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O email do Itaú que provocou uma avalanche compradora em uma ação da Bolsa na terça-feira

Mercado "dormiu" 216 minutos antes de digerir a notícia sobre uma vitória judicial obtida pela Transmissão Paulista hoje; a reação veio apenas após comentários positivos do banco sobre o assunto

linhas de transmissão de energia elétrica 4
(Marcello Casal Jr/ABr)

SÃO PAULO - Na reta final do pregão desta terça-feira (14), as ações da Transmissão Paulista (TRPL4) tiveram um salto impressionante na Bovespa. Em apenas 7 minutos, as ações da elétrica dispararam 7% - das 16h13 às 16h20 (horário de Brasília). O motivo da arrancada? Um email do Itaú BBA enviado a clientes alertando para uma notícia "extremamente positiva" para a ação da companhia.

A notícia era a vitória judicial que a companhia obteve nesta tarde contra os aposentados da Lei 4819/58. A questão é que a informação foi divulgada às 12h36 pelo site da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp, mas o mercado só se atentou a isso 216 minutos depois, quando foi comentada pelos analistas do Itaú BBA. 

O email, que chegou aos clientes do banco por volta das 16h12 (horário de Brasília), provocou uma onda compradora no mercado (como pode ser visto no gráfico abaixo). Nos sete minutos que se seguiram, as ações da companhia subiram 7%, indo para R$ 63,38 e renovando sua máxima histórica na Bolsa. O interessante é que essa subida teve forte peso comprador dos investidores que utilizam a corretora do Itaú. Segundo dados do ProfitChart, o Itaú intermediou 32,36% do saldo comprador do papel (ou R$ 1,6 milhão) nesse período. Na sequência, apareceu o Merrill Lynch, com 10% do saldo comprador.

O motivo do otimismo
A arrancada das ações ocorre por conta de uma disputa da companhia que já dura anos. A questão em torno das aposentadorias teve início em julho de 2005, quando o Tribunal Regional do Trabalho decidiu que a responsabilidade pelo pagamento da complementação de aposentadoria da Lei 4819/58 era da Cteep (Transmissão Paulista) e da Fundação Cesp. Até então, a Fazenda do Estado vinha arcando com a despesa. Com isso, a companhia passou a ter um custo extra milionário.  

Segundo analistas do Itaú, essa decisão custava à companhia anualmente R$ 160 milhões. Isto é, se realmente a empresa tiver uma decisão final favorável sobre o assunto - lembrando que o Estado de São Paulo deve apelar em instâncias superiores -, o banco estima que o valor justo da ação TRPL4 poderia subir em R$ 7,00. Atualmente, o preço justo do banco para o papel é de R$ 54,00.  

A disputa
O problema vem desde a época da privatização da Cteep, quando a empresa se viu responsável pela aposentadoria de 6,5 mil empregados de outras estatais, como Cesp. 
Isso porque, quando a Cteep foi privatizada, houve um acordo entre o Estado de São Paulo e companhia, em que cada um deles iriam contribuir igualmente com os beneficiários do plano de pensão de Funcesp (Fundação responsável pelos benefícios do plano de pensão de todos os funcionários da Cesp). Em algum momento, no entanto, o Estado de São Paulo parou de pagar esses benefícios e elétrica foi obrigado pelo tribunal a contribuir plenamente para o fundo.

Desde então, a companhia processou o Estado de São Paulo em duas questões: 1ª) as futuras contribuições a serem feitas por responsabilidade da Cteep; e 2ª) qual o tamanho e se a companhia deveria conseguir recuperar o excesso de contribuições já feitas.

A decisão positiva veio na primeira questão, que determinou que o Estado de São Paulo é o único responsável pelas contribuições adicionais que devem ser feitas para o fundo. A Funcesp e o Estado de São Paulo ainda podem apelar para instâncias superiores, mas até então, a Cteep está oficialmente isenta de pagar contribuições adicionais.

Segundo o Itaú, a decisão corrobora com a posição positiva que o banco tem sobre a empresa, acreditando ainda que há um lado adicional positivo sobre o assunto. Isto é, se a Transmissão Paulista for realmente capaz de vencer a 2ª questão, que fala sobre os montantes já pagos. No balanço patrimonial da empresa do 4° trimestre de 2015, esse valor era de R$ 966 milhões.

Diante da expectativa de "céu azul" à frente, o banco manteve recomendação outperform (desempenho acima da média) para a ação, com preço justo de R$ 54,00, enquanto eles não atualizam suas estimativas para uma possível nova realidade da empresa. 

Confira a reação do mercado após o alerta do Itaú BBA: 

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