, mas mesmo assim, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do quarto trimestre deve ficar em R$ 13,8 bilhões, o que representa uma alta de 2,3% no trimestre e uma evolução de 51,6% na comparação anual, fato que também deve ser favorecido pela alta do dólar ante o real.

Já os analistas Edmo Chagas, Antonio Heluany e João Salgado, do BTG, destacam o movimento das ações da mineradora. Segundo eles, os papéis da companhia tiveram um desempenho bem abaixo de seus pares mundiais, como a Rio Tinto, BHP Billiton e Anglo American, com uma dissociação do movimento dos ativos desde 2012 e se estendendo no ano passado. Eles afirmam que essa "separação" tenha ocorrido por três fatores: falta de produção potencial de crescimento, especialmente em minério de ferro; preocupações sobre o quadro regulamentar no Brasil; e a questão da responsabilidade fiscal, que segue pressionando a empresa.

A expectativa para a receita líquida e para o Ebitda feita por quatro corretoras não difere tanto. Enquanto Planner, BTG e Deutsche projetam uma receita de US$ 12,84 bilhões, US$ 12,81 bilhões e US$ 13,35 bilhões, respectivamente, a Ágora e a XP Investimentos esperam R$ 30,91 bilhões e R$ 29,62 bilhões, cada. Já em relação ao Ebitda, tanto a Planner quanto o BTG esperam resultado de US$ 6,04 bilhões, enquanto o Deutsche acredita que o Ebitda seja de US$ 6,51 bilhões. Já a Ágora projeta Ebitda de R$ 13,79 bilhões e a XP, R$ 13,90 bilhões.

Refis irá pesar no resultado final
Apesar de projeções positivas e de um balanço forte para a Vale, as corretoras ressaltam que a adesão ao Refis feita pela companhia irá pesar na última linha, levando a mineradora a reportar um forte prejuízo no último trimestre de 2013. A adesão da companhia ao programa se refere ao pagamento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido de controladas e coligadas da empresa no exterior entre 2003 a 2012.

Pelo acordo, a Vale deveria pagar R$ 5,96 bilhões em dezembro e mais R$ 16,36 bilhões parcelados em 179 meses. No resultado do quarto trimestre, a adesão terá impacto de R$ 20,72 bilhões, sendo parte alocado no Resultado Financeiro (aproximadamente R$ 6 bilhões) e o restante como Imposto de Renda.

Em relação à última linha, a Planner projeta um prejuízo de US$ 4,78 bilhões, mas ressalta que não considerou outros eventos não-recorrentes da companhia no período, como a venda de ativos (Log-In - LOGN3 -, Norske, Tres Valles, ativos de energia, óleo & gás e a Fosbrasil), que até podem ter efeito positivo no balanço. Enquanto isso, o BTG espera que a mineradora tenha prejuízo de US$ 5,47 bilhões. Já a Ágora, acredita que a Vale registre um resultado negativo de R$ 7,94 bilhões entre outubro e dezembro.

Teleconferência
Por fim, a XP Investimentos destaca três fatores para se ficar de olho na teleconferência da mineradora. Em primeiro lugar, deve ser destaque durante o evento a atualização dos projetos e investimentos, assim como comentários sobre a licença, em relação à Carajás. Além disso, eles ressaltam que é preciso ficar de olho ao guidance da companhia para este ano, assim como potenciais novos desinvestimentos para os próximos meses.

O Deutsche ainda destaca que tanto no resultado em si, quanto na teleconferência é preciso ficar atento ao progresso em relação às minas do Sistema Norte, além dos esforços da Vale para a reduzir seus custos. Além disso, assim como a XP, eles dizem o estado de ativos não essenciais e o andamento dos desinvestimentos da empresa serão o grande destaque.

 

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