Em ultrapar

Recuperação ou só um alívio? As perguntas que a dona do Posto Ipiranga não respondeu aos investidores

Resultado da Ultrapar no segundo trimestre foi fraco, mas melhor do que o esperado, mantendo dúvidas no mercado sobre o futuro da empresa

Ipiranga Ultrapar
(Reprodução Youtube)

SÃO PAULO - Nunca antes a conhecida frase "Pergunta lá no Posto Ipiranga", em referência ao famoso comercial do posto de gasolina, fez tanto sentido quanto agora quando o assunto é o desempenho da dona da companhia, a Ultrapar (UGPA3), na Bolsa.

Afinal, após soltar o balanço do segundo trimestre de 2018, que foi considerado bastante fraco, a ação UGPA3 chegou a disparar até 10% na bolsa para fechar com ganhos superiores a 7%, gerando muitos questionamentos sobre esse movimento. 

Mas você não precisa ir para o posto mais próximo para entender o que está acontecendo. Apesar do forte desempenho nesta sessão, os papéis ainda registram queda na semana e, apesar de liderar a alta nesta quinta-feira, está na lanterna do índice no acumulado do ano, com queda superior a 42%, não sendo nem a "sombra" do que a empresa já foi um dia, quando era classificada como queridinha do mercado. 

As baixas recentes - intensificadas por uma operação da Polícia Civil nesta semana que abriu investigação contra distribuidoras  - associadas a um segundo trimestre "não tão ruim" quanto o mercado esperava (mas ainda assim aterrador) levaram a essa forte alta na sessão. 

Contudo, há muitos motivos de preocupação e dúvidas - e um dos principais é justamente o Ipiranga, que teve perdas financeiras de R$ 187 milhões no trimestre, com a greve dos caminhoneiros atingindo em cheio os negócios da companhia.

Mas, mais do que o trimestre em questão, há preocupações além, conforme apontou o Credit Suisse em relatório. A margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) do Ipiranga caiu significativamente para R$ 69 por metro cúbico, mostrando que houve menos ganhos com importação de combustíveis e que a competição está mais acirrada, além de sentir o impacto da greve dos caminhoneiros. Porém, a cautela não se limita ao período entre abril e junho uma vez que, ajustadas pela perda de estoques e pelo maior custo de logística, as margens ainda seriam fracas.

Ou seja, não foi só a greve que impactou o resultado, mas também a estratégia da empresa de trocar uma maior margem por fatia de mercado. Por outro lado, ressalta o BTG Pactual, o Ipiranga teve maior disciplina em alocação de capital, com capex (despesas com capital) baixo com quase nenhum crescimento na base de postos.

Enquanto isso, do lado positivo, Ultragaz, Oxiteno e Ultracargo reportaram resultados fortes e acima do esperado pelo efeito câmbio e bom controle de despesas, o que ajudou o Ebitda a somar R$ 718 milhões, em linha com o esperado pelo banco suíço e acima da projeção de alguns analistas. 

Resultado confuso ou recuperação?

Com tudo na balança - e um resultado bastante confuso com greve, câmbio e preços - o BTG Pactual apontou que é difícil tirar conclusões sobre a evolução da companhia, avaliando que as margens ajustadas da Ipiranga ainda apresentam riscos de queda frente as expectativas do mercado. Com isso, os analistas mantiveram recomendação de venda para os papéis, com preço-alvo de R$ 42.

Já a XP Investimentos destacou que, dada a pressão que as ações da companhia vinham sofrendo, os resultados do segundo trimestre poderiam ser um primeiro passo para reduzir o ceticismo do mercado sobre a empresa. Contudo, os analistas reconhecem que a recente investigação na operação “Margem Controlada”, da Polícia Civil, pode continuar afetando a performance da ação.

Desta forma, números fracos, mas ainda melhores do que o esperado, fizeram com que a ação disparasse, assim como o fato de que, apesar dos dias ruins na bolsa, ela segue uma boa pagadora de proventos - a companhia anunciou que irá distribuir dividendos de R$ 0,56 por ação, com data ex no próximo dia 10 de agosto e dividend yield (valor do dividendo sobre o preço da ação) de 1,4%.  

Mas esse desempenho pode ser apenas um alívio em meio à tanta turbulência com a companhia. Além do BTG, o Bradesco BBI segue cauteloso com a empresa ao ter baixa visibilidade sobre a recuperação das margens da Ultrapar, possuindo preço-alvo de R$ 48 para os papéis UGPA3. Mais pessimista, o Credit tem recomendação underperform (desempenho abaixo da média) para os ativos, com preço-alvo de R$ 39, um cenário bem diferente do início do ano, quando o preço-alvo era de R$ 89.

Do outro lado, outra empresa do setor a divulgar resultado foi a BR Distribuidora (BRDT3) que, ao contrário da Ultrapar, viu seus números decepcionarem o mercado - mas, ainda assim, no caso da BR, foram bastante sólidos. O Ebitda ajustado foi de R$ 508 milhões (excluindo impacto de R $ 200 milhões da greve dos caminhoneiros) versus consenso de R$ 560 milhões e lucro líquido de R$ 263 milhões versus consenso de R $ 300 milhões.

"Apesar de abaixo, vemos os resultados gerais como sólidos e ilustrativos da reviravolta operacional que a BR vem passando, embora talvez em um ritmo mais lento em relação às expectativas do mercado", apontam os analistas da XP. Os papéis BRDT3 tiveram um pregão morno, ao contrário da Ultrapar - justamente pelo ajuste de expectativas do mercado.

Se essa tendência persiste ou se ela é passageira, é algo que será monitorado de perto pelo mercado. Caso os próximos resultados, mesmo que ainda fracos, mostrem uma recuperação da dona da Ipiranga, os analistas poderão voltar a vislumbrar um desempenho mais positiva para a empresa. Por enquanto, a palavra de ordem é cautela com a Ultrapar - mostrando que nem mesmo o "posto Ipiranga" tem a resposta sobre o futuro da empresa, mas que será chave para a sua recuperação. 

Quer investir em ações pagando só R$ 0,80 de corretagem? Clique aqui e abra sua conta na Clear

 

Contato