Em usiminas

A realização chegou: balanço "sem brilho" e fala do CEO derrubam a melhor ação do Ibovespa em 2017

Mercado aproveita balanço sem grandes surpresas da Usiminas no 3° trimestre, fala do CEO de que não irá repassar reajuste e alta de quase 130% no ano para realizar o lucro: ação afunda até 9% nesta sexta-feira

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(Peter Andrews/Reuters)

SÃO PAULO - Com resultado "sem brilho" no 3° trimestre, mensagem do CEO (Chief Executive Officer), Sérgio Leite, sobre abandono de reajuste de preços em outubro e na esteira uma forte alta na bolsa (+20% no mês; e 126% no ano, figurando como a melhor ação do Ibovespa), a Usiminas (USIM5) afunda nesta sexta-feira (27). 

Às 17h09 (horário de Brasília) deste pregão, os papéis da empresa caíam 6,95%, a R$ 9,10, descolados dos seus pares CSN (CSNA3, R$ 9,11, -4,51%), Gerdau (GGBR4, R$ 11,69, -0,43%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,46 -0,91%). 

O balanço
Do lado do balanço, o ponto que pesou na avaliação do mercado foi o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa, que atingiu R$ 453 milhões, um pouco abaixo da expectativa dos analistas consultados pela Bloomberg de R$ 460 milhões (veja aqui). O número ficou também 3,6% abaixo do registrado no 2° trimestre deste ano (em R$ 478 milhões), mas 49,8% acima do visto em igual período de 2016, quando atingiu R$ 307 milhões.

A equipe de análise da XP Investimentos, que segue otimista com a ação, já apontava em relatório nesta manhã: o desempenho da empresa (em termos de Ebitda) pode provocar volatilidade nas ações no curto prazo, principalmente após expressiva alta ao longo do mês. Contudo, diziam, "realizações mais fortes podem ser lidas como oportunidade de compra". Para os analistas, o resultado da empresa foi neutro, mostrando uma recuperação dentro do esperado. 

Mais otimista, aparece o Bank of America Merrill Lynch, que reiterou recomendação de compra para a ação, vendo os números do trimestre como sólidos. Para eles, o "momentum" dos lucros deve acelerar nos próximos trimestres, ajudando a impulsionar a geração de fluxo de caixa da empresa.

Os analistas do banco mantêm o papel como sua "top pick" no setor de siderurgia na América Latina, apontando que a empresa é a mais exposta à recuperação econômica do Brasil, está trabalhando com 55% da sua capacidade utilizada e tem tido sucesso na implementação de aumento de preços do aço, com o próximo evento-chave sendo a negociação com as montadoras no final do ano. 

A leitura mais cética, por sua vez, vem do BTG Pactual, que apontou o balanço como fraco, com destaque negativo para Ebitda e margem Ebit (que considera o lucro antes de juros e impostos dividido pela receita líquida). "Não vemos razão para o papel estar negociando no nível atual. Precifica a empresa como mais rentável do que a Ternium", comentam os analistas. Não vendo espaço para novos aumentos de preço, eles reiteraram visão mais cautelosa para a ação, com recomendação mantida em neutra. 

No 3° trimestre, a companhia conseguiu reverter prejuízo líquido de R$ 107 milhões um ano antes para lucro líquido de R$ 76 milhões. O número ficou também acima das projeções da Bloomberg que apontavam para lucro de R$ 36 milhões.

Já a receita líquida foi de R$ 2,74 bilhões, crescimento de 20% quando comparado ao mesmo trimestre de 2017 e acima das estimativas de R$ 2,69 bilhões, resultado do aumento do volume de vendas. O destaque ficou com o segmento de minério, cujas vendas cresceram 44% frente ao segundo trimestre deste ano e atingiram 904 mil toneladas. 

Sem reajuste em outubro
Aliado ao balanço de neutro a fraco, uma mensagem do CEO da empresa, em teleconferência realizada às 12h nesta sessão, ajudou a puxar uma queda mais forte dos papéis. Isso porque o executivo disse que a empresa não vai conseguir repassar o reajuste de preço que estava previsto até o final do ano. 

Na apresentação, para analistas e investidores, o executivo informou que o reajuste que estava previsto para outubro foi abandonado por conta da queda forte do preço do aço no mercado internacional desde então, especialmente na China. Ele explicou que a desistência ocorre porque a empresa trabalha com o prêmio de seu aço entre 5% e 10% mais caro que o chinês - e atualmente esse prêmio está em 10%. 

A mensagem foi suficiente para que os investidores estressarem o movimento de queda visto desde esta manhã com as ações da siderúrgica. Na mínima do dia, os papéis da Usiminas caíram 9,51%, a R$ 8,85. 

Adeus, crise!
Além disso, Leite destacou, durante a teleconferência, que a empresa voltou, neste momento, ao patamar que estava antes da crise que sofreu, com Ebit (Lucro antes de juros e impostos) de R$ 1 milhão no acumulado dos primeiros 9 meses de 2017, acima do registrado no mesmo perído de 2013 e 2014. "A deterioração nos resultados foi contínua, a partir do final de 2014, e nos levou a quase pedir recuperação judicial, ou até mesmo decretar a falência". 

O resultado, disse, foi fruto de um trabalho extremamente focado na geração de caixa desde que assumiu, em maio de 2016. "Apresentamos Ebitda negativo no 1° trimestre e 2° trimestre daquele ano e ao longo de um trabalho extenso conseguimos mostrar resultados. Esse 3º trimestre consolida isso". 

Ele destacou também a alavancagem, que segue em processo desaceleração, com o indicador dívida líquida/Ebtida um pouco acima de 2 vezes, patamar visto em 2013 e 2014. "Trabalhamos muito nesse período em alavancar o Ebitda. No 4° trimestre e 1° trimestre de 2018, vamos trabalhar na amortização dessa dívida. Amortizaremos R$ 900 milhões, antecipando esse processo em um ano e meio", comentou. 

Leite ressaltou que, depois de 3 anos, a empresa volta agora a discutir planejamento estratégico, que será desenhado de 2018 a 2022. O objetivo, afirmou, é "reposicionar a Usiminas como referência no negócio de aço" no Brasil e no mundo. 

O executivo destacou ainda que espera uma estabilização nos custos no 4° trimestre e uma expectativa de crescimento médio de 2% nos preços do aço na comparação com o 3° trimestre, dado que boa parte do efeito dos aumentos promovidos nos últimos meses vão aparecer somente no próximo resultado. Para o Ebitda, ele disse que R$ 400 milhões é o patamar de sustentabilidade que a empresa vai buscar de forma permanente. Em relação às vendas, ele afirmou que a empresa vai acompanhar o crescimento de aços plano no País: "se chegar a 10%, a Usiminas vai seguir esse crescimento". 

As ações da Usiminas fazem parte da Carteira Recomendada InfoMoney desde setembro e acumula desde então valorização de 30% na bolsa (confira o portfólio completo). 

 

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